A decisão de retirar 52 bancas comerciais de áreas históricas do Centro de Campinas ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, com o apoio formal de entidades representativas do setor produtivo e da sociedade civil.
Organizações como ACIC, Ciesp, Sindivarejista, CDL e Sindilojas, entre outras, divulgaram uma moção conjunta em defesa da medida adotada pelo Condepacc, que determinou a retirada das estruturas instaladas em áreas tombadas.
No documento, as entidades reforçam a importância da preservação urbana. “Reconhecemos a relevância da preservação do patrimônio histórico, cultural e urbanístico da cidade, nos termos da legislação vigente, como instrumento essencial à valorização da identidade local e ao desenvolvimento urbano sustentável”, destaca o texto.
Apesar do apoio à retirada, o posicionamento também cobra negociação com os trabalhadores impactados. “As entidades signatárias ressaltam a importância de que o processo de implementação das referidas medidas seja conduzido com diálogo permanente e construtivo entre o Poder Público e os permissionários envolvidos, de modo a viabilizar soluções equilibradas”, afirma a nota.
O grupo também defende a construção de alternativas para garantir a continuidade das atividades econômicas. “Defendemos a construção conjunta de alternativas que possibilitem a realocação adequada dos permissionários, assegurando-lhes condições dignas para o exercício de suas atividades econômicas”, completa o documento.
Divulgação/CMC
A manifestação das entidades ocorre em meio a um ambiente de tensão política. A retirada das bancas provocou reação imediata dos permissionários, que ocuparam o plenário da Câmara Municipal de Campinas e conseguiram apoio unânime dos vereadores.
O embate expôs uma contradição dentro da própria administração pública. As bancas foram autorizadas e regulamentadas ao longo dos anos, mas agora passam a ser consideradas irregulares por ocuparem áreas protegidas.
A medida atinge pontos simbólicos do Centro, como o Largo do Rosário, a Praça Carlos Gomes, a Praça Rui Barbosa, a Praça Bento Quirino e o Largo do Pará, locais historicamente associados ao comércio popular e à circulação de pessoas.