Opinião

Carboidratos e o cérebro

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Os carboidratos fornecem muita energia ao nosso corpo e como nosso cérebro consome um quinto de toda essa energia, são importantíssimos tanto para nosso corpo, como para nossa mente. A principal fonte de energia do cérebro é a glicose obtida dos alimentos ricos em carboidratos, o combustível principal do sistema nervoso central.

Os principais carboidratos da nossa alimentação são o amido, a lactose, sacarose, frutose e a glicose. Os carboidratos podem ser divididos em três grupos: os açúcares, amidos e fibras. Portanto há carboidratos do "bem" e carboidratos "do mal". Os bons ou complexos, seriam as fibras, que contribuem tanto para o controle da glicose como na sensação de saciedade. Este tipo está presente em vegetais, frutas, legumes, sementes, grãos integrais como aveia e quinoa, por exemplo. Os amidos também são carboidratos complexos e atuam de forma similar às fibras. Os ruins são os simples, encontrados em doces, refrigerantes, pães, alimentos processados, açúcares em geral. Quando viram açúcar no sangue ocasionam picos de insulina e se tornarão gordura, mais tarde. O caminho para a obesidade e a doença.

Um estudo canadense mostrou que o cérebro de pessoas obesas tem prejuízos parecidos com pessoas com a doença de Alzheimer. Os cérebros dos obesos foram comparados com pessoas que sofrem de Alzheimer, e foram encontradas lesões parecidas. Portanto, para prevenir essa doença metabólica do cérebro, esse "diabetes" cerebral, é importante agir na prevenção, controlando o peso, evitando a obesidade. Essa doença é hereditária, quem tem casos na família deve se prevenir. Como? Alimentação e atividades físicas.

O excesso de carboidratos em geral, não só o açúcar, mas massas, arroz, batatas, tapioca, presentes em todas as refeições, pode ser a causa de problemas neurológicos e cognitivos. O consumo excessivo pode acarretar em acumulo de gordura, aumentando o peso corporal, além de aumentar os triglicerídeos sanguíneos, o que pode resultar no diabetes do tipo 2, além de problemas dentários, sonolência, alterar a imunidade, tudo por conta da resistência insulínica, ou seja, a resistência ao hormônio insulina, que transporta a glicose do sangue para o interior das células, ação que pode estar diminuída, fazendo com que a glicose se acumule no sangue, resultando em diabetes.

A relação de função cerebral e insulina é bem recente, foi descoberto receptores de insulina em várias áreas cerebrais, e provavelmente este órgão seja capaz de produzir este hormônio. Portanto, é possível que a resistência cerebral à insulina não produza só alterações de comportamentos alimentares e déficits cognitivos, mas, principalmente, pode atuar em problemas relacionados ao metabolismo periférico da glicose, mais uma vez acarretando em diabetes do tipo 2.

Apesar de essencial, assim como comer bem é preciso se hidratar. Eu ainda escuto muito a frase: "eu esqueço de beber água!". Como assim? Um corpo composto por mais de 70% de água necessita estar bem hidratado para funcionar bem. O nosso cérebro é composto 90% por água e gordura. Porém, dentre muitos malefícios da desidratação, a falta de água reduz a cognição, assim como o foco, a atenção e o humor. Portanto você deve beber água pensando também em manter seu cérebro hidratado.

Muitas vezes é necessária uma forcinha extra para tornar o beber água um habito, uma rotina, tem que querer ter saúde, assim como se preocupar com a alimentação e a atividade física como um fator de prevenção de doenças. Muita saúde a todos.

Liciana Rossi é educadora física (licianarossi@terra.com.br)

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