As medidas populistas anunciadas por ambos os candidatos à Presidência somente demostram a fragilidade da nossa democracia. Somadas, vão custar centenas de bilhões de reais, sem que ao menos se aponte as fontes de financiamento. No conceito clássico da Ciência Política, o estadista é aquele que lidera com sabedoria, visão de longo prazo e foco nos interesses coletivos da nação, acima de interesses partidários ou eleitorais imediatos.
Com tantos pacotes de bondades e promessas ouvidas na campanha do segundo turno, ficaremos longe de eleger um presidente dos sonhos. Lula anuncia uma série de benefícios para os 17,6 milhões de microempreendedores, como o perdão de dívidas tributárias e transferências anuais, via pix, de 5 mil reais por CNPJ, sabe-se lá com quais critérios. Vai depender do Congresso, mas a iniciativa do governo sempre encontra respaldo com a liberação de emendas orçamentárias, o que torna o populismo ainda mais caro. Trouxa eu que sempre paguei direitinho. O futuro governo, se Lula ganhar, vai comprar as dívidas dos pendurados em bancos e outras instituições de crédito, com deságio de mais de 90%. O devedor paga só o resquício, a longo prazo e juro módico. Negócio de avô para neto.
O programa Pé-de-Meia, para estancar a evasão no ensino médio já existe, mas o candidato Lula lança outro, para universitários, de R$9.500,00 por ano. Vai custar R$4,6 bilhões. Tivemos isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5.000,00, combustíveis subvencionados, crédito agrícola e industrial e subsídios para gás e luz. Dois milhões de moradias no Minha Casa, Minha Vida serão contratadas ainda neste governo, isenção das taxas das blusinhas está incrementada e o Bolsa Família está com reajuste de 15% no orçamento do ano que vem. Veículos serão financiados para motoristas de aplicativos, taxistas e entregadores. O Desenrola Brasil, aquele que socorre os endividados, vai para a sua terceira versão.
Nem no auge do "walfare state", o Estado-Babá que tirou muita gente da miséria na Europa, para salvar o capitalismo, o povo recebeu tantos mimos. Na era de ouro do pós-guerra, nem os mais avançados cientistas poderiam supor que um dia o Estado distribuísse canetas emagrecedoras pelo SUS. O curioso é que a Lei Eleitoral proíbe a "distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios em ano de eleição".
Foi aprovado pelo Congresso, o fim da escala de trabalho 6x1, repudiada pela bancada bolsonarista e demais partidos de oposição. Flávio, "o Bolsonaro que tomou vacina", apoiou o seu partido (PL) nessa mudança. Nem se mostrou embaraçado com esse oportunismo de última hora. Havia declarado que o fim da escala 6x1 era "medida hipócrita e eleitoreira". Acabou adotando a mesma cartilha do populismo eleitoral. Somente deixou de comparecer para votar como senador. Mais autêntico na sua maluquice foi o seu pai Jair, quando deputado (PP-RJ) em 2013. Foi o único dos 361 deputados presentes a votar contra o PEC das Domésticas, equiparando-as em direitos aos trabalhadores urbanos e rurais.
Flávio promete criar um Ministério da Prosperidade. Em discurso parecido com o seu adversário, anuncia corrigir as aposentadorias acima dos índices inflacionários. Mudou de opinião. No primeiro turno seu projeto era desvincular a Previdência e o Benefício de Prestação Continuada da política de reajuste do salário mínimo. Prometeu um "tesouraço" de R$200 bilhões nas contas públicas, mas negou mexer com os programas sociais. O Farmácia Popular, no governo de Flávio será ampliado. O medicamento será entregue na casa do cidadão, de graça. Pelo WhatsApp receberá mensagens alertando que "está na hora de tomar o remedinho".
E não termina aí o Brasil Paraíso. Lula acaba de prometer transporte gratuito aos sábados e domingos em todas as cidades do Brasil. Enquanto isso, a dívida pública continua subindo. Em agosto era de R$11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB. Para os candidatos, isto é apenas um detalhe.