TRANSPORTE PÚBLICO

Decisão na B3: Campinas define hoje novo transporte de R$ 11 bi

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Disputa de R$ 11 bilhões será decidida nesta quinta na B3 e vai definir quem operará os ônibus da cidade pelos próximos 15 anos.
Disputa de R$ 11 bilhões será decidida nesta quinta na B3 e vai definir quem operará os ônibus da cidade pelos próximos 15 anos.

A definição do futuro do transporte coletivo de Campinas acontece nesta quinta-feira (5), às 14h, na sede da B3, em São Paulo. Na ocasião, serão abertos os envelopes com as propostas financeiras das empresas interessadas na concessão que vai operar o sistema de ônibus da cidade pelos próximos 15 anos, em um contrato estimado em R$ 11 bilhões.

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A etapa desta quinta é considerada a fase decisiva da licitação, pois revelará os valores ofertados pelos concorrentes para assumir os dois lotes do sistema. A disputa reúne seis propostas apresentadas por cinco grupos econômicos.

Participam do certame o Consórcio Andorinha, Consórcio Grande Campinas, Consórcio Mov Campinas, Consórcio VCP Mobilidade e a empresa Sancetur, que apresentou propostas para os dois lotes.

A entrega dos envelopes ocorreu na última semana na sede da B3, no centro da capital paulista. Na ocasião, foi aberto o Envelope 1, com credenciais e garantias financeiras das empresas. Os envelopes seguintes ficaram lacrados em cofre da bolsa até a sessão desta quinta-feira.

A sessão contou com a presença da comissão de licitação, representantes da Secretaria de Transportes, da Emdec, da Secretaria de Administração, da Procuradoria-Geral do Município e da imprensa. O evento também foi transmitido ao vivo pela TV B3.

Dois lotes e disputa separada

O edital divide o sistema de transporte de Campinas em dois blocos operacionais:

Lote Norte: regiões Norte, Oeste e Noroeste
Lote Sul: regiões Leste, Sul e Sudoeste

Foram registradas três propostas para cada lote, e a melhor oferta em cada bloco será declarada vencedora.

Após a abertura dos valores, a empresa mais bem classificada deverá apresentar planilha atualizada de custos. Em seguida será aberto o Envelope 3, contendo documentos de habilitação jurídica, técnica e econômico-financeira.

Se não houver impedimentos, o processo segue para homologação e assinatura do contrato.

Concessão bilionária

O contrato prevê investimentos robustos para a modernização do sistema de transporte público da cidade.

Entre os pontos previstos estão:

  • operação do transporte coletivo convencional
  • atendimento do PAI-Serviço, voltado a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida
  • gestão dos terminais urbanos e estações do BRT
  • sistemas de bilhetagem eletrônica
  • implantação de monitoramento e tecnologia embarcada

Estão previstos R$ 1,7 bilhão para renovação da frota, sendo cerca de R$ 900 milhões nos primeiros cinco anos e mais R$ 800 milhões na década seguinte.

Além disso, R$ 1,9 bilhão devem ser aplicados em tecnologia e infraestrutura do sistema.

Quem disputa o sistema


Divulgação/PMC

A concorrência reúne operadores tradicionais do transporte urbano, com atuação em várias regiões do país.

A Sancetur, ligada à família Chedid, atua em mais de 20 cidades do interior e do litoral paulista, operando sob a marca SOU, além de participar de sistemas em outros estados, como no Rio de Janeiro.

O Consórcio Mov Campinas, que disputa o Lote Norte, está ligado ao Grupo Belarmino, responsável pela VB Transportes em Campinas e pela Sambaíba na capital paulista, uma das maiores operadoras da cidade.

O Consórcio Grande Campinas reúne empresas que atuam em diferentes municípios do interior e da Grande São Paulo, incluindo operadores em Santa Bárbara d’Oeste, Marília e Suzano.

No Consórcio Andorinha, que disputa o Lote Sul, aparecem empresas como Rhema Mobilidade, New Hope e WMW, algumas delas também integrantes de outros consórcios da disputa.

Já o Consórcio VCP Mobilidade reúne empresas que já operam no sistema campineiro, como Expresso Campibus, Onicamp e Itajaí Transportes.

Processo passou por ajustes

A licitação foi retomada após ajustes solicitados pelo Tribunal de Contas, principalmente no cálculo do Fator de Utilização (FU) — índice que impacta diretamente a planilha de custos da operação.

A correção foi publicada no Diário Oficial, permitindo a retomada do cronograma.

Se não houver questionamentos ou disputas judiciais, a expectativa da prefeitura é que o novo contrato seja assinado ainda neste semestre, inaugurando um novo ciclo para o transporte coletivo da cidade.

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