OPINIÃO

Nossa Senhora, dai-nos paciência

Por José Marta Filho -Docente da Unesp aposentado |
| Tempo de leitura: 1 min

12 de outubro chega com romaria, missa, promessa, almoço em família e aquele pedido nacional, quase automático: "Minha Nossa Senhora, me ajuda."

E ajuda é o que não falta pedir. Saúde, emprego, dinheiro até o fim do mês, paz em casa, filho no caminho certo, chefe de bom humor e paciência para o grupo da família. Nossa Senhora Aparecida já deve ter ouvido de tudo. Talvez seja justamente por isso que combine tanto com o Brasil.

A pequena imagem encontrada por pescadores nasceu da simplicidade. Sem palco, sem marketing, sem anúncio de "vem novidade por aí". Apareceu nas águas e, séculos depois, segue presente no terço da avó, no santinho da carteira, na medalhinha do pescoço e naquele pedido baixinho feito quando a coisa aperta.

É uma fé sem espetáculo. Quase revolucionário nos dias de hoje. Vivemos uma época em que até o café da manhã precisa de foto, legenda, filtro e música de fundo. Tem gente "vivendo experiências" diante de um pão de queijo. Aparecida não precisou disso.

E talvez a data sirva também para outra reflexão. Estamos um pouco cansados de brigar. Briga por política. Briga por futebol. Briga no trânsito. Briga na Escola. Briga até para decidir onde será o almoço de domingo.

O Brasil virou um grande grupo de WhatsApp em que ninguém consegue sair. Talvez esteja faltando justamente aquilo que a figura de Nossa Senhora representa para tanta gente: acolhimento, cuidado, silêncio e esperança.

Para quem tem fé, é dia de rezar. Para quem não tem, é dia de respeitar. E para todo mundo talvez seja um bom dia para baixar um pouco o tom. Ouvir mais. Responder menos. Abraçar alguém. Desligar o celular por algumas horas.

E, já que estamos fazendo pedidos, incluir um especialmente urgente: Nossa Senhora Aparecida, dai-nos paciência. Muita. Porque segunda-feira sempre chega.

 

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