24 de fevereiro de 2026
TRAGÉDIA

‘Estávamos devagar', relata sobrevivente de tragédia em Rifaina

Por Laís Bachur | de Franca
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/ EPTV | Laís Bachur/GCN
O sobrevivente Rogério Souza e pertences das vítimas

A noite que terminou em tragédia na represa de Rifaina, no último sábado, 21, marcou para sempre a vida dos sobreviventes. Nessa segunda-feira, 23, durante velório de uma das seis vítimas do acidente com a lancha no rio Grande, em relato emocionado, Rogério Souza contou, em detalhes, como foram os momentos que antecederam o acidente de lancha que deixou seis mortos.

Segundo ele, o grupo navegava pelo rio quando percebeu que havia se desorientado. “Estávamos no meio do rio, fizemos um retorno pro lado da beirada da água (margem do rio). Fizemos esse retorno porque nos perdemos, vimos que a luz estava atrás e voltamos. Aí, viramos o barco, voltou devagarzinho”.

Rogério afirma que a visibilidade era extremamente baixa e que tentava ajudar iluminando o caminho com o próprio celular.

“Eu estava com meu celular na frente, com a luz do celular ligada, porque não estávamos enxergando direito. Então, estava tentando iluminar com o celular”.

Ele ocupava a parte da frente da embarcação quando percebeu a estrutura de madeira à frente - tarde demais para evitar o impacto.

“Eu estava na frente e, de repente, vi a estrutura de madeira. Foi onde eu gritei pra ele (Wesley Carlos da Costa, de 45 anos, piloto da lancha): ‘Vai bater’. Ele falou assim: ‘Vai bater, vai bater’. Aí pegou e bateu.”

De acordo com o sobrevivente, a lancha não estava em alta velocidade no momento da colisão. “Mas estávamos devagarzinho, foi bem devagar, tanto que o barco chegou até a parar na hora que bateu”.

Rogério acredita que, com o impacto, algo possa ter acontecido para agravar a situação. “Acho que na hora que bateu, o Wesley possa ter caído e encostado no acelerador da lancha. A lancha bateu de frente com a estrutura de madeira, aí o motor tracionou e ela levantou e tombou. Eu pulei, estava raso, tanto que fiquei de pé. Não estávamos correndo de jeito nenhum”.

Quando a lancha virou seis pessoas ficaram presas entre a embarcação e o solo da represa - o piloto Wesley, três mulheres e uma criança de 4 anos. Todos morreram.

Leia mais:
Marinha volta atrás e diz que Wesley não era habilitado

Empresário descreve resgate de vítimas da tragédia em Rifaina

Franca se despede das vítimas: 'arrancou um pedaço da família'

Seis mortes em acidente de lancha; vítimas são identificadas