MOVIMENTO

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Metamorfose do Centro reflete hábitos e escolhas

Metamorfose do Centro reflete hábitos e escolhas

Na época em que 'cidade' era sinônimo de Centro, Jundiaí tinha, dia e noite, eferverscência nas ruas e nos comércios da região

Na época em que 'cidade' era sinônimo de Centro, Jundiaí tinha, dia e noite, eferverscência nas ruas e nos comércios da região

Por Nathália Sousa | 17/05/2023 | Tempo de leitura: 4 min
Jornal de Jundiaí

Por Nathália Sousa
Jornal de Jundiaí

17/05/2023 - Tempo de leitura: 4 min

Arquivo JJ

Hoje, com exceção do fim do ano, o Centro fica esvaziado à noite

Motivo de nostalgia para muitas pessoas que viveram na Jundiaí dos anos 70, 80 e 90, o Centro da cidade sofre uma metamorfose ao longo das últimas décadas. As mudanças físicas no Centro e de hábitos da população não são exclusividade de Jundiaí, muitas cidades passam por isso, mas aqui a alteração brusca vai além da chegada da internet e da falta de interesse em alguns negócios e produtos.

Recentemente, mais uma leva de lojas tradicionais no Centro fechou as portas. A Foto Gelli, a Comecinho de Vida, a Marisa. Antes dessas, os cinemas de rua, os restaurantes mais antigos, como Dadá e Paulicéa. No lugar destes estabelecimentos, outros abriram e, não raramente, se vê uma nova loja de variedades ou ótica. O perfil mudou.

Segundo o historiador e professor Maurício Ferreira, as mudanças do Centro cabem em uma frase. "Pelo lado nostálgico, é uma tristeza, mas acho que é um caminho sem volta."

Maurício lembra que, o que era necessário, tinha no Centro. "É um fenômeno que aconteceu em muitas cidades nos anos 70 e 80. Não tinha shopping, a vida acontecia no Centro. A Vila Arens também era forte, a Ponte São João. Mas tudo acontecia no Centro, minha mãe usava o termo 'cidade' para se referir ao Centro. Teve todas as mudanças, os shoppings, a questão da segurança, que hoje é mais uma questão de saúde pública. Antes tinham pessoas viciadas em álcool, hoje são viciados em drogas ilícitas. Para quem é nostálgico, é muito ruim."

"Hoje o comércio ainda é forte comparado ao de outras cidades, mas não é nem a sombra do que já foi um dia. É preciso ter uma revitalização, não reurbanização", opina.

URBANIZAÇÃO

Arquiteto e historiador, Roberto Franco Bueno mora em Jundiaí desde a década de 50. Para ele, com o crescimento da cidade, os bairros também passaram a abrigar pequenos "centros". "Jundiaí era completamente provinciana e virou quase uma Capital. Sempre foi um comércio de lojinhas, de roupas, porque era onde o capiau vinha vender o que plantava e comprar roupa. Eram cidades centralizadas, mas pequenas."

"Os bairros foram crescendo e viraram centros de cultura e de comércio. O Centro era residência de grandes famílias e tinha escolas, biblioteca a igreja", lembra ele sobre o período em que a industrialização começava, nos anos 50. "O Centro hoje não está decadente, isso é fruto do crescimento, as pessoas moram perifericamente e vão formando os bairros. As pessoas gostam da vida grupal, do bairrismo e encontram nos bairros e na internet o que precisam", diz Roberto sobre a não necessidade de uma centralização de comércio e serviços como antes.

Arquiteta e urbanista, Daniela da Camara diz que o caso do Centro não é só um elemento isolado. "O Centro deixou de ter habitação. Isso não é exclusividade de Jundiaí, na maioria das cidades há ocupação de dia, com comércio, mas não tem vida noturna. Precisa de habitação novamente no Centro e que comerciantes, lojistas, o setor de gastronomia queira estar no Centro."

Daniela lembra que o apelo histórico de Jundiaí pode ser aposta para o Centro. "Não entendo por que Jundiaí não consegue avançar nisso. Tem condições de trazer de volta a alegria de estar no Centro. É possível ter mais espaço para pedestres e menos carros. Temos o Centro Histórico, é possível ter um roteiro gastronômico. O Sexta no Centro, por exemplo, é bem-sucedido, porque é gratuito, democrático."

COMÉRCIO

Presidente da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí, Mark William Ormenese Monteiro diz que a internet muda tendências. "Anos atrás, a concorrência era na mesma rua. Hoje, com a globalização e a tecnologia, a concorrência pode estar do outro lado do mundo. Por isso, a atualização é palavra de ordem. O comércio precisa se adequar às mudanças. O comerciante se modernizar é algo primordial para a sobrevivência do negócio."

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio), Edison Maltoni diz que há estudos destes órgãos sobre as mudanças do Centro. "Fazemos um trabalho para que o Centro seja mais vivo, tenha ocupação, seja melhor iluminado. Mas sobre as mudanças de comércios, às vezes não adianta só ter a empresa e achar que basta ser conhecida. Tem que investir em publicidade, estar nas mídias digitais. Muitos comércios fecharam porque os proprietários estavam saindo dos negócios, mas há os que não se atualizaram, e isso os tira do mercado. Tem que pensar no futuro."

Motivo de nostalgia para muitas pessoas que viveram na Jundiaí dos anos 70, 80 e 90, o Centro da cidade sofre uma metamorfose ao longo das últimas décadas. As mudanças físicas no Centro e de hábitos da população não são exclusividade de Jundiaí, muitas cidades passam por isso, mas aqui a alteração brusca vai além da chegada da internet e da falta de interesse em alguns negócios e produtos.

Recentemente, mais uma leva de lojas tradicionais no Centro fechou as portas. A Foto Gelli, a Comecinho de Vida, a Marisa. Antes dessas, os cinemas de rua, os restaurantes mais antigos, como Dadá e Paulicéa. No lugar destes estabelecimentos, outros abriram e, não raramente, se vê uma nova loja de variedades ou ótica. O perfil mudou.

Segundo o historiador e professor Maurício Ferreira, as mudanças do Centro cabem em uma frase. "Pelo lado nostálgico, é uma tristeza, mas acho que é um caminho sem volta."

Maurício lembra que, o que era necessário, tinha no Centro. "É um fenômeno que aconteceu em muitas cidades nos anos 70 e 80. Não tinha shopping, a vida acontecia no Centro. A Vila Arens também era forte, a Ponte São João. Mas tudo acontecia no Centro, minha mãe usava o termo 'cidade' para se referir ao Centro. Teve todas as mudanças, os shoppings, a questão da segurança, que hoje é mais uma questão de saúde pública. Antes tinham pessoas viciadas em álcool, hoje são viciados em drogas ilícitas. Para quem é nostálgico, é muito ruim."

"Hoje o comércio ainda é forte comparado ao de outras cidades, mas não é nem a sombra do que já foi um dia. É preciso ter uma revitalização, não reurbanização", opina.

URBANIZAÇÃO

Arquiteto e historiador, Roberto Franco Bueno mora em Jundiaí desde a década de 50. Para ele, com o crescimento da cidade, os bairros também passaram a abrigar pequenos "centros". "Jundiaí era completamente provinciana e virou quase uma Capital. Sempre foi um comércio de lojinhas, de roupas, porque era onde o capiau vinha vender o que plantava e comprar roupa. Eram cidades centralizadas, mas pequenas."

"Os bairros foram crescendo e viraram centros de cultura e de comércio. O Centro era residência de grandes famílias e tinha escolas, biblioteca a igreja", lembra ele sobre o período em que a industrialização começava, nos anos 50. "O Centro hoje não está decadente, isso é fruto do crescimento, as pessoas moram perifericamente e vão formando os bairros. As pessoas gostam da vida grupal, do bairrismo e encontram nos bairros e na internet o que precisam", diz Roberto sobre a não necessidade de uma centralização de comércio e serviços como antes.

Arquiteta e urbanista, Daniela da Camara diz que o caso do Centro não é só um elemento isolado. "O Centro deixou de ter habitação. Isso não é exclusividade de Jundiaí, na maioria das cidades há ocupação de dia, com comércio, mas não tem vida noturna. Precisa de habitação novamente no Centro e que comerciantes, lojistas, o setor de gastronomia queira estar no Centro."

Daniela lembra que o apelo histórico de Jundiaí pode ser aposta para o Centro. "Não entendo por que Jundiaí não consegue avançar nisso. Tem condições de trazer de volta a alegria de estar no Centro. É possível ter mais espaço para pedestres e menos carros. Temos o Centro Histórico, é possível ter um roteiro gastronômico. O Sexta no Centro, por exemplo, é bem-sucedido, porque é gratuito, democrático."

COMÉRCIO

Presidente da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí, Mark William Ormenese Monteiro diz que a internet muda tendências. "Anos atrás, a concorrência era na mesma rua. Hoje, com a globalização e a tecnologia, a concorrência pode estar do outro lado do mundo. Por isso, a atualização é palavra de ordem. O comércio precisa se adequar às mudanças. O comerciante se modernizar é algo primordial para a sobrevivência do negócio."

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio), Edison Maltoni diz que há estudos destes órgãos sobre as mudanças do Centro. "Fazemos um trabalho para que o Centro seja mais vivo, tenha ocupação, seja melhor iluminado. Mas sobre as mudanças de comércios, às vezes não adianta só ter a empresa e achar que basta ser conhecida. Tem que investir em publicidade, estar nas mídias digitais. Muitos comércios fecharam porque os proprietários estavam saindo dos negócios, mas há os que não se atualizaram, e isso os tira do mercado. Tem que pensar no futuro."

Há algumas décadas, o Centro de Jundiaí tinha outro significado, mais nobre, na rotina do jundiaiense

1 COMENTÁRIOS

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  • Mariana
    17/05/2023
    Uma pena, mas é um caminho sem volta em virtude das decisões do próprio Poder público. Aluguéis da região caríssimos. Estruturas comerciais que não conseguem atender a legislação vigente. O processo de habite-se e sua respectiva regularização vai ficar parado por anos na prefeitura. Sindicatos mais interessados em arrecadar sua cota, do que incentivar o giro da economia local. Ônibus que passavam antes de 10 em 10 min, passada a pandemia continuaram com alguns horários reduzidos. Não há visibilidade nem incentivo para os projetos socio culturais do Centro... Me desculpe mas o que ocorre com o Centro de Jundiaí (como de outras cidades) é o foco em grandes indústrias e investidores, que trazem mais investimento e arrecadação pro município. O pequeno comerciante não tem vez e nem voz.