ANIVERSÁRIO

De 185 a 1,1 milhão de pessoas: conheça a história da metrópole Campinas

Por Thiago Rovêdo | Especial para Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Vista aérea de Campinas
Vista aérea de Campinas

Campinas completa nesta sexta-feira, 14, 249 anos de vida. A cidade, que começou com um bairro de 185 moradores, hoje conta com 1.138.309 habitantes, é oficialmente uma metrópole e a 14ª maior cidade do Brasil. A história começa há cerca de 260 anos, como um bairro rural da Vila de Jundiaí.

A origem do povoamento de Campinas está ligada à abertura dos caminhos para o sertão de Goiás e Mato Grosso, feita pelos paulistas do Planalto do Piratininga. Uma dessas trilha abertas entre 1721 e 1730, chamou-se Caminhos dos Goiases ou Estrada dos Goiases, próximo de onde é hoje a Avenida Norte-Sul.

Com o tempo, instalou-se ali um pouso que passou a ser chamado de Campinas do Mato Grosso. O nome Campinas se deve a formação de três pequenos descampados (ou campinhos ou campinas) no meio de uma ainda densa Mata Atlântica, hoje restrita a alguns pequenos trechos das serras do litoral.

O pouso das Campinas do Mato Grosso impulsionou o desenvolvimento de várias atividades de abastecimento e promoveu uma maior concentração populacional, reunindo-se neste bairro rural em 1767, 185 pessoas.

O bairro rural do Mato Grosso se fez transformado em Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso (1774); depois, em Vila de São Carlos (1797), e em Cidade de Campinas (1842); período no qual as plantações de café já suplantavam as lavouras de cana e dominavam a paisagem da região.

Campinas é talvez uma das poucas cidades que tenha um fundador nomeado. O povoado foi fundado no dia 14 de julho de 1774, quando Frei Antônio de Pádua rezou a primeira missa num barracão improvisado, supostamente localizado na Praça Bento Quirino, onde está hoje o túmulo do maestro Carlos Gomes.

A economia regional foi marcada inicialmente pela lavoura canavieira e a industria açucareira, com uso significativo de mão de obra escrava. A economia passou, gradativa, da monocultura cafeeira no inicio do século XIX. Em 1830, o café já estava consolidado na região, de modo que em 1854 havia em Campinas 117 fazendas com a produção anual de trezentas mil arrobas de café.

Com o fim do regime de escravidão e chegada dos imigrantes europeus a mão de obra começa lentamente a ser substituída nas fazendas chegam as ferrovias, a partir de 1870 e o capital inglês começa a ser investido em vários projetos desenvolvimentistas.

Os cafezais, por sua vez, nasceram do interior das fazendas de cana, impulsionando em pouco tempo um novo ciclo de desenvolvimento da cidade. A partir da economia cafeeira, Campinas passou a concentrar um grande contingente de trabalhadores escravizados e livres (de diferentes procedências), empregados em plantações e em atividades produtivas rurais e urbanas.

No mesmo percurso, a cidade passou a concentrar uma população mais significativa, constituída de migrantes e imigrantes procedentes das mais diversas regiões do Estado, do país e do mundo, e que chegavam à Campinas atraídos pela instalação de um novo parque produtivo (composto de fábricas, agro-indústrias e estabelecimentos diversos).

Entre as décadas de 1930 e 1940, portanto, a cidade de Campinas passou a vivenciar um novo momento histórico, marcado pela migração e pela multiplicação de bairros nas proximidades das fábricas, dos estabelecimentos e das grandes rodovias em implantação - Via Anhanguera, (1948), Rodovia Bandeirantes (1979) e Rodovia Santos Dumont, (década de 1980).

Estes novos bairros, implantados originalmente sem infra-estrutura urbana, conquistaram uma melhor condição de urbanização entre as décadas de 1950 a 1990, ao mesmo tempo em que o território da cidade aumentava 15 vezes e sua população, cerca de 5 vezes. De maneira especial, entre as décadas de 1970/1980, os fluxos migratórios levaram a população a praticamente duplicar de tamanho.

Aos poucos, apesar de ser uma sociedade conservadora devido a monocultura, ao patriarcalismo e a escravidão, o acumulo de capital gerado pela agricultura desenvolveu o setor terciário (comercio e finanças ) criando a infra-estrutura capaz de organizar o crescimento industrial a partir do final do século XIX.

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