12 de março de 2026
R$ 65 BI EM DÍVIDAS

Raízen entra com pedido de recuperação judicial

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Nos últimos dias, a companhia acelerou as negociações com credores

A Raízen, empresa do setor de energia com sede em Piracicaba (SP) e uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo, protocolou na Justiça um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. O processo é considerado o maior desse tipo já realizado no Brasil.
A medida faz parte de um plano de reestruturação financeira após meses de negociações com credores. A companhia é controlada pelos grupos Cosan e Shell e atua em diversas frentes do setor energético, incluindo produção de açúcar, etanol, bioenergia e distribuição de combustíveis.
De acordo com o plano apresentado, credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras já aderiram à proposta, percentual mínimo necessário para que a empresa pudesse protocolar o pedido na Justiça.

Pressão de dívidas e corrida para evitar vencimento bilionário

A empresa também enfrentava pressão imediata sobre o caixa. Nos últimos dias, a companhia acelerou as negociações com credores para evitar o pagamento de cerca de R$ 1 bilhão em dívidas que venceriam em curto prazo.
Com o pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen busca reorganizar sua estrutura financeira e ganhar tempo para renegociar compromissos com bancos e investidores.
O plano prevê um período de suspensão temporária de pagamentos de juros e principal das dívidas incluídas no acordo, permitindo que a companhia avance nas tratativas com os credores sem comprometer suas operações.

Juros altos e cenário internacional pesaram nas contas

Entre os fatores apontados para a crise financeira estão o alto nível das taxas de juros no Brasil, que elevou o custo da dívida, além da inflação na Argentina, país onde a empresa também mantém operações. O cenário macroeconômico adverso se somou a um período de investimentos elevados realizados pela companhia nos últimos anos, pressionando o caixa e aumentando o nível de endividamento.
A empresa também registrou recentemente resultados negativos, influenciados por baixas contábeis e pela redução no desempenho de parte de seus negócios ligados ao setor sucroenergético.

Possível aporte de acionistas

Entre as alternativas discutidas para fortalecer a companhia está a possibilidade de injeção de capital pelos acionistas, incluindo novos aportes financeiros. Outra possibilidade é a conversão de parte das dívidas em participação acionária, estratégia comum em processos de reestruturação financeira para reduzir o nível de alavancagem.
Especialistas do mercado avaliam que, pelo volume envolvido e pelo número de credores, o processo deve se tornar a maior recuperação extrajudicial já registrada no país.
Apesar do processo de renegociação financeira, a empresa informou que suas operações seguem normalmente. 
A Raízen mantém unidades industriais e operações em diversas regiões do Brasil e do exterior, sendo uma das principais empresas do setor de energia renovável e biocombustíveis.