PODE CHEGAR A 37,5%

Acib acompanha com preocupação avanço das tarifas dos EUA

Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sede da Acib, na Agenor com Bandeirantes
Sede da Acib, na Agenor com Bandeirantes

A Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) acompanha com preocupação os desdobramentos das investigações comerciais conduzidas pelo governo dos Estados Unidos que podem resultar na aplicação de tarifas adicionais de até 37,5% sobre determinados produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

Inicialmente, as discussões envolviam uma sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação sobre cadeias produtivas e práticas de trabalho forçado. Entretanto, novas informações apontam que essa medida poderá ser somada a outras investigações comerciais já em andamento, ampliando significativamente o impacto potencial sobre diversos setores da economia brasileira.

Para o presidente da Acib, Paulo Roberto Martinello Junior, o momento exige atenção não apenas dos exportadores, mas de toda a cadeia produtiva nacional. “Estamos diante de uma situação que merece acompanhamento permanente. Os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais do Brasil e qualquer aumento de tarifas pode afetar a competitividade dos nossos produtos, influenciar investimentos e gerar reflexos em toda a economia”, afirma.

Segundo Martinello, embora ainda não exista uma decisão definitiva por parte das autoridades norte-americanas, o cenário preocupa porque seus efeitos podem alcançar regiões que não possuem relação direta com a exportação. “Quando uma empresa exportadora perde competitividade, toda a cadeia que a abastece pode sentir os impactos. Isso inclui fornecedores, transportadores, prestadores de serviços e diversos outros segmentos que participam da atividade econômica”, explica.
Reflexos para Bauru e região

A economia do centro-oeste paulista possui forte presença da indústria metalmecânica, da fabricação de máquinas, implementos, equipamentos agrícolas e componentes industriais. Muitas dessas empresas integram cadeias produtivas ligadas a exportadores brasileiros e podem sofrer os efeitos de uma eventual retração da demanda internacional.

O agronegócio também aparece entre os setores mais sensíveis ao cenário. A região possui relevante participação na produção de carne bovina, citricultura, açúcar, etanol, grãos e alimentos processados, atividades que podem enfrentar aumento da concorrência e redução de margens caso os produtos brasileiros encontrem mais barreiras para acessar o mercado norte-americano.

Outro segmento que acompanha a situação com atenção é a cadeia sucroenergética. Embora os Estados Unidos não sejam o principal destino do açúcar brasileiro, alterações nos fluxos globais de comércio costumam provocar impactos sobre preços internacionais, investimentos e rentabilidade do setor.
Os possíveis efeitos também podem alcançar a logística e o transporte. Uma redução no volume exportado significa menor movimentação de cargas, afetando empresas de transporte rodoviário, armazenagem, operadores logísticos e demais prestadores de serviços ligados ao comércio exterior.

Além disso, Bauru consolidou-se como um importante polo regional de tecnologia, terceirização e serviços corporativos. Uma desaceleração da atividade econômica pode refletir diretamente na demanda por esses serviços e nos investimentos privados.

Acib acompanha cenário ao lado da Facesp

De acordo com Paulo Martinello, a Acib mantém acompanhamento constante do tema e está alinhada às análises realizadas pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e demais entidades representativas do setor produtivo. “O empresário brasileiro já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade de adaptação e superação. No entanto, é fundamental que haja diálogo, previsibilidade e segurança para que as empresas possam continuar investindo, produzindo e gerando empregos. Seguiremos atentos a cada desdobramento desse processo”, conclui.

A expectativa é que as discussões avancem nas próximas semanas, período em que o governo norte-americano continuará avaliando contribuições e manifestações antes de uma decisão final sobre a adoção das novas tarifas.

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