Opinião

A importância do não fazer

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Com muita frequência os feriados prolongados são aproveitados para se descansar da rotina agitada. Foi esse o caso do último feriado de Carnaval, onde grande parte das pessoas aproveitou os quatro dias não para participar das festividades, mas para realizar viagens ou outras atividades diferentes do que estão acostumadas.

Alguns programam viagens e estadias em lugares que não conheciam, fazendo um programa turístico, o que é muito saudável, pois abre novos horizontes diante do contato com cotidianos diferentes do nosso, aquele que constitui na nossa rotina. Seria mais ou menos como "pensar fora da caixa", expressão comum quando desejamos passar por experiências inéditas que normalmente modificam a nossa visão do mundo por ampliá-la, com novas perspectivas.

Porém, para algumas pessoas, esse tipo de atividade, que demanda toda uma preparação para que seja aprazível, passando pela logística de ir até o local, aporte financeiro, elaborar um roteiro a partir de indicações e pesquisas na internet, gera tanto desgaste e pressão quanto a rotina em que estão submetidos normalmente.

Diante disso, muitos optam simplesmente por "não fazerem nada". Deliberadamente se deixam seguir com o fluxo do dia sem ter um compromisso fixo com alguma atividade: não existe programação do que fazer, nem horários de refeições (se alimenta quando tem fome), horários para se deitar à noite, ou acordar de manhã.

É importante enfatizar que esse tipo de atitude, em primeiro lugar, não é "nada fazer". No meu ponto de vista se trata de assumir uma condição diferente diante do tempo que se tem disponível e das tarefas que se apresentam. Portanto, se trata de fazer algo: um olhar diferenciado através da ausência de ação (o não-fazer) que dá espaço para a manifestação de coisas que antes passavam despercebidas.

Esse tipo de atitude permite que se avalie o estado das coisas como elas estão, como elas se desenvolvem sem a nossa interferência. Isso é de grande valor porque, antes de tudo, permite que a gente planeje com maior precisão nossos próximos passos.

Trata-se também de um momento de real repouso, pois não só desligamos a nossa participação ativa em tudo, como o fazemos de uma forma consciente, possibilitando que o nosso corpo aprenda como entrar nesse tipo de postura, assumindo-a quando bem entender. Esse aprendizado é muito importante para ativar nossa capacidade de regenerar corpo e mente.

Energeticamente, o "não-fazer" tem relação com o fluxo energético do Fígado. Para ser saudável, é preciso que ela corra livre pelos canais energéticos e meridianos, ritmo que logo se espalha por todo o organismo. Para isso, é necessário deixar a mente livre, tal como a mente de um bebê, sem preocupações com o futuro e preso em eventos do passado, somente vivendo o momento presente.

Alexandre Martin é médico especialista em acupuntura com formação em medicina chinesa e osteopatia (xan.martin@gmail.com)

Comentários

1 Comentários

  • Silvia 24/02/2023
    Muito bom este texto para mim. Pois abre a nossa mente para não fazer nada e wsta tudo bem.