‘Ô ABRE ALAS’

Sambistas jundiaienses levam talento e paixão para o Anhembi

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Giulia Maciel (de roupa branca) se apaixonou pela área de Harmonia em escola de samba e estudou para exercer
Giulia Maciel (de roupa branca) se apaixonou pela área de Harmonia em escola de samba e estudou para exercer

“Ô abre alas” que Jundiaí quer passar. Embalado por esse tradicional ritmo carnavalesco, criado por Chiquinha Gonzaga, no Rio de Janeiro, que muitos jundiaienses chegam à capital para dar um sotaque e abrilhantar os desfiles das escolas de samba paulistanas. Neste ano, novamente, carnavalescos locais levarão suas histórias, conhecimento, paixão e dedicação para a maior festa da cultura popular do mundo. E as mulheres têm dominado o Anhembi, palco do Carnaval paulistano.

A babá Giulia Maciel, de 31 anos, desfila no Carnaval paulistano desde 2014. Ela começou sua trajetória na Tom Maior e, posteriormente, passou a integrar a escola Pérola Negra, onde atua desde 2023 no setor de Harmonia, área técnica responsável por garantir o andamento correto do desfile. 

Giulia deu os primeiros passos ainda criança, desfilando na ala mirim da União da Vila, em Jundiaí, passando pela função de porta-bandeira e encontrou sua verdadeira vocação nos bastidores técnicos da escola. A ligação com o Carnaval vem de família. “Meus avós amam, meus pais e tios também, então eu segui o caminho deles. Em 2010, meu avô renasceu a Unidos da Zona Leste e foi ali que me apaixonei pela harmonia. A partir de 2014, comecei a fazer cursos em São Paulo e criar vínculos. Hoje sou Harmonia e amo o que faço”, afirma.

Para Giulia, a emoção de entrar na avenida é indescritível. Segundo ela, o desfile da Pérola Negra está 90% pronto, já com ensaios técnicos. A escola disputa a divisão de acesso e promete encantar o público ao homenagear Maria Bonita. “São cerca de dez meses de trabalho para aquele momento. A adrenalina fica à flor da pele. “O Carnaval da Pérola é maravilhoso. Acredito que vamos deixar todo mundo encantado”, aposta.

Júlia (à direita) acredita que o Carnaval é uma festa capaz de unir o povo e resgatar as tradições

Da escola para a avenida 

A proprietária de uma escola de dança, Julia Carrara Quaggio, de 34 anos, também carrega uma longa história com o samba. Apaixonada pela festa, ela está há quatro anos na Acadêmicos do Tucuruvi e chega ao sexto desfile no Carnaval paulistano, após passagens pela Camisa Verde e Branco e pela Barroca Zona Sul. 

O interesse começou há 23 anos, quando amigos da mãe a convidaram para desfilar em Jundiaí. “Minha mãe me chamou para ir junto e eu gostei. A partir daí comecei a estudar e aplicar meus conhecimentos de bailarina nas coreografias de mestre-sala e porta-bandeira”, relembra.

Neste ano, a Tucuruvi disputa a divisão de acesso e a expectativa é de retorno ao Grupo Especial. Com o enredo “Anti-herói” promete emocionar ao retratar o povo que luta para sobreviver. “A queda no ano passado foi muito dolorosa, mas estamos trabalhando forte. Fazemos de três a quatro ensaios por semana e estamos afinando cada detalhe. Tenho certeza de que o público vai se identificar e a avenida vai explodir”, diz.

Entre batuques, cores e histórias de vida, as jundiaienses seguem prontas para mostrar que o samba da cidade também brilha forte no Anhembi. “O Carnaval vai além da festa. Ele representa a força do povo, o resgate das tradições e, principalmente, a união”, resume. 

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