OPINIÃO

Para a maioria silenciosa

Por Claudia Zogheib |
| Tempo de leitura: 2 min

Amanhã (domingo - 25) votaremos no segundo turno, isto vai definir quem será o presidente. Existe uma apreensão coletiva que foi instaurada pela maneira como a campanha transcorreu, realizada muito mais pelos sintomas e defesas do que por trocas respeitosas e justas, transparência, como cada candidato se articulou, ambos são muito diferentes. O rinque de ataques transcorreu indigno, desviando a possibilidade da população receber informações verificadas. Tudo virou um palanque de defesas e sintomas, cansativo.

Diante de um cenário assustador, onde o ataque funcionou como desvio de performance difusa, passamos de um fim de dúvidas para um início de incertezas, quatro anos nos espera. E seja quem for o vencedor, o plenário é desanimador, que vença a democracia, a inclusão, os direitos humanos, a solidariedade, a cultura, o amor, a partilha, o respeito, a comunhão. O amor nos convida a uma auto percepção imediata de nós mesmos e do que oferecemos ao outro, e nos ajuda a repensar escolhas, principalmente o que nosso voto implica na vida da maioria.

Esta é a grande virada de chave, pensar no coletivo, desejando o melhor para o maior número de pessoas, que invariavelmente, nos ajudaria a ter qualidade de vida. Se o outro não tem, a minha vida é afetada. Inversamente, se o outro melhora de vida, ganhamos. Tudo não está circunscrito a partido político, mas a identidade como investimento de uma humanização na sociedade que queremos. E seja por qual método for - religioso, científico, político, quando sem efeito de confusões e distorções, a vida se torna um lugar melhor para todos, pautada no respeito e consciência de direito e dever que é sustentado pela verdade e transparência e a partir do conhecimento histórico e ético.

Eu espero que cada um possa enxergar em meio aos defeitos crônicos atuais o que é inaceitável, intransferível e sobretudo que nosso país não pode ser vendido como mercadoria barata ao acaso e como meio de riqueza da minoria. O cenário não é fácil, mas ele só poderá ser elevado se as pessoas conseguirem pensar em qual proposta de vida desejam para si, e
ao praticá-las, deem sua resposta nas urnas. Que vença o amor manifesto em respeito, solidariedade, para além de todas as aberrações que estamos vivendo, sintomas, e que possamos aceitar o resultado com respeito ao exercício da democracia, sem extremismos. O mundo precisa de amor, porque nesta lógica, somos convidados a enxergar longe. E para a maioria silenciosa, deem sua resposta nas urnas. Música “Aquarela do Brasil”, com João Gilberto.

A autora é psicanalista, especialista pela USP – Departamento de Psicologia, Psicóloga Clínica formada pela USC, responsável pelas páginas @zogheibclaudia, @cinemaeartenodiva, @livros.no.diva, @auguri_humanamente 

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