CRISE HÍDRICA

Sanasa teme vazão crítica do Atibaia e risco ao abastecimento

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/PMC
Vazão abaixo do limite pactuado no Sistema Cantareira preocupa a Sanasa e pode comprometer a qualidade da água captada em Campinas.
Vazão abaixo do limite pactuado no Sistema Cantareira preocupa a Sanasa e pode comprometer a qualidade da água captada em Campinas.

A Sanasa Campinas emitiu um alerta aos órgãos gestores de recursos hídricos sobre a redução crítica da vazão do Rio Atibaia, no ponto de captação em Valinhos, situação que pode comprometer o abastecimento de água em Campinas. A preocupação foi exposta nesta quarta-feira (14) na 275ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico, na qual participou o diretor técnico da empresa municipal, Marco Antonio dos Santos. De acordo com a Sanasa, o volume registrado ficou abaixo do mínimo estabelecido na outorga do Sistema Cantareira, em vigor desde 2017.

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Segundo dados da Rede de Monitoramento SAISP (Sistema de Alerta a Inundações do Estado de São Paulo), a vazão mínima média diária, que deveria ser de 10 metros cúbicos por segundo, foi descumprida. No momento da medição, o fluxo do rio era de 8,41 m³/s, patamar considerado significativamente inferior ao limite acordado entre os entes gestores.

Na reunião, o documento da Sanasa destacou que o cenário é de elevada preocupação, principalmente se a condição se mantiver por mais tempo. Vazões reduzidas nesse nível afetam diretamente a qualidade da água bruta, dificultam o processo de tratamento e aumentam os riscos operacionais do sistema de abastecimento público.

No comunicado, a empresa reforça que o Rio Atibaia é o único manancial de abastecimento de Campinas, responsável por atender cerca de 1,2 milhão de consumidores, o que torna a operação do sistema estratégica e sensível para a segurança hídrica da cidade.

A manutenção prolongada de vazões abaixo do limite pactuado pode provocar, segundo a Sanasa, agravamento da qualidade da água captada, aumento dos custos e da complexidade do tratamento, maior risco de instabilidade operacional e conflitos com outros usuários do manancial, que também realizam captações no mesmo curso d’água e já relatam dificuldades recorrentes.

Diante do quadro, a Sanasa solicitou atenção prioritária da SP-Águas, da Agência Nacional de Águas (ANA) e dos Comitês PCJ, para a verificação das condições operacionais do Sistema Cantareira e o restabelecimento do cumprimento da vazão mínima, como forma de reduzir riscos à segurança hídrica regional e garantir a continuidade do abastecimento público.

Nota da Sanasa

A Sanasa esclarece que Campinas não apresenta restrições no fornecimento de água para a sua população. A empresa trabalhou especialmente entre 2021 e 2024, para implementar o Plano Campinas 2030, cujo objetivo é ampliar a segurança hídrica de Campinas e preparar a cidade para o cenário das mudanças climáticas. O plano construiu e entregou 20 novos reservatórios que aumentaram a capacidade de reservação em 54 milhões de litros, saindo de 142 milhões para 196 milhões. 

Também foi executada a troca de 473 km de redes de água antigas por novas, fabricadas em polietileno de alta densidade, com durabilidade superior a 50 anos. As obras foram executadas em mais de 90 bairros. Essa ação faz parte do Programa de Redução de Perdas, que integra o Plano Campinas 2030, iniciado em 1994 e que até 2020 trocou 450 km. No quadriênio 2021-2024, a Sanasa substituiu mais redes do que a quantidade trocada nos 27 anos anteriores, fazendo com que a retirada de água dos rios seja menor. De 1994 a 2024, deixou-se de captar 669 bilhões de litros de água dos rios para abastecer a cidade, promovendo a vitalidade da bacia hidrográfica. O Programa de Redução de Perdas também fez com que o índice de perdas na distribuição chegasse a atuais 16,62%, um dos mais baixos do Brasil. 

Ainda como parte do Plano Campinas 2030, estão sendo elaborados projetos para a construção de um novo sistema de água, o Sistema Produtor Campinas-Jaguari, que será formado por uma unidade de captação de água bruta na represa de Pedreira para retirar 2 mil litros de água por segundo; uma estação elevatória de água bruta para bombear 2 mil litros por segundo; uma adutora de água bruta com 7 km de extensão e 1 metro de diâmetro e uma estação de tratamento de água com capacidade para tratar 2 mil litros por segundo. O sistema terá ainda uma subadutora de água tratada com 16 km de extensão e 1 metro de diâmetro que será interligada ao macrossistema de abastecimento da cidade.

Como se vê, a Sanasa tem atuado com planejamento para garantir o abastecimento de água para a cidade para os próximos anos. 

Quanto à vazão do ponto de captação de Valinhos, a outorga estabelece a passagem de 10m³/segundo para atender Campinas e as cidades da região. A gestão da vazão é realizada pela ANA e pela SP-Águas, que podem dar explicações sobre o volume que passa pelo local. A Sanasa contribui prestando assessoria técnica à Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico e nessa condição recomendou fortemente que os órgãos gestores cumpram com a vazão mínima pactuada em 2017, referente ao Sistema Cantareira.

Comentários

1 Comentários

  • Marcelo 18/01/2026
    NINGUEM AGUENTA O PREÇO CARO DA ÁGUA EM CAMPINAS, FALAM EM FALTA MAS NÃO PARA DE CHOVER, FACAM A CAPTAÇÃO DESSA ÁGUA AO INVÉS DE AUMENTAR TANTO O PREÇO.