A Câmara Municipal de Campinas aprovou, nesta quarta-feira (4), por 31 votos a 1, a suspensão do vereador Otto Alejandro (PL) por 45 dias, com prejuízo de vencimentos. A decisão foi tomada durante a segunda sessão ordinária de 2026 e decorre de procedimento disciplinar conduzido pela Corregedoria da Casa.
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Na mesma sessão, os vereadores também arquivaram a Comissão Processante que analisava denúncia por quebra de decoro parlamentar contra Otto Alejandro, além de rejeitarem três novos pedidos de abertura de CPs envolvendo os vereadores Otto Alejandro, Permínio Monteiro (PSB) e Vini Oliveira (Cidadania).
Suspensão disciplinar aprovada
O afastamento foi aplicado por meio do Projeto de Resolução nº 1/2026, aprovado por 31 votos favoráveis e um contrário. A proposta é resultado do Procedimento Correcional nº 01/2025, instaurado após representação apresentada por seis vereadores.
No relatório, o corregedor Carlinhos Camelô (PSB) concluiu pela existência de infração ética de elevada gravidade, apontando condutas públicas incompatíveis com os deveres do mandato e com o Código de Ética Parlamentar.
Segundo o documento, houve violação a princípios como decoro parlamentar, urbanidade, boa-fé e preservação da imagem institucional do Legislativo. A Corregedoria destacou que o processo observou o devido rito administrativo, com garantia de contraditório e ampla defesa.
Antes da votação, Otto Alejandro afirmou na tribuna que não responde a processos judiciais e disse que respeitaria a decisão do Plenário. A defesa solicitou a revisão da penalidade ou a aplicação de suspensão menor, pedido que não prosperou.
Arquivamento da Comissão Processante
Na sequência, os vereadores aprovaram, por 25 votos a 5, o arquivamento da Comissão Processante que apurava possível quebra de decoro parlamentar.
A denúncia havia sido protocolada por Adriano Vieira Novo e citava acusações de violência doméstica, ameaça, injúria, dano e um episódio envolvendo um ônibus.
O parecer aprovado concluiu que não havia suporte jurídico-fático para cassação, destacando decisões judiciais que resultaram no arquivamento de procedimentos criminais ou na extinção da punibilidade, além do princípio da independência entre as esferas penal e político-administrativa.
Novos pedidos de CP rejeitados
Ainda durante a sessão, o Plenário rejeitou três novos pedidos de instauração de Comissão Processante.
Um deles, apresentado por Maurilio Sakzenian de Souza, pedia investigação contra Vini Oliveira, citando vídeos publicados nas redes sociais com fiscalizações em unidades de saúde e abordagens a flanelinhas.
Outros dois pedidos, novamente protocolados por Adriano Vieira Novo, solicitavam CP contra Otto Alejandro — por episódios envolvendo agentes da Guarda Municipal, um motorista de ônibus e uma trabalhadora em portaria — e contra Permínio Monteiro, em razão de decisões judiciais relacionadas à condenação por improbidade administrativa no caso conhecido como “rachadinha”.
Todos os requerimentos foram arquivados por maioria do Plenário, encerrando a sessão com uma punição disciplinar aplicada, mas sem abertura de novos processos de cassação contra os parlamentares citados.