Você já percebeu que, depois de assistir a um vídeo ou curtir uma publicação, as redes sociais começam a mostrar cada vez mais conteúdos parecidos? Isso acontece porque plataformas como Instagram, Facebook e TikTok utilizam algoritmos para identificar nossos interesses e escolher o que aparece na tela. Mas, durante as eleições, surge uma questão importante: até que ponto esses sistemas podem influenciar aquilo que vemos sobre os candidatos?
Como funciona o algoritmo?
De maneira simples, o algoritmo é um sistema que analisa nossas interações para tentar identificar o que queremos assistir. Se você costuma acompanhar publicações sobre determinado assunto, é natural que receba mais conteúdos relacionados a ele. O mesmo pode acontecer com temas políticos. Isso não significa, necessariamente, que a plataforma esteja favorecendo um candidato. Muitas vezes, o conteúdo aparece porque o próprio usuário demonstrou interesse naquele assunto.
E o que diz a Justiça Eleitoral?
Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu regras específicas sobre o uso de inteligência artificial e sistemas de recomendação. Uma delas determina que ferramentas de IA não podem recomendar, sugerir ou demonstrar preferência por candidatos, partidos ou campanhas, mesmo quando o próprio usuário solicita. A ferramenta pode ajudar a compreender propostas, explicar informações e apresentar dados para comparação, mas não pode escolher um candidato por você. O objetivo é evitar que a tecnologia seja utilizada para interferir indevidamente na escolha do eleitor.
Mais visualizações significam favorecimento?
Não necessariamente. Uma publicação pode alcançar mais pessoas porque recebeu mais curtidas, comentários, compartilhamentos ou porque despertou maior interesse do público. Por isso, a diferença de alcance entre dois candidatos, isoladamente, não comprova que uma rede social esteja manipulando seus resultados. Para identificar uma possível irregularidade, é necessário analisar como o sistema funciona, quais critérios foram utilizados e se houve favorecimento indevido. É nesse ponto que a análise técnica dos algoritmos e dos registros digitais pode ser importante.
E os nossos dados pessoais?
Existe outro aspecto que merece atenção: para personalizar o conteúdo, as plataformas podem utilizar informações sobre nossos hábitos, interesses e interações. Quando essas informações permitem identificar ou inferir preferências políticas, o cuidado precisa ser ainda maior. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) considera as opiniões políticas dados pessoais sensíveis, que exigem proteção especial. Isso significa que o uso dessas informações não pode ocorrer de qualquer maneira. As empresas precisam observar as regras de proteção de dados, a finalidade do tratamento e os direitos dos usuários.
Quem deve escolher é você
A tecnologia pode facilitar o acesso à informação, mas também influencia aquilo que chega até nós.
Por isso, durante as eleições, vale buscar diferentes fontes, conhecer as propostas dos candidatos e lembrar que o conteúdo apresentado pelas redes sociais não representa, necessariamente, uma visão completa da realidade. O algoritmo pode escolher o que aparece na sua tela, mas não deve escolher em quem você vai votar.