Com os novos recursos tecnológicos disponíveis e acesso permanente a celulares, estabelecendo uma nova forma de se relacionar, a comunicação via WhatsApp cresceu exponencialmente.
Nas escolas, um fenômeno tem despertado a atenção das equipes educacionais: os grupos de mães de alunos. Discutir a educação dos filhos é algo positivo. O problema está na forma como esses grupos se organizaram e se expandiram interferindo de maneira negativa no cotidiano das escolas. Diretores, atualmente, tem que mediar conflitos que nascem nos meios digitais.
Em alguns casos, esses grupos transformam-se em mecanismos de monitoramento informal da escola: a nota baixa que a filha tirou, a briga do colega no intervalo, ou um comentário feito em sala de aula se tornam temas de debate coletivo.
Questões que deveriam ser tratadas diretamente com a equipe pedagógica e resolvidas com uma simples conversa, acabam sendo discutidas em bate-papos virtuais, gerando climas constrangedores.
Embora esses grupos sejam independentes da instituição, seus efeitos atingem o ambiente escolar. Professores têm que parar suas aulas para responder questionamentos surgidos a partir de versões compartilhadas nos grupos, consumindo um tempo precioso.
O principal problema é que esses grupos criam uma espécie de gestão paralela da escola. Decisões pedagógicas passam a ser discutidas e julgadas sem a participação dos profissionais responsáveis.
Talvez a questão mais profunda não esteja nos grupos em si. Eles são sintomas de uma transformação profunda pela qual estamos passando. Revelam um momento em que a autoridade profissional — do médico, do jornalista, do professor e da escola — é constantemente questionada. Os grupos apenas tornaram esse fenômeno visível e instantâneo.
O desafio está em reconstruir uma relação de confiança entre as famílias e a escola, fortalecendo canais institucionais de diálogo e definindo os papéis de cada um no processo educativo. Se não conseguirmos isso, corremos o risco de transformar esses espaços em locais de ruído, desconfiança e desgaste, desviando a atenção daquilo que realmente importa: a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos.
Francisco Carbonari é ex-secretário de Educação