Os números do turismo divulgados nesta semana trazem uma boa notícia para Botucatu. Mostram uma cidade cada vez mais procurada, com um setor que cresce, emprega e movimenta a economia local. Mas mostram também que há um caminho a percorrer para que esse bom momento se transforme em desenvolvimento duradouro. É sobre esse equilíbrio, entre o que merece ser reconhecido e o que ainda precisa melhorar, que trata a coluna deste domingo.
Comecemos pelo que vai bem. Segundo o Observatório do Turismo de Botucatu, hospedagem, agências de viagens e guias movimentaram R$ 23,5 milhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 12,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A ocupação dos hotéis monitorados saiu de 40% em janeiro e passou de 62% em maio e junho. O setor fechou o semestre com 2.008 trabalhadores com carteira assinada, cerca de 4% dos empregos formais da cidade. Ter um observatório que mede esses dados, aliás, já é um avanço: sem números, não há como planejar.
E o impacto real é maior do que a cifra oficial. O levantamento cobre apenas as atividades monitoradas, deixando de fora restaurantes, comércio, postos de combustível e tantos pequenos negócios que sentem o movimento do fim de semana. É nessa ponta que o turismo faz diferença na vida da cidade: no dinheiro que circula e no emprego que se cria.
Os mesmos números, porém, mostram que há espaço para crescer. Uma ocupação de pouco mais de 60% significa que, em boa parte das noites, quase quatro em cada dez quartos ficam vazios. A Cachoeira da Marta, com mais de 14 mil visitas no semestre, segue como o atrativo mais procurado entre os monitorados, e eventos como o Brasil Ride, que trouxe visitantes de vários estados, provam o poder de atração da cidade. O desafio é fazer esse visitante ficar mais tempo, gastar mais e voltar.
Para isso, a estrutura precisa acompanhar a procura. Nesta semana, a Secretaria de Turismo anunciou que as obras do Véu da Noiva terão investimento de R$ 4 milhões. A topografia está em andamento, e as próximas etapas incluem restaurante, banheiros e, mais adiante, tobogã e pergolado. É uma notícia positiva para um espaço que esperou muito tempo por atenção.
Do governo do Estado, a notícia é mista. Depois de dois anos sem repasses para o turismo, período em que o Estado revisou a prestação de contas das obras financiadas pelo Dadetur, Botucatu voltou a receber recursos: R$ 2,5 milhões neste ano. É bom que a verba tenha voltado, e a exigência de controle sobre o dinheiro público é legítima. Mas o valor está bem abaixo da média de R$ 7 milhões anuais que, segundo a própria secretaria municipal, era esperada para a cidade. Com a lei do Dadetur em revisão, cabe à prefeitura, aos vereadores e aos deputados da região defender que Botucatu receba à altura do que entrega.
Há ainda uma parte da conta que não depende de governo nenhum. Não é raro encontrar lixo deixado em trilhas, mirantes, cachoeiras e beiras de estrada. Garrafas, sacolas e restos de comida descartados justamente nos lugares que atraem o visitante. É falta de respeito com a natureza, com os moradores e com quem vem de longe para conhecer essas paisagens. Ao poder público cabe fiscalizar, instalar lixeiras e manter a limpeza. A cada um de nós cabe não sujar.
Outros pontos também merecem atenção: sinalização turística mais clara, acessos em boas condições e informação de qualidade ao visitante. São detalhes que parecem pequenos, mas que decidem se o turista recomenda a cidade ou não.
Botucatu tem natureza, história, eventos e números que comprovam seu potencial. O crescimento merece ser reconhecido, e quem trabalha no setor merece crédito por ele. Mas reconhecer o avanço não significa dar o trabalho por encerrado. Investimento com prazo, repasse à altura e uma cidade cuidada por todos: é isso que vai definir se o bom semestre de 2026 será lembrado como exceção ou como começo.
E você, botucatuense, sente o turismo movimentando a cidade? Acredita que as obras do Véu da Noiva serão entregues no tempo certo? E o que ainda falta para Botucatu receber cada vez melhor quem vem de fora?
Que Botucatu esteja pronta para abrir as portas a quem chega, venha de onde vier. Que saiba dizer bem-vindo, welcome, bienvenido, bienvenue, willkommen, sem improviso, sem constrangimento e sem passar vergonha por falta de preparo ou uma estrutura digna de uma cidade turística. Que o visitante encontre informação, estrutura, limpeza e gente disposta a recebê-lo bem. Porque ser estância turística não é apenas um título na placa da entrada da cidade. É vestir a camisa, todos os dias, com orgulho e com vontade de ser, de fato, uma cidade que acolhe o mundo.
Tenho dito.
Anderson França