A decisão da Corregedoria da Câmara Municipal de Campinas de pedir 45 dias de suspensão do mandato de Otto Alejandro, com perda de vencimentos, não chega a surpreender. Ela vinha sendo discutida nos bastidores há semanas, amadurecida em conversas reservadas e tratada como o desfecho politicamente possível para um caso que, pelo entendimento dos membros do parlamento, já não cabia mais na moldura da cassação, mas também não podia sair sem qualquer resposta institucional.
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O que chama atenção, e aqui está o ponto central, é o timing. A punição administrativa é proposta mesmo após todas as decisões judiciais terem sido favoráveis ao vereador, com arquivamento dos inquéritos e ausência de condenações. A Justiça fechou as portas do processo criminal, mas a política decidiu manter a janela do juízo ético aberta.
À frente da Corregedoria está Carlinhos Camelô (PSB). E, goste-se ou não do resultado, o pedido de suspensão segue a lógica que se consolidou internamente: não era caso de cassação, mas também não dava para fingir que nada aconteceu. Entre o tudo e o nada, a Câmara escolheu o meio do caminho.
Pesou — e muito — a relação de Otto com os próprios pares. Nos corredores do Legislativo, o vereador não é exatamente uma figura querida, e as condutas intempestivas, carregadas de certa arrogância, foram determinantes. Os “pitis” registrados em vídeo, especialmente com Guardas Municipais em serviço, tiveram efeito corrosivo entre os colegas. Ali, Otto ultrapassou uma linha sensível.
O que vem agora é quase um roteiro protocolar. Nesta quarta-feira, o plenário deve enterrar de vez a Comissão Processante, acolhendo o entendimento de que não houve base para cassação. Em seguida, a suspensão proposta pela Corregedoria tende a ser aprovada sem grandes dificuldades, já que exige dois terços dos votos e encontra ambiente favorável entre a maioria.
A oposição, como é previsível, vai falar em “cartas marcadas”. O argumento já está pronto: no mesmo dia em que a Câmara aprovou a abertura da CP, a Corregedoria anunciou uma apuração paralela, o que acendeu alertas na bancada de esquerda sobre uma suposta manobra. Para esse grupo, o desfecho já estaria combinado desde o início.
A base rebate com outra leitura. Afirma que a investigação da Corregedoria era necessária justamente para evitar o constrangimento de um arquivamento completo, que soaria como absolvição política plena. Em outras palavras: se não dava para cassar, era preciso ao menos sinalizar limites.
E é exatamente isso que a suspensão de 45 dias representa. Não é punição exemplar, não é julgamento moral definitivo, nem muito menos redenção institucional. É um “presta atenção” formal, um recado de que certos comportamentos não passam incólumes, mesmo quando a esfera criminal não prospera.
No fundo, a Câmara tenta sair do caso sem sair ferida. Preserva o mandato, evita a cassação — sempre traumática —, mas tenta marcar ao menos uma posição diante da opinião pública. O problema é que esse tipo de solução intermediária raramente satisfaz alguém por completo. Para Otto, é punição. Para a oposição, é encenação. Para a base, é o possível.
O fato é que o caso Otto Alejandro caminha para o encerramento político, não para a absolvição simbólica. A Justiça decidiu uma coisa, a política decidiu outra — e isso, goste-se ou não, faz parte do jogo institucional brasileiro.
Ao fim, a Câmara aplica sua régua própria. Nem tudo é crime, mas nem tudo é aceitável. Entre a toga e o plenário, prevaleceu o cálculo político. Podemos discutir a dosimetria, mas vindo desse legislativo já é um avanço considerável.
A defesa de Otto

Divulgação/CMC
A defesa do vereador Otto Alejandro divulgou nota pública nesta semana para esclarecer os procedimentos em andamento na Câmara Municipal de Campinas relacionados ao mandato do parlamentar. No documento, os advogados afirmam que, até o momento, “a defesa não teve ciência formal do inteiro teor da manifestação da Corregedoria Legislativa que, segundo divulgado, teria sugerido o afastamento do parlamentar”.
Segundo a nota, não há decisão definitiva tomada, uma vez que o tema ainda será submetido à apreciação dos vereadores em plenário. De acordo com o comunicado, “não se trata de decisão definitiva, uma vez que a matéria ainda será submetida à apreciação do Plenário da Câmara Municipal”, conforme previsto na pauta oficial da 2ª Reunião Ordinária de 2026, marcada para o dia 4 de fevereiro, às 18h, no plenário da Casa.
A defesa ressalta que, nessa sessão, exercerá plenamente o direito de manifestação. O texto destaca que será a ocasião “em que a defesa exercerá plenamente seu direito de manifestação, nos termos do rito legal aplicável”.
Ainda conforme a nota, a deliberação final está prevista para a mesma data. “A deliberação final sobre o tema está, portanto, prevista para a sessão do dia 04 de fevereiro, quando os vereadores poderão analisar o caso à luz dos fatos apurados, das provas produzidas e das garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa”, diz o documento.
Os advogados afirmam confiar no funcionamento das instituições e no julgamento do plenário. A defesa sustenta estar convicta de que “os esclarecimentos já prestados demonstram a inexistência de qualquer conduta que justifique a adoção de medida extrema contra mandato legitimamente conferido pelo voto popular”.
Por fim, a nota afirma que o parlamentar seguirá colaborando com as autoridades. Segundo o texto, “o vereador permanece à disposição das autoridades competentes e seguirá colaborando ativamente para o completo esclarecimento dos fatos”.
Câmara consegue realizar sessão

Divulgação/CMC
A Câmara Municipal de Campinas conseguiu realizar, na noite desta segunda-feira (2), a primeira sessão ordinária de 2026, mesmo após enfrentar problemas técnicos provocados pelas fortes chuvas registradas no domingo (1º). A instabilidade afetou a cabine de energia do Legislativo e comprometeu temporariamente o fornecimento elétrico e os serviços de internet da Casa.
Ao longo do dia, a administração da Câmara informou que foi necessária a troca do transformador de energia, procedimento que deixou os gabinetes parlamentares temporariamente sem eletricidade. As equipes técnicas permaneceram mobilizadas durante toda a segunda-feira para garantir a segurança da intervenção e a retomada gradual dos sistemas.
Apesar das limitações, o plenário funcionou com o suporte de um gerador, o que permitiu a realização normal da reunião ordinária, conforme previsto no calendário oficial. A informação foi confirmada momentos antes do início da sessão, em nova comunicação encaminhada aos vereadores e assessores.
O episódio ocorreu justamente no retorno dos trabalhos parlamentares após o recesso, em um dia considerado simbólico para o Legislativo campineiro, que retomou as atividades para o segundo ano da legislatura.
PL convoca Débora Palermo

Reprodução/Redes Sociais
A vereadora Debora Palermo (PL) recebeu convite do Partido Liberal para disputar uma vaga de deputada estadual por São Paulo nas eleições de 2026. A articulação foi feita pela direção nacional e estadual da sigla, com participação do presidente nacional, Valdemar Costa Neto, e do presidente estadual, Tadeu Candelária.
Segundo informações do partido, a eventual pré-candidatura também conta com apoio do grupo político ligado à família Bolsonaro. A decisão final, no entanto, ainda depende das definições internas do PL e do calendário eleitoral.
Debora Palermo está em seu segundo mandato na Câmara Municipal de Campinas. Na eleição de 2024, foi reeleita com 7.690 votos, ficando na sexta colocação entre os vereadores mais votados do município.
No Legislativo campineiro, a parlamentar atua principalmente em temas relacionados à infância e adolescência, direitos das mulheres e pessoas com deficiência, áreas em que apresentou projetos ao longo dos mandatos.
Em nota, a vereadora afirmou que avalia o convite e que a eventual candidatura será discutida com o partido e aliados políticos.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.