MAL SÚBITO

Mortes em academias acendem alerta para preparo nos treinos

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
 Rafael Gregório salienta a importância de conhecer todo o histórico do aluno antes do início das atividades físicas
Rafael Gregório salienta a importância de conhecer todo o histórico do aluno antes do início das atividades físicas

Em apenas uma semana, duas pessoas morreram em academias de Jundiaí, após sofrerem um mal súbito enquanto se exercitavam. Um dos casos aconteceu na quarta-feira (28), na divisa entre Jundiaí e Várzea Paulista, quando uma mulher de 57 anos passou mal, foi socorrida, mas não resistiu. O outro caso, no início do mês, uma idosa de 71 anos também praticava exercícios veio a óbito. Casos que reforçam a importância do preparo do corpo antes da prática de atividades. 

Especialistas consultados pelo JJ não comentam os casos individualmente, porém fazem um alerta quanto à preparação do corpo antes dos exercícios físicos. O cardiologista Hélder Jorge de Andrade Gomes, da Faculdade de Medicina de Jundiaí, explica que o mal súbito é o nome dado à parada cardíaca ou à morte súbita, e diz que entre 80% e 90% dos casos têm origem cardíaca.

“Na maioria dos casos, há alguma patologia prévia, muitas vezes não diagnosticada. O perfil mais comum é de pessoas com cardiopatias já existentes, principalmente doenças ateroscleróticas, histórico de infarto ou angina, porém também estão no grupo de risco indivíduos com hipertensão, diabetes, tabagismo ou colesterol alto. Em pacientes mais jovens, as causas mais frequentes são cardiopatias congênitas, como malformações cardíacas, ou doenças do músculo do coração, como a cardiopatia hipertrófica”, completa.

Helder Gomes diz que atividades físicas recomendadas para todos são de intensidade moderada e frequência regular

Apesar disso, o cardiologista reforça que a prática de exercícios físicos não é contraindicada, mas reforça o cuidado com o uso de suplementos e anabolizantes que podem acelerar ou desencadear doenças cardíacas. “Não existe contraindicação para exercícios, desde que sejam de intensidade moderada e com frequência regular, salvo situações especiais, como nos casos de cardiopatia prévia. Atividades de alta intensidade exigem avaliação específica”, afirma. Avaliação prévia

Para o profissional de educação física e proprietário de academia Rafael Gregório, a prevenção começa antes mesmo de o aluno iniciar os treinos. “Desde o primeiro contato, ainda na recepção, é fundamental iniciar uma anamnese. É preciso perguntar sobre problemas de saúde, uso de medicações, histórico de atividades físicas e se há algum laudo médico”, destaca.

Rafael ressalta ainda a importância do “PAR-Q”, questionário obrigatório que deve ser aplicado antes do início de atividades físicas regulares ou competitivas. “O principal objetivo do “PAR-Q” é identificar possíveis limitações e restrições na saúde da pessoa. Essa abordagem garante que a academia esteja consciente das limitações dos alunos e dos cuidados necessários na prescrição dos treinos, além de transmitir credibilidade e segurança”, explica.

Segundo ele, os treinos devem ser individualizados, respeitando limites, patologias e características de cada aluno. “Hoje vemos um aumento significativo de pessoas buscando qualidade de vida e também um crescimento no número de academias. Porém, muitas não fazem acompanhamento médico periódico. Na pressa por resultados estéticos ou perda de peso rápida, acabam utilizando estimulantes por conta própria, o que pode gerar problemas graves no futuro”, alerta.

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