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A esquerda envelheceu e dá lugar à direita

Por Zarcillo Barbosa | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A depender da euforia do mercado financeiro o senador Flávio Bolsonaro é o presidente eleito do Brasil. A Bolsa bate recordes e o real se valoriza perante o dólar.

Os investidores acreditam que a renovação pode, não somente interromper o período de gastança do governo Lula, como também reestabelecer o equilíbrio fiscal. Ainda é cedo para dizer de que forma isso será feito e quem pagará a conta para melhorar a macroeconomia.

O candidato vencedor do primeiro turno ainda não nomeou o seu "posto Ipiranga". Com essa incógnita, estamos sem um indicativo da ortodoxia econômica a ser praticada pelo esperado Ministro das Finanças.

O partido de Flávio Bolsonaro (PL), elegeu 121 deputados federais, contra os 97 que tinha em 2022. No Senado, o PL de 19 cadeiras passará a ocupar 28. Somado aos partidos que aderiram à aliança da direita, o PL de Flávio terá respaldo para aprovar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Consequência imediata.

É promessa de campanha de Flávio, se eleito, perdoar o pai a tempo do ex-presidente subir com ele a rampa do Palácio do Planalto e entregar-lhe a faixa presidencial. É possível que haja uma revisão da pena do pai, por decisão monocrática do ministro Kássio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro para o Excelso Pretório, como os advogados gostam de dizer. Se não acontece, Flávio, uma vez eleito, assina o termo de posse na Presidência da República à 0h01 do dia 5 de janeiro, indulta o pai em seguida e estará aberto o caminho na rampa para a redenção do Jair. Bolas para o juiz da execução penal que tem que tomar ciência do processo e assinar o alvará de soltura.

A direita ganha corpo no mundo e a família Bolsonaro se fortalece no mesmo passo. Além do senador Flávio, ganhador do primeiro turno, quatro outros integrantes do clã conquistaram mandatos. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro foi eleita para o Senado, pelo Distrito Federal; Carlos ganhou uma cadeira no Senado pelo Estado de Santa Catarina; Jair Renan passa de vereador em Camboriú para deputado federal pelo mesmo Estado, o mais bolsonarista do país; o irmão do ex-presidente, Renato, foi eleito deputado federal por São Paulo. A mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, Rogéria Bolsonaro, não se elegeu para a Câmara, mas é suplente. Os filhos cuidarão de oferecer um ministério para o titular e ela haverá de ter onde sentar.

Com tanto prestígio político da família e no Congresso, Flávio já fala em "mudar a Constituição" e em "redemocratizar o país". Muita gente arrepiou. O pai, quando presidente, falava todo o tempo em "jogar dentro das quatro linhas da Constituição". O que pretende mudar ainda não ficou claro. A redemocratização aconteceu há 41 anos, com as "Diretas-já".

Mudanças no poder do STF, serão bem-vindas. As decisões monocráticas precisam ser excepcionalizadas. O papel da Suprema Corte está mais para atuação penal do que para a defesa da Constituição. Redução da maioridade penal. Muita gente é contra, mas grande parcela da sociedade aprova.

Flávio quer acabar com a reeleição no Brasil, o que é bom. O Congresso impediria a recondução em troca de um mandato de cinco ou seis anos. O autor da proposta concorda que familiares até terceiro grau do presidente cessante sejam proibidos de pleitear o posto. Há boas coisas a serem feitas, exceto voltar com aquela infame PEC do Voto Impresso que o Jair não conseguiu aprovar em 2021.

A esquerda envelheceu. Lula se esqueceu de formar lideranças que preencham o espaço sem depender do seu prestígio e das gerações que construíram o PT. O discurso da soberania, dos minerais críticos, das terras raras, da exploração de petróleo na margem equatorial são temas reais, mas abstratos para o povo.

Flávio preferiu falar das questões que pesam no bolso, como o preço do tomate e da cebola - quando o pai governava era mais barato. Ganhou de Lula até em Aparecida (58% a 38%).

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