O traje da festa: a disposição interior daquele que aceita o convite de Deus
A liturgia deste 28º Domingo do Tempo Comum nos apresenta uma imagem muito bonita para falar da salvação: um banquete, uma festa preparada por Deus para todos os povos. Na Primeira Leitura (Is 25,6-10a), o profeta Isaías anuncia: "O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias". (Is 25,6). A salvação é apresentada como uma grande festa, porque Deus não deseja a tristeza, a solidão ou a morte, mas quer reunir seus filhos na alegria da vida plena.
É exatamente essa imagem que Jesus utiliza no Evangelho ao contar a parábola do banquete de casamento (Mt 22,1-14). O rei prepara a festa para o casamento de seu filho e manda chamar os convidados. Porém, eles não querem participar. Alguns estão ocupados com seus campos e negócios; outros chegam até a maltratar e matar os mensageiros. Essa parábola recorda, inicialmente, a história do povo de Israel. Deus havia preparado o seu povo para a chegada do Messias. Os profetas foram enviados para anunciar a salvação, mas muitos não acolheram a mensagem. Quando chega Jesus, o Filho de Deus, muitos também o rejeitam. Diante da recusa dos primeiros convidados, o rei manda seus empregados pelas encruzilhadas e pelos caminhos para chamar todos os que encontrarem. A sala fica cheia. A mensagem é clara: o convite para a salvação é oferecido a todos. Aqueles que estavam distantes, os povos pagãos, também são chamados a participar da festa do Reino. Em Cristo, a salvação ultrapassa as fronteiras de um único povo e alcança toda a humanidade.
Mas a parábola apresenta ainda um segundo ensinamento importante. Quando o rei entra na sala, encontra um homem sem a veste nupcial e pergunta: "Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?". (Mt 22,12). O homem permanece em silêncio. O traje de festa representa a disposição interior daquele que aceita o convite de Deus. Não basta simplesmente ser chamado; é necessário acolher verdadeiramente o chamado e permitir que a vida seja transformada pela graça. Ser cristão não significa apenas dizer que acreditamos em Jesus. Significa procurar viver como discípulos de Jesus. Quem aceita o convite para a festa do Reino deve procurar vestir-se com uma vida nova, marcada pela fé, pela caridade, pelo perdão, pela justiça e pela fidelidade aos mandamentos de Deus.
O próprio Jesus nos recorda: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos". (Jo 14,15). Portanto, seguir Cristo exige uma resposta concreta. Não podemos querer participar da festa do Reino permanecendo indiferentes à vontade de Deus.
Isaías nos oferece, então, uma perspectiva de esperança: "O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces". (Is 25,8). É para esse banquete eterno que caminhamos. A Eucaristia que celebramos é antecipação dessa grande festa, na qual o próprio Cristo se oferece como alimento para o seu povo.
Deus continua nos convidando. O convite chega até nós todos os dias: na Palavra, na Eucaristia, na Igreja, nos sacramentos e também através das pessoas que encontramos. A pergunta é: estamos aceitando esse convite? E estamos usando o traje da festa, isto é, vivendo de acordo com a fé que professamos?
Que não sejamos encontrados distraídos com as coisas passageiras deste mundo, nem indiferentes ao chamado de Deus. Que tenhamos um coração aberto para acolher a graça e uma vida disposta a corresponder ao amor que recebemos.
Peçamos a Deus a graça de permanecermos fiéis até o fim, para que um dia possamos participar plenamente do banquete eterno preparado para nós. E que Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe, interceda por nós, nos ensine a dizer sempre "sim" a Deus e nos conduza, com seu maternal cuidado, à grande festa do Reino dos Céus. Amém.