Os quatro jovens envolvidos na gravação de uma falsa situação de emergência dentro da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto, em Franca, foram ouvidos pela Polícia Civil na tarde desta terça-feira, 11. Com idades entre 18 e 20 anos, eles se apresentaram espontaneamente acompanhados de um advogado e afirmaram que não sabiam que a encenação poderia configurar crime. O caso aconteceu na noite de 5 de agosto.
Segundo o delegado Davi Abmael Davi, responsável pela investigação, a Polícia Civil trabalha inicialmente com três linhas relacionadas à conduta: perturbação dos trabalhos realizados na unidade de saúde, anúncio de alarme sobre a existência de um perigo inexistente e uma possível exposição da saúde de outras pessoas.
“Eles se apresentam hoje. Ouvimos todos. Eles justificaram que não tinham o conhecimento de cometer crimes”, disse o delegado.
Davi afirmou que, embora não tenha ocorrido uma exposição direta da saúde de terceiros, a encenação pode ter interferido no atendimento realizado pelos profissionais da UPA.
“Nós estamos trabalhando com a linha de investigação no sentido de perturbação, que atrapalha o desenvolvimento dos trabalhos na unidade de saúde. Também em anunciar um alarme da existência de um perigo inexistente e também com a hipótese de exposição da saúde de outros. Eles não expuseram diretamente, mas a cena de exposição pode ter atrapalhado o atendimento e isso vai ser investigado.”
O delegado classificou o episódio como uma “estúpida brincadeira” e afirmou que o caso será encaminhado à Justiça.
“Estamos trabalhando com essas três infrações penais, nessa estúpida brincadeira de encenação dentro de uma repartição pública de saúde, que é um lugar sério e não de brincadeira. Vamos encaminhar à Justiça para que eles sejam penalizados conforme a lei. Eles se disseram arrependidos porque não sabiam que estavam cometendo crime.”
De acordo com Davi, os envolvidos são de outros estados e se conheceram pela internet. Eles teriam viajado juntos por diferentes cidades para produzir conteúdos para as redes sociais.
O grupo alugou uma chácara em Franca, onde teria planejado a encenação. Um dos jovens é morador da cidade.
“São jovens de 18 e 20 anos, de cidades de outros estados. Se conheceram na internet e decidiram sair pelas cidades produzindo conteúdos. Eles alugaram uma chácara em Franca, onde se reuniram e inventaram a encenação.”
A gravação que deu origem à investigação mostra uma jovem sendo levada até a UPA como se estivesse passando mal. A equipe de enfermagem iniciou o atendimento, colocou a jovem em uma maca e prestou os primeiros cuidados.
Enquanto os profissionais atendiam a suposta paciente, uma das acompanhantes foi orientada a fazer o cadastro na recepção. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foi nesse momento que ela revelou que tudo fazia parte de uma “pegadinha”.
A jovem que estava na maca começou a rir e confirmou que não tinha nenhum problema de saúde. Os envolvidos foram advertidos pelos profissionais sobre a gravidade da conduta e deixaram a unidade.
Após o episódio, a Secretaria Municipal de Saúde registrou um boletim de ocorrência e informou que está reunindo relatórios dos profissionais que participaram do atendimento e imagens do sistema de segurança da UPA.
A Prefeitura repudiou a situação e afirmou que uma falsa emergência mobiliza profissionais e ocupa a estrutura de uma unidade de saúde, podendo interferir no atendimento de pacientes que realmente precisam de cuidados.