REAJUSTE

Pedido ao MP cancela o aumento dos vereadores? Entenda como fica

Por Redação | Anderson França
| Tempo de leitura: 3 min
População durante manifestação no plenário da Câmara.
População durante manifestação no plenário da Câmara.

Um grupo que se apresenta como "cidadãos de Botucatu" apresentou ao Ministério Público (MP), nesta terça-feira (20), uma representação para que seja investigado o aumento de cerca de 82% nos subsídios dos vereadores, aprovado pela Câmara Municipal na sessão de segunda-feira (19). O documento é dirigido à Promotoria de Patrimônio Público da Comarca de Botucatu e foi tema de matéria publicada ontem no de botuca. Leia a matéria sobre

Segundo o texto, a votação teria ocorrido sem audiência pública prévia e sem estudo de impacto orçamentário e financeiro, o que, na avaliação dos signatários, violaria a Lei de Responsabilidade Fiscal e os princípios da moralidade e da razoabilidade. Eles pedem a abertura de um inquérito civil e, ainda, que o MP recomende ou peça à Justiça a suspensão dos efeitos da medida. O documento também cita a criação de um 13º subsídio, ponto que o de botuca ainda confirma.

Diante disso, muita gente passou a achar que o aumento será proibido. Não é bem assim, e vamos explicar, passo a passo, o que acontece agora.

Entenda o caso

O que existe é uma representação: um pedido que qualquer cidadão pode fazer ao Ministério Público para que ele apure uma suspeita de irregularidade. É o primeiro passo, e não uma decisão.

O inquérito civil é uma investigação, uma fase anterior a um processo na Justiça. Nela, o MP apura se houve violação da lei, da Constituição ou de outra norma. O inquérito, sozinho, não tem poder de barrar o aumento.

O Ministério Público também não é obrigado a abrir o inquérito. Ele analisa a representação e decide se instaura ou não a investigação.

Os três caminhos possíveis

Ao final da investigação, o MP pode seguir por três caminhos:

1. Arquivar o caso. Isso acontece se o MP entender que não houve violação da lei, e o aumento segue valendo.

2. Firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). É um acordo em que o MP se reúne com a parte que, em tese, desrespeitou a lei, e as duas combinam uma correção. Em tese, esse caminho existe, mas é considerado pouco provável neste caso.

3. Ajuizar uma ação. Se concluir que a lei foi violada, o MP pode entrar na Justiça com uma ação civil pública e pedir a suspensão do aumento. Nesse caso, a decisão passa a ser do Judiciário.

Em resumo, o pedido ao MP não suspende o reajuste e não garante que haverá investigação ou processo. Só uma decisão da Justiça, provocada pelo Ministério Público, poderia suspender o aumento.

O contexto

Na sessão de 19 de outubro, a Câmara aprovou o reajuste dos subsídios dos vereadores de R$ 5.813,97 para R$ 10.600 (82,32%), e o do presidente, de R$ 7.399,60 para R$ 13.600. Os valores valem para a legislatura de 2029 a 2032, e a votação terminou em 7 a 3. A sessão foi marcada por protesto de moradores no plenário, e a proposta de emenda à Lei Orgânica que ampliaria o número de vereadores de 11 para 17 foi retirada de pauta.

Continuaremos de olho, acompanhando o caso para manter você informado, passo a passo, conforme surgirem novas informações e novas movimentações nesse processo.

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