O aumento da violência alterou significativamente o cenário de uma das principais cidades do Estado de São Paulo: o comércio encolheu, e os moradores que frequentam o centro de Campinas estão com medo. Segundo a Secretaria de Segurança de Campinas, houve um aumento de 21% no número de ocorrências atendidas pela Guarda Municipal (GM).
"Eu evito vir aqui. Tenho medo. Ando com sacolas e bolsa na frente para me proteger", contou Marli Aparecida Mendes, manicure.
A insegurança de quem transita na região central não é exagerada e se reflete nas estatísticas. Segundo a Secretaria de Segurança de Campinas, houve um aumento de 21,20% no número de atendimentos realizados pela Guarda Municipal de janeiro a julho de 2024, em comparação com o mesmo período de 2023.
Nos primeiros sete meses deste ano, foram 36.501 atendimentos, enquanto no mesmo período do ano passado foram 30.115. O raio-x da segurança pública revela a preocupação de quem precisa trabalhar.
A loja onde Tamara trabalha já foi invadida diversas vezes por criminosos, incluindo moradores de rua. "Eu trabalho no centro há mais de dez anos, mas agora tem muitos moradores de rua. Tem muito assalto, andarilhos que vêm, entram e fazem o que querem dentro da loja", explicou Tamara Campos dos Santos, atendente.
Ela também relatou medo de ameaças. "Eles andam com facas, e a gente tem que correr para não ser atacados, esfaqueados. É muito perigoso", completou a atendente.
Pessoas em situação de rua
A crescente população em situação de rua é mais um desafio. O número subiu de 932 em 2021 para 1,3 mil, o que acarreta preocupações para autoridades, comerciantes e residentes.
"Eles precisam de cuidado porque ficam espalhados pela rua. Além do cheiro de xixi, alguns vêm atrás da gente. Dá medo porque, às vezes, pode ser um bandido", disse Deusdete da Costa Sampaio, dona de casa.
Se durante o dia já é assustador andar pelas ruas do centro, à noite a situação é ainda pior. "Na hora de ir embora, fico bastante preocupada. Ando apressada, vou para o terminal com o celular bem guardado na minha bolsa. Nem carrego muitas coisas por medo", contou Marciene da Silva Bastos, vendedora.
É exatamente à noite que as ocorrências aumentam. De janeiro a julho deste ano, foram 14.361 registros, contra 11.914 no ano passado, um crescimento de 20,54%.
As ações da prefeitura
O secretário municipal de Segurança Pública, Christiano Biggi, atribuiu o aumento nos registros de ocorrências à maior atuação dos agentes da Guarda. "Contratamos 155 guardas municipais em menos de um ano, substituímos a frota de viaturas, adquirimos novos equipamentos para os guardas, além do investimento em tecnologias de inteligência e no uso racional de recursos a partir da implantação do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), um novo modelo de integração entre as forças de segurança. Tudo isso reflete em uma melhor produtividade da Guarda Municipal, resultando também em melhorias no atendimento ao cidadão campineiro", avaliou o secretário.