02 de fevereiro de 2026
FIM DA ESCALA 6X1

Jornada sem 6X1: o que muda para quem trabalha 8 horas

Por Da Redação |
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O que muda para profissionais que cumprem jornadas diárias de oito horas?

A possível extinção da escala 6×1 voltou a ganhar força no Congresso Nacional e reacendeu o debate sobre a reorganização do tempo de trabalho no Brasil, especialmente entre profissionais que cumprem jornadas diárias de oito horas.

Em discussão no Legislativo, a proposta pretende alterar o modelo atual de distribuição da carga horária semanal, preservando os salários e ampliando os períodos de descanso, com impacto direto em setores que tradicionalmente adotam a escala de seis dias trabalhados para um de folga.

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Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho permite jornadas de até oito horas por dia, limitadas a 44 horas semanais. Essa configuração sustenta a escala 6×1, bastante difundida em áreas como comércio, indústria e serviços essenciais, nas quais o descanso semanal costuma ocorrer em regime de revezamento.

O texto em análise propõe a eliminação gradual desse formato e estabelece o direito a dois dias de descanso por semana. Para isso, prevê uma redução progressiva da carga horária semanal, inicialmente de 44 para 40 horas, com possibilidade futura de chegar a 36 horas, sempre sem diminuição salarial e com respeito às negociações coletivas.

Para trabalhadores que já cumprem oito horas diárias, a transição inicial tende a ser menos complexa. A adoção de uma semana de cinco dias com oito horas por jornada totaliza 40 horas semanais, prática comum em empresas do setor administrativo e em parte do setor privado.

Em uma etapa posterior, com a eventual redução para 36 horas semanais, será necessária nova reorganização. Entre as alternativas estão a diminuição da carga diária ou a manutenção das oito horas com a concessão de folgas adicionais em determinados períodos, conforme acordos firmados entre empregadores e sindicatos.

Na prática, isso pode significar jornadas próximas de sete horas e doze minutos ao longo de cinco dias ou escalas diferenciadas que preservem o limite semanal. A proposta não estabelece um único modelo obrigatório, mas fixa parâmetros máximos de trabalho e assegura dois dias de descanso semanal.

Especialistas em relações trabalhistas destacam que o fim da escala 6×1 pode resultar em avanços significativos na qualidade de vida, com redução do cansaço físico e mental, além de mais tempo para lazer, estudos e convivência familiar.

Por outro lado, atividades que operam de forma contínua, como hospitais, indústrias e parte do comércio, deverão adaptar suas escalas, o que pode envolver redistribuição de turnos ou contratação de novos profissionais para garantir a manutenção dos serviços.

O projeto ainda precisa passar pelas votações na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Caso seja aprovado, a implementação ocorrerá de forma gradual, mas poderá representar uma das mudanças mais relevantes na organização do trabalho no país, com efeitos diretos sobre milhões de brasileiros que hoje trabalham oito horas por dia.