Uma sequência de episódios envolvendo maus-tratos e morte de animais em Campinas e em outras cidades levou o Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal a reforçar a convocação para a manifestação marcada para este domingo, 1º de fevereiro, no Portão 1 do Parque Taquaral, a partir das 9h. O ato foi organizado como resposta direta ao caso do cão comunitário Orelha, morto após agressões em Florianópolis, mas ganhou ainda mais força após registros recentes de violência animal na própria cidade.
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Para o presidente do Conselho, Flávio Lamas, os episódios revelam um cenário alarmante. “Está despertando o tanto de crueldade que está dentro das pessoas. O que está acontecendo e a gente não via. Agora estamos vendo o que é o ser humano de fato quando trata dos animais. Esse é o absurdo”, afirmou, em tom de indignação.
A manifestação pretende reunir ONGs, protetores independentes, ativistas e moradores, em um protesto pacífico que cobra respostas mais firmes das autoridades, fiscalização efetiva e punição aos responsáveis por crimes contra animais.
Casos recentes acendem alerta em Campinas

Reprodução/Redes Sociais Reprodução/TH+
Além do episódio que matou Orelha, Campinas passou a figurar no centro do debate após a prisão em flagrante de um médico de 76 anos, acusado de matar o próprio cachorro a tiros, no distrito de Barão Geraldo. Segundo a Polícia Militar, o tutor alegou que o animal estaria doente e que tentou uma eutanásia caseira. Sem sucesso, teria utilizado uma arma de fogo. O caso resultou em prisão por maus-tratos e posse ilegal de arma, e segue sob investigação da Polícia Civil.
Outro episódio que gerou forte reação ocorreu na Avenida Ruy Rodriguez, onde um cavalo foi flagrado sendo puxado por uma motocicleta em plena via urbana, em meio ao tráfego intenso. Imagens e relatos indicam risco extremo tanto para o animal quanto para motoristas e pedestres. Especialistas apontam que o estresse provocado pelo ambiente urbano pode levar o animal a reações imprevisíveis, com potencial de acidentes graves.
Caso Orelha se tornou símbolo nacional

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O estopim da mobilização foi a morte do cão comunitário Orelha, que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis. O animal foi agredido no início de janeiro e encontrado ferido no dia seguinte. Exames apontaram um golpe violento na cabeça, causado por objeto sólido. Devido à gravidade das lesões, o cão precisou ser submetido à eutanásia.
A Polícia Civil de Santa Catarina identificou quatro adolescentes suspeitos das agressões e apura ainda possível coação de testemunhas. Outro cachorro da região, chamado Caramelo, também teria sido vítima do grupo, após ser jogado no mar, mas conseguiu escapar e foi adotado.
Pedido por justiça e políticas públicas
Para o Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal, a manifestação vai além de um protesto pontual. O objetivo é romper o silêncio, ampliar o debate público e pressionar por políticas permanentes de proteção animal, além de responsabilização efetiva dos agressores.
“Chega de maus-tratos, negligência e impunidade. Chega de silêncio diante da dor animal”, diz o texto de convocação divulgado nas redes sociais.