COLUNISTA

Depois das urnas: onde repousa a verdadeira esperança


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Encerrada a apuração, o Brasil amanheceu dividido: uma parte celebra, outra protesta com indignação. O pleito de 2026 ficará marcado por fatos sem precedentes. Pela primeira vez, quem terminou o primeiro turno em segundo lugar saiu vitorioso na etapa final. Também de modo inédito, o horário de votação foi estendido por decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin, tomada em caráter liminar, sem passar pelo plenário do STF antes de valer. Passado o barulho, resta uma pergunta que vale tanto para quem festeja quanto para quem lamenta: em quem afinal depositamos nossa esperança?

A resposta das Escrituras é direta: "Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação" (Sl 146.3). Partidos, tribunais e instituições têm seu lugar, mas todos são feitos de pó. O salmista lembra que, quando o fôlego do homem se vai, seus planos morrem com ele (Sl 146.4). Só o Senhor permanece. Euforia e alegria são coisas muito diferentes. A euforia é fogo de palha: acende numa noite de vitória e se apaga com a primeira notícia ruim. A alegria que vem de Deus é de outra natureza: "na tua presença há plenitude de alegria" (Sl 16.11). Quem celebra sem Cristo verá, cedo ou tarde, a festa virar lamento, pois "até no riso o coração sente dor" (Pv 14.13).

João Calvino observou nas Institutas que o coração humano é uma fábrica permanente de ídolos. Em época de eleição, essa fábrica trabalha dobrado: transformando candidatos em ídolos e adversários em demônios. Quando o ídolo vence, o orgulho se infla. Quando perde, a alma desaba. Nenhuma das duas reações nasce da fé.

Quem chora tendo a vida firmada em Cristo atravessa uma tristeza passageira. É a dor comum desta terra, que todos enfrentam. Mas o cristão tem uma promessa: "Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã" (Sl 30.5). Paulo chama nossos sofrimentos de "leve e momentânea tribulação" diante de um "eterno peso de glória" (2Co 4.17). E Deus mesmo enxugará dos olhos toda lágrima (Ap 21.4). Charles Spurgeon, pregador batista de convicção calvinista que conheceu de perto a depressão, dizia ter aprendido a beijar a onda que o lançava contra a Rocha Eterna. Essa é a lógica do Evangelho: até a frustração pode nos empurrar para mais perto de Deus.

Pior que perder uma eleição é viver sem a graça de Deus. A alma afastada do Criador experimenta, já nesta vida, uma antecipação do inferno: um vazio que nenhum resultado preenche, ainda que cercado de gritos de comemoração. Jesus perguntou: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8.36). Quem parte desta vida sem o Cristo ressurreto perde tudo, e para sempre. O Breve Catecismo de Westminster resume o propósito da existência: glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre. Fora disso, toda conquista é provisória.

O verdadeiro cristão não confia em políticos de lado nenhum, nem em magistrados poderosos, nem em estruturas humanas. Tudo isso cai e passa. Cremos naquele que "remove reis e estabelece reis" (Dn 2.21), diante de quem as nações são como uma gota que cai de um balde (Is 40.15). O coração do rei está na mão do Senhor (Pv 21.1). Abraham Kuyper, teólogo reformado e ex-primeiro-ministro da Holanda, afirmou que não há um centímetro sequer da existência humana sobre o qual Cristo não declare: "É meu!". Isso inclui o Planalto, o Congresso e os tribunais. Por isso o crente não foge da vida pública, mas também não faz dela um ídolo.

Ganhando ou perdendo o que fazer agora? Primeiro, orar. Paulo manda interceder "por todos os que estão investidos de autoridade" (1Tm 2.1-2) para que governem com justiça, inclusive por quem não recebeu nosso voto. Depois, clamar pela misericórdia de Deus sobre o Brasil, para que Ele cure esta terra da impunidade, da violência, da corrupção e da injustiça (2Cr 7.14). As Escrituras ensinam que "a justiça exalta as nações" (Pv 14.34) e que, quando os justos governam, o povo se alegra (Pv 29.2). Que pessoas íntegras ocupem os lugares de decisão e que as famílias temam ao Senhor. E que, vencedores ou vencidos, aprendamos a dizer com o salmista: "Uns confiam em carros, outros em cavalos; nós, porém, faremos menção do nome do Senhor, nosso Deus" (Sl 20.7).

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