OPINIÃO

Turismo em Botucatu: o que vai bem e o que precisa melhorar

Por Anderson França | Observatório do Turismo de Botucatu / Secretaria de Turismo
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Vista aérea de Botucatu com igreja em primeiro plano.
Vista aérea de Botucatu com igreja em primeiro plano.

Os números do turismo divulgados nesta semana trazem uma boa notícia para Botucatu. Mostram uma cidade cada vez mais procurada, com um setor que cresce, emprega e movimenta a economia local. Mas mostram também que há um caminho a percorrer para que esse bom momento se transforme em desenvolvimento duradouro. É sobre esse equilíbrio, entre o que merece ser reconhecido e o que ainda precisa melhorar, que trata a coluna deste domingo.

Comecemos pelo que vai bem. Segundo o Observatório do Turismo de Botucatu, hospedagem, agências de viagens e guias movimentaram R$ 23,5 milhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 12,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A ocupação dos hotéis monitorados saiu de 40% em janeiro e passou de 62% em maio e junho. O setor fechou o semestre com 2.008 trabalhadores com carteira assinada, cerca de 4% dos empregos formais da cidade. Ter um observatório que mede esses dados, aliás, já é um avanço: sem números, não há como planejar.

E o impacto real é maior do que a cifra oficial. O levantamento cobre apenas as atividades monitoradas, deixando de fora restaurantes, comércio, postos de combustível e tantos pequenos negócios que sentem o movimento do fim de semana. É nessa ponta que o turismo faz diferença na vida da cidade: no dinheiro que circula e no emprego que se cria.

Os mesmos números, porém, mostram que há espaço para crescer. Uma ocupação de pouco mais de 60% significa que, em boa parte das noites, quase quatro em cada dez quartos ficam vazios. A Cachoeira da Marta, com mais de 14 mil visitas no semestre, segue como o atrativo mais procurado entre os monitorados, e eventos como o Brasil Ride, que trouxe visitantes de vários estados, provam o poder de atração da cidade. O desafio é fazer esse visitante ficar mais tempo, gastar mais e voltar.

Para isso, a estrutura precisa acompanhar a procura. Nesta semana, a Secretaria de Turismo anunciou que as obras do Véu da Noiva terão investimento de R$ 4 milhões. A topografia está em andamento, e as próximas etapas incluem restaurante, banheiros e, mais adiante, tobogã e pergolado. É uma notícia positiva para um espaço que esperou muito tempo por atenção. 

Do governo do Estado, a notícia é mista. Depois de dois anos sem repasses para o turismo, período em que o Estado revisou a prestação de contas das obras financiadas pelo Dadetur, Botucatu voltou a receber recursos: R$ 2,5 milhões neste ano. É bom que a verba tenha voltado, e a exigência de controle sobre o dinheiro público é legítima. Mas o valor está bem abaixo da média de R$ 7 milhões anuais que, segundo a própria secretaria municipal, era esperada para a cidade. Com a lei do Dadetur em revisão, cabe à prefeitura, aos vereadores e aos deputados da região defender que Botucatu receba à altura do que entrega.

Há ainda uma parte da conta que não depende de governo nenhum. Não é raro encontrar lixo deixado em trilhas, mirantes, cachoeiras e beiras de estrada. Garrafas, sacolas e restos de comida descartados justamente nos lugares que atraem o visitante. É falta de respeito com a natureza, com os moradores e com quem vem de longe para conhecer essas paisagens. Ao poder público cabe fiscalizar, instalar lixeiras e manter a limpeza. A cada um de nós cabe não sujar.

Outros pontos também merecem atenção: sinalização turística mais clara, acessos em boas condições e informação de qualidade ao visitante. São detalhes que parecem pequenos, mas que decidem se o turista recomenda a cidade ou não.

Botucatu tem natureza, história, eventos e números que comprovam seu potencial. O crescimento merece ser reconhecido, e quem trabalha no setor merece crédito por ele. Mas reconhecer o avanço não significa dar o trabalho por encerrado. Investimento com prazo, repasse à altura e uma cidade cuidada por todos: é isso que vai definir se o bom semestre de 2026 será lembrado como exceção ou como começo.

E você, botucatuense, sente o turismo movimentando a cidade? Acredita que as obras do Véu da Noiva serão entregues no tempo certo? E o que ainda falta para Botucatu receber cada vez melhor quem vem de fora?

Que Botucatu esteja pronta para abrir as portas a quem chega, venha de onde vier. Que saiba dizer bem-vindo, welcome, bienvenido, bienvenue, willkommen, sem improviso, sem constrangimento e sem passar vergonha por falta de preparo ou uma estrutura digna de uma cidade turística. Que o visitante encontre informação, estrutura, limpeza e gente disposta a recebê-lo bem. Porque ser estância turística não é apenas um título na placa da entrada da cidade. É vestir a camisa, todos os dias, com orgulho e com vontade de ser, de fato, uma cidade que acolhe o mundo.

Tenho dito.

Anderson França

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