FRUTAS

Clima seco de Jundiaí afeta safras do meio do ano

Sem previsão de chuva no município, colheitas das próximas safras também podem ser prejudicadas neste ano

Por Nathália Sousa | 11/06/2024 | Tempo de leitura: 3 min

Arquivo JJ

Sandra Vendramin está colhendo menos bananas e diz que as frutas têm ficado menores com a falta d'água
Sandra Vendramin está colhendo menos bananas e diz que as frutas têm ficado menores com a falta d'água

A chuva foi embora de Jundiaí e ainda não tem data prevista para voltar. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até o fim desta semana haverá temperaturas parecidas com as de ontem (10), sem indício de precipitação. Já segundo o Climatempo, a baixa umidade do ar vai continuar e mais para o fim do mês volta a esfriar, mas sem previsão de chuva. Com a falta d’água, a agricultura tem reflexos negativos. Nesta época do ano, são produzidas frutas como maracujá, banana, mamão, abacate, kiwi, pêra, carambola e laranja. Algumas delas são cultivadas na cidade, mas o período de estiagem vem interferindo nas colheitas.

Produtora de banana nanica e outras frutas e verduras no Caxambu, Sandra Vendramin conta que a seca em Jundiaí afeta a colheita. “Diminuiu um pouco a produção e o tamanho da fruta, porque falta chuva. No momento, não tenho outras frutas produzindo, só a banana. A gente segue o preço do mercado, há um mês, o preço estava maior, mas agora diminuiu, mesmo com menos produção, porque tem alteração se vem banana de fora, de outras regiões, então acabamos acompanhando o preço do mercado.”

Sandra diz que o maior problema é a falta de água, já que a temperatura não influencia tanto a banana. “A temperatura não influencia tanto, só demora mais para a banana ficar madura no frio, porque não uso estufa nem nada, também não preciso usar proteção por causa o sol. A banana sente mais o frio do que o calor, então no calor é mais tranquilo para produzir”, destaca.

MATURAÇÃO

Produzindo carambola e outras frutas que ainda são colhidas agora, como uva niágara e caqui rama forte, José Henrique Losqui, do Corrupira, fala que a falta d’água tem afetado todas as produções. “Agora, além da carambola, tem colheita de atemoia, poncã, final da safra do caqui, final da niágara do meio do ano e goiaba de quem faz poda. O meu plantio de carambola não é muito comercial, tenho apenas alguns pés para venda na banca do terminal”, diz ele, que vende frutas no Terminal Vila Arens.

“Com essa seca, as frutas não crescem o tanto que têm que crescer. Com estresse hídrico, a fruta amadurece mais rápido. A carambola tem de duas a três floradas no ano. A safra que sai em janeiro, fevereiro, é boa, porque chove bastante. Agora, a fruta fica menor e a produção cai 60% em relação à época de mais chuva. Mas a fruta, na época de mais águas, fica mais aguada. Na época seca, o frio ajuda a concentrar açúcar, porque, como tem menos água, a planta coloca mais potássio na fruta e ela também fica mais bonita, com a cor mais forte”, explica.

Losqui conta que, no entanto, a doçura da fruta é muito associada também ao tempo de colheita. “A fruta, tem que ter período de maturação na planta. O morango verde, quando é colhido, pega cor, mas não pega sabor, também é assim com ameixa, pêssego. Só a banana que se colhe mais verde e ela amadurece em estufa e o caqui rama forte também vai para estufa. A goiaba a gente colhe mais verde porque o mercado exige, porque ela não aguenta o transporte muito madura”, conta ele, acrescentando que a maturação influencia também na marca registrada da região, a uva niágara, que é produzida em outras cidades do país, mas, “a da nossa região não tem igual em relação a perfume e sabor”, completa.

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