A participação da população nas decisões do poder público foi o principal tema da entrevista concedida pela ex-prefeita de Francisco Morato, Renata Sene (Republicanos), ao jornalista Itamar Gonçalves, no programa Bastidores da Política, da Rádio Difusora e Jornal de Jundiaí. Pré-candidata a deputada estadual, ela afirmou que a experiência à frente do município demonstrou que ouvir os moradores antes de definir investimentos e prioridades produz políticas públicas mais eficientes e resultados duradouros.
Segundo Renata, um dos primeiros atos após assumir a Prefeitura foi voltar às ruas para ouvir a população e construir, de forma participativa, o planejamento da cidade. "Quando a gente ganha a eleição, a primeira coisa que eu faço é voltar às ruas e perguntar para as pessoas como a gente deveria começar", afirmou. O processo resultou na elaboração do primeiro Plano Plurianual (PPA) participativo da história de Francisco Morato.
Para ampliar a participação, a administração realizou audiências públicas à noite e aos fins de semana, utilizou escolas como locais de encontro, divulgou as reuniões por meio dos cadernos dos alunos e implantou pontos de internet gratuita em praças para facilitar o acesso da população às informações da Prefeitura.
Renata afirmou que a escuta revelou demandas que iam além das áreas tradicionais da administração pública. Segundo ela, um dos principais anseios dos moradores era recuperar a autoestima da cidade, marcada durante anos pela imagem de obras inacabadas, que renderam a Francisco Morato o apelido de "Cidade dos Esqueletos".
A partir desse diagnóstico, a gestão priorizou a retomada de empreendimentos paralisados, entre eles o novo Paço Municipal, unidades de saúde, creches e espaços de lazer. "Eu atendi, de fato, a expectativa de quem está lá na ponta, de quem mora ao lado de um esqueleto de obra", disse.
Durante a entrevista, a ex-prefeita destacou que buscou transformar ações de governo em políticas públicas permanentes. "Nós criamos políticas públicas de legado. Nossos planos não eram de quatro em quatro anos, eram planos decenais", afirmou. Segundo ela, o objetivo era garantir continuidade às iniciativas, independentemente das mudanças de governo.
Entre os exemplos citados está a criação da Secretaria Municipal do Clima. De acordo com Renata, o órgão foi estruturado para preparar a cidade diante dos impactos das mudanças climáticas, com planejamento preventivo e atuação junto às comunidades. Ela informou que o trabalho desenvolvido em Francisco Morato foi selecionado para representar o Brasil na Semana do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro.
A infraestrutura também ocupou parte da entrevista. Renata lembrou as negociações com o Governo do Estado para viabilizar a retomada das obras da estação ferroviária de Francisco Morato, utilizada diariamente por cerca de 47 mil passageiros. Segundo ela, a conclusão da obra ajudou a mudar a percepção da população sobre o município e simbolizou uma nova fase para a cidade.
Reeleita com 86,99% dos votos, Renata atribuiu o resultado ao modelo de gestão baseado na participação popular. Ela também destacou a continuidade desse trabalho na administração do prefeito Ildo Gusmão, seu sucessor, que, segundo afirmou, mantém iniciativas de diálogo permanente com a população.
Ao falar sobre sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa, Renata apresentou o projeto "Sua Voz Importa", iniciativa que pretende percorrer municípios paulistas para ouvir moradores e reunir informações sobre os principais desafios de cada região. "Você não pode representar pessoas sem conhecê-las. Como é que eu posso te representar se eu não sei das suas vocações e dos seus desafios?", questionou. Segundo ela, a proposta é construir um banco de informações que contribua para a formulação de políticas públicas e para uma atuação parlamentar mais conectada às necessidades locais.
A ex-prefeita citou como exemplo a situação de pacientes que precisam viajar para outras cidades para realizar consultas e exames especializados. Para ela, esse cenário reforça a necessidade de ampliar consórcios regionais, reorganizar a oferta de serviços e fortalecer o apoio do Estado aos municípios.
Na avaliação de Renata, muitas prefeituras enfrentam dificuldades para atender às demandas da população em razão das limitações financeiras. "Os municípios estão subfinanciados. Temos que repactuar orçamento, planejamento e competências", afirmou.
Ao encerrar a entrevista, a pré-candidata voltou a defender a participação popular como princípio da gestão pública. "Ouvir as pessoas faz parte da minha essência. Quando o poder público conhece a realidade de quem está na ponta, consegue transformar necessidades em políticas públicas que deixam legado."