OPINIÃO

O crescimento da RMJ desafia o Japi


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Neste fim de semana, caminhando por Cabreúva, a poucos minutos do Centro de Meditação Kadampa Brasil, o que vi foi uma sucessão de novos empreendimentos imobiliários avançando sobre uma paisagem que, até pouco tempo, era predominantemente de muito verde esparsas por propriedades rurais. A cena impressiona. É inevitável questionar o crescimento desenfreado da Região Metropolitana de Jundiaí sem pensar no comprometimento de seus maiores patrimônios ambientais.

Criada oficialmente em 30 de novembro de 2021, a Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) reúne os municípios de Jundiaí, Cabreúva, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Jarinu, Louveira e Várzea Paulista. A lei reconheceu uma realidade que já vinha se consolidando há anos, a da integração econômica, urbana e logística de um território estratégico entre São Paulo e Campinas.
Os números ajudam a explicar o fenômeno. A região ultrapassa 840 mil habitantes e apresentou, na última década, uma taxa média anual de crescimento populacional muito superior à média do Estado de São Paulo. Enquanto o estado cresce lentamente, a RMJ continua atraindo moradores, empresas, centros logísticos e investimentos imobiliários.
Segundo a Fundação Seade, a RMJ registrou taxa média anual de crescimento populacional de 1,6% entre 2010 e 2022 — a maior entre todas as regiões metropolitanas do Estado de São Paulo. Não há dados oficiais mais recentes. 

Cabreúva, assim como os demais municípios da região, são exemplos visíveis desse processo. Lá, o Distrito do Jacaré tornou-se um dos principais vetores de crescimento imobiliário. Novos loteamentos e condomínios transformam rapidamente a paisagem, impulsionados pela procura de famílias que deixam os grandes centros em busca de mais espaço e contato com a natureza. 

As pessoas procuram Cabreúva porque desejam viver próximas à Serra do Japi. Entretanto, quanto maior a ocupação do entorno da serra, maior tende a ser a pressão sobre os ecossistemas que tornam o lugar tão especial. Os empreendimentos observados não significam, necessariamente, ocupação ilegal. Muitos deles encontram-se em áreas urbanizáveis, regularmente licenciadas. A questão, portanto, não é apenas jurídica. É territorial. 

O crescimento urbano produz impactos cumulativos que nem sempre aparecem no momento da aprovação de um empreendimento. O aumento do tráfego, da impermeabilização do solo, da demanda por água, da geração de resíduos, da iluminação artificial e da fragmentação dos corredores ecológicos altera gradualmente a dinâmica ambiental da região.
A Região Metropolitana de Jundiaí ainda possui a oportunidade rara de crescer sem repetir os erros de outras metrópoles. O ideal, seria a realização de um macroplanejamento, de longo prazo, com o envolvimento e comprometimento dos sete municípios, integrando políticas públicas articuladas e uma visão que ultrapasse os limites administrativos de cada prefeitura, pensando no legado que será deixado para as gerações futuras.

Rosângela Portela é jornalista, consultora e mentora em comunicação

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