Tabagismo: "Causa mortis"de 100 mil brasileiros por ano
Tabagismo: "Causa mortis" de 100 mil brasileiros por ano
Texto: Sabrina Magalhães
Trinta e cinco milhões de brasileiros são fumantes; 20% da população mundial fuma; a cada cigarro, ingerem-se 4.720 substâncias tóxicas - venenos para o organismo; em conseqüência, pelo menos um a cada dois viciados morre, contabilizando três milhões de óbitos na Terra por ano. Números que não param de crescer, apesar de todas a pesquisas e informações insistindo na afirmação de que "fumar faz mal à saúde".
O vício ao cigarro ocupa hoje os primeiros lugares no ranking das causas de morte mais freqüentes no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, pelo menos três milhões de óbitos anuais acontecem em conseqüência das doenças comprovadamente ocasionadas pelo fumo. De um lado, investimentos de milhões em publicidade; do outro, uma suave tentativa de combater o vício. Propagandas que relacionam o cigarro à liberdade, ao prazer, à maturidade, ao sucesso. Tudo aquilo que o adolescente almeja.
Não é à toa que 90% dos fumantes adultos afirmam ter se iniciado no vício entre os 15 e os 19 anos de idade. São 2,4 milhões de fumantes nesta faixa etária, conforme a homeopata Sandra Mara de Oliveira Lima.
"Anualmente cinco mil adultos abandonam o cigarro nos Estados Unidos. Então, as empresas de tabaco têm que conquistar pelo menos cinco mil novos fumantes por ano para manterem os níveis de venda. Isto eles conseguem investindo na publicidade para jovens. Então, eles fazem uma linda propaganda incentivando o adolescente a fumar e aparece um trechinho pequenininho do Ministério advertindo que fumar faz mal à saúde. É muito vago isso para o jovem. Tanta coisa faz mal à saúde."
As pesquisas mostram que, infelizmente, nesta idade, apenas 12% deles sabem sobre os malefícios desta que é uma das drogas mais difundidas no mundo. Para os outros 88%, cigarro, nicotina e alcatrão são apenas palavras ligadas ao "proibido".
Leia também:
* As doenças tabágicas e suas características
* Os componentes venenosos do cigarro
* Os caminhos para abandonar o vício
Os números do tabagismo
* No Brasil, o vício mantém 35 milhões de pessoas dependentes física e psicologicamente da nicotina;
* Imaginando-se como mínimo um maço de cigarros sendo consumido por cada fumante brasileiro ao dia e calculando-se o preço médio deste maço em um dólar e meio, chegaremos à cifra de US$ 52,5 milhões por dia, US$ 1,565 bilhão por mês, US$ 18,9 bilhões por ano gastos com o vício;
* Considerando-se a população fumante do Brasil, cada um comprando uma caixa de fósforos a cada dois dias, seriam 35 milhões de caixas a cada dois dias e, ao mês, mais de 500 milhões de caixas.
* Em 1992, o mercado brasileiro consumiu mais de 120 bilhões de cigarros, representando um faturamento de US$ 4,8 bilhões. Acrescentando-se o que foi obtido com o tabaco exportado, chegou-se a US$ 5,8 bilhões em um ano apenas de negócios;
* Do preço de venda do cigarro no Brasil, 75% fica com o Governo, sob a forma de impostos, ou seja, em 1992, o Governo ficou com US$ 3,5 bilhões. Apenas 8% do preço de mercado fica com os revendedores, mas eles garantem que quem entra no estabelecimento para comprar um maço de cigarros, sempre leva alguma outra coisa e por isso vale a pena ter o produto na prateleira;
* Aproximadamente uma árvore é sacrificada para a secagem de fumo para a produção de cada 250 cigarros. Assim, em 1992, foram derrubadas mais de 480 milhões de
árvores. Ou seja, para cada hectare de fumo plantado, um hectare de floresta é destruído no País.
Cada fumante dá às indústrias e ao Governo cerca de US$ 15 milhões de dólares ao longo de 40 anos de dependência. Lucram com o tabagismo:
* os governos, que arrecadam impostos;
* as indústrias do fumo;
* os agricultores, que plantam as sementes e entregam as folhas;
* os fabricantes de fósforos, de isqueiros, cinzeiros, cigarreiras, cachimbos, piteiras, papel;
* os fabricantes de agrotóxicos, usados na lavoura do fumo;
* a indústria farmacêutica, que produz os medicamentos para tratar as doenças causadas pelo cigarro, e os fabricantes de materiais cirúrgicos/hospitalares;
* médicos, hospitais, casas de saúde, laboratórios;
* empresas de publicidade, publicitários, produtores culturais, atores, modelos, atletas de competição (através de patrocínio);
* a mídia, que veicula o material de propaganda;
* donos de tabacarias, bares, restaurantes, bancas de jornal, postos de gasolina...
* O câncer de pulmão é o tipo de câncer que mais mata homens no mundo. Entre as mulheres, as estatísticas mostram que ele já começa a superar as mortes por câncer de mama e útero;
* Cerca de 430 mil norte-americanos morrem por ano em decorrência do cigarro. Um número, segundo as autoridades locais, maior do que a soma de mortes por aids, assassinatos, suicídios, incêndios, drogas pesadas, álcool e acidentes de trânsito.
* A Organização Mundial de Saúde atribui ao fumo a morte precoce de três milhões de pessoas por ano, sendo 100 mil óbitos no Brasil. Para a OMS, o tabagismo é o maior problema de saúde pública do mundo moderno, o que tende a se agravar: as estimativas apontam para 10 milhões de mortes pelo cigarro a partir de 2020.
* Um informe do Hospital Infantil de Toronto (Canadá) anunciou que foram encontrados resíduos de nicotina em fios de cabelo de 23 bebês cujas mães não consumiram tabaco durante a gravidez, mas respiraram a fumaça dos maridos ou colegas de trabalho. Os bebês tinham entre um e três dias quando foram retiradas as amostras de cabelo. As mães aspiraram uma fumaça que não era delas e a nicotina chegou até a pontinha dos cabelos dos filhos que ainda estavam dentro da barriga.
* Um estudo feito nos Estados Unidos mostra que a economia norte-americana tem um gasto de US$ 68 bilhões entre os cuidados com a saúde ligados a doenças tabágicas e à perda de produtividade nas empresas. Considerando-se que o País ganha cerca de US$ 46,7 bilhões com a venda do cigarro, pode-se dizer que os governos estão arrecadando um dólar e gastando um dólar e meio com cada fumante;
* Os gastos de um fumante médio por um ano e meio equivalem ao preço de uma viagem aos EUA ou à Europa, proporcionando um grande ganho cultural. Um casal de fumantes poderia comprar um computador em um ano economizando o que gastaria em cigarros. Isso, sem contar os fósforos...
* O Brasil disputa cabeça com cabeça com a Índia pelo terceiro lugar de país maior produtor de tabaco do mundo. O primeiro disparado é a China, vindo bem atrás dos Estados Unidos. Nos EUA, há 50 milhões de fumantes, enquanto existem 300 milhões de dependentes da nicotina na China.
Doenças aparecem após 20 anos de vício
As toxinas do cigarro "passeiam" por todos os órgãos e tecidos do corpo através da corrente sangüínea
Uma pessoa pode fumar durante 20 anos sem apresentar qualquer problema de saúde e, de repente, descobrir que está doente. Parece um tempo razoável. Só que quando surgem os primeiros sintomas, geralmente, a doença já está em estágio avançadíssimo, tem evolução muito rápida e sofrida. É o caso do câncer de pulmão, por exemplo: se ele não for diagnosticado precocemente por exames preventivos, a respiração só é afetada quando uma área muito grande do órgão está lesada. Então, o tumor já sofreu metástase e os médicos não têm mais o que fazer.
Foi o que aconteceu com o norte-americano Bryan Lee Curtis, 33 anos. Uma história que chocou o mundo. Curtis começou a fumar aos 13 anos e sempre aparentou saúde. Em abril deste ano, descobriu estar com câncer de pulmão. Iniciou seu tratamento - em vão. Morreu dois meses depois, em 3 de junho, deixando a esposa e um filho. Perto da morte, pediu
à imprensa que o fotografasse e que seu "holocausto" fosse divulgado por todo o mundo, como um exemplo do que deve ser evitado. A publicação das fotos ao lado foi seu último pedido.
"Pode-se observar que uma pessoa fuma por 10, 15 anos, vivendo bem. Depois de uns 20 anos, ela começa a apresentar uma tossinha, uma dorzinha, uma bronquite, que vai se acentuando. Quanto mais tempo passa, maior o risco dela desenvolver uma dessas doenças. O cigarro tem duas maneiras de destruir o organismo: de forma bastante rápida, como no caso do câncer e do infarto, ou de forma bem lenta, por um enfisema pulmonar", explica a homeopata Sandra Lima.
Enfisema
Segundo a médica, o pulmão se assemelha muito a um encanamento, que vai se ramificando. Na ponta do último raminho há uma espécie de bexiga, os alvéolos, que se enchem e esvaziam, levando oxigênio para dentro e tirando gás carbônico. O enfisema é uma inflamação que resulta no rompimento destas bexiguinhas. Então, o indivíduo inspira, levando oxigênio para dentro. Os alvéolos purificam este oxigênio e distribuem para a corrente sangüínea. Imediatamente, os alvéolos retiram do sangue o gás carbônico produzido no metabolismo, jogando-o para fora no caminho inverso. Conforme as bexiguinhas vão arrebentando, o organismo não consegue empurrar o gás carbônico para fora. Estando cheio deste gás, não sobra espaço para o oxigênio entrar e a pessoa começa a sentir asfixia.
No entanto, o organismo possui um número muito grande de alvéolos e a dificuldade respiratória vai aumentando lentamente. No início, o indivíduo pode sentir dificuldade na hora de fazer um esforço físico. Depois de alguns anos, ele passa mal até para fazer suas necessidades fisiológicas, porque não tem oxigênio para contrair os músculos.
"A pessoa pode demorar 40 anos para chegar ao limite e ela vai sofrer com a falta de ar por todo esse tempo, sabendo que vai morrer por asfixia, porque o enfisema é progressivo e incurável."
Câncer
"O cigarro comprovadamente está relacionado com doenças de todos os órgãos, a partir da boca. Porque a fumaça entra, passa pelo pulmão, cai na corrente sangüínea e percorre cada pedacinho do corpo. Então, você tem o efeito local por onde a fumaça passa: lábio, língua, garganta, pulmão. E tem os efeitos dos produtos da fumaça quando absorvidos, através da circulação", destaca o pneumologista Carlos Eduardo Sacomandi.
Muitas das substâncias do cigarro são cancerígenas, portanto, o fumante pode desenvolver câncer em qualquer parte do corpo: na boca, na garganta, no pâncreas, na bexiga, no intestino. No caso da mulher, o cigarro aumenta muito os riscos de aparecimento de câncer de mama e colo de útero. E os especialistas lembram: a mulher que toma pílula anticoncepcional e fuma triplica suas chances de desenvolver essas doenças. Entre todos os tipos de câncer, o de pulmão é o que mais mata homens no mundo e já começa a superar os de mama e útero entre as mulheres - uma das piores conseqüências da penetração do tabaco no mundo feminino.
Vasoconstrição
Além da toxicicidade, a nicotina tem outra propriedade danosa ao organismo: em contato com a corrente sangüínea, ela reduz o diâmetro de todas as veias, artérias e vasos pela metade, contraindo-os. É a chamada vasoconstrição, que tem como conseqüência um aumento imediato da pressão arterial e a redução na quantidade de oxigênio que é distribuída entres as células. O organismo prontamente responde, acelerando os batimentos cardíacos. Numa pessoa saudável, isso pode não acarretar grandes alterações inicialmente. Mas suponha uma artéria com placas de colesterol que tenha seu diâmetro reduzido pela metade: vai faltar oxigênio para alguma parte do corpo.
Pela lógica, os maiores prejudicados seriam as células irrigadas pelos microvasos, ou seja, a pele, couro cabeludo e extremidades. Se por um lado esta vasoconstrição pode resultar em derrames (excesso de sangue em determinado ponto do corpo), por outro, pode reduzir tanto a oxigenação que o indivíduo chega a uma deficiência visual ou
à amputação de membros.
Organismo retém 85% dos 'venenos' em cada tragada
O intervalo entre um cigarro e outro representa o tempo necessário para o metabolismo da nicotina. Em média, 40 minutos
"Já foi feito um estudo provando que em cada tragada, o fumante recebe cerca de 2.500 das 4.720 substâncias encontradas no cigarro. Destas, 85% ficam retidas no organismo, ou seja, 85% dos venenos que a pessoa inala em cada tragada são depositados no organismo", comenta a homeopata Sandra de Lima. Diante de tantos "intrusos" intoxicantes, o sistema imunológico, inicialmente, faz aumentar a produção de secreção, razão pela qual todo fumante tem o incômodo pigarro.
De todas as substâncias, a mais conhecida é a nicotina, por ser esta a responsável pela dependência. Segundo a homeopata Sandra de Lima, logo nos primeiros dias em que começa a receber a nicotina, o sistema nervoso cria receptores para ela, pequenos espaços onde ela possa se encaixar. Então a pessoa fuma, a nicotina se aloja nestes receptores. Mas o organismo vai metabolizar esta substância e conforme ela vai desaparecendo, os receptores dão o alarme de deficiência de nicotina.
É o momento em que o fumante acende outro cigarro.
Este intervalo entre um cigarro e outro varia entre 20 minutos e uma hora, conforme a velocidade do metabolismo individual. Em média, a nicotina perde seu efeito após 40 minutos. Num dia de 24 horas, em que se passam 8 dormindo, um cigarro a cada 40 minutos soma um maço no final do dia. "Então, passados os 40 minutos, a pessoa começa a se sentir incomodada, irritada, como se faltasse alguma coisa. Ela nem pensa. Automaticamente ela pega um cigarro."
Para se ter uma noção deste incômodo, basta observar o comportamento de um fumante quando seu cigarro acaba ou quando ele se esquece de onde deixou o maço. Num primeiro momento, ele se mostra aflito, depois irritado, indo até ao desespero. É comum um fumante sair de casa altas horas da noite para comprar cigarros, porque não consegue dormir sem fumar.
"Fumo porque estou nervoso..."
De acordo com os especialistas, existe um enorme erro nesta frase. Na verdade, o fumante fica extremamente irritado e nervoso quando não fuma, ou seja, quando não tem ou está num ambiente que não permite cigarros. Por outro lado, vale observar que nos momentos de maior tensão, o metabolismo do corpo aumenta muito, de forma que a nicotina é eliminada mais rapidamente. Resultado, o sistema nervoso pede mais um cigarro e ele acaba fumando mais, isto é, em intervalos menores que os habituais.
Um exemplo deste fato foi comentado pelo pneumologista Carlos Sacomandi: "Fazendo um curso no Japão, fiquei impressionado com a quantidade de fumantes no País. Para se ter uma idéia, só durante o tempo de preparação do centro cirúrgico, os médicos conseguem encher um cinzeiro. E isto num país de primeiro mundo, entre médicos."
Por trás da fumaça
Quem fuma entra em contato com mais de quatro mil substâncias químicas diferentes. Até hoje, 4.720 toxinas foram isoladas em laboratório, entre as presentes no próprio fumo, os agrotóxicos da lavoura do fumo, as toxinas produzidas durante a confecção dos cigarros e as que surgem da fusão de outras durante a queima do produto, que acontece a 800 graus Celsius em média. Eis as principais:
Nicotina: É a mais conhecida das toxinas. Segundo o professor de Pneumologia da Faculdade de Medicina da PUC/SP, José Rosemberg, "a nicotina causa mais dependência física do que a cocaína e a heroína". Além de ser responsável por diversos tipos de alteração cardíaca;
Monóxido de carbono: Acredita-se ser ele o maior responsável pelos distúrbios causados no coração. O monóxido de carbono pode permanecer no sangue do fumante até 24 horas depois de ser inalado;
Alcatrão: É o resultado da combustão do fumo, um dos 60 venenos responsáveis pelo desenvolvimento de câncer;
Acroleína: Usada na fabricação de granadas e projéteis para fins bélicos e para dispensar ajuntamentos.
É um lacrimejante sintético, irritante das mucosas das vias respiratórias e ocultas;
Benzol: Exerce ação tóxica sobre a medula
óssea produzindo anemia aplástica. Esse gás pode causar intoxicação e morte quando respirado. Sua atuação sobre o sistema nervoso central excita e em seguida deprime;
Furfural: Substância tóxica que pode levar à morte por paralisia cardio-respiratória;
Cresol: Gás intoxicante que à semelhança do fenol participa dos ingredientes dessa sopa mortal;
Ácido prússico: Também conhecido como cianídrico,
é utilizado para executar pessoas em câmaras de gás. E dá uma mãozinha também aos fumantes;
Álcool metílico: Muitas vezes utilizado na fabricação de bebidas, o álcool metílico é usado também para dissolver corantes industriais.
E também: benzopireno (que facilita a combustão do papel), substâncias radiativas (o fumante médio recebe através do cigarro o equivalente a 350 radiografias), agrotóxicos, solventes, metais pesados (chumbo, cádmio), níquel, arsênico, amônia, formol...
Abandonar o cigarro exige disciplina
Alimentos como café, pimenta e carne devem ser evitados, pois aumentam a avidez por nicotina
"Não paro porque não quero. Quando quiser, eu consigo parar. Até hoje já parei 'n' vezes." O discurso é sempre o mesmo. Só que eles não conseguem abandonar o vício definitivamente. Têm uma recaída sempre que aparece um fator de insegurança. A afirmação é unânime entre os profissionais:
é preciso muita força de vontade, persistência e, acima de tudo, é preciso querer parar. "Podem inventar remédio por boca, adesivo, se ele quiser continuar fumando, se não estiver convicto de que precisa parar, ele não pára. E se ele está convicto de que precisa parar, ele pára sem qualquer remédio", garante o pneumologista Carlos Sacomandi.
Ele lembra que o tabagismo tem dois fatores: o psicológico e o químico. O psicológico é o hábito que o indivíduo adota de acender um cigarro sempre que toma um café, os gestos - tirar do bolso, pegar um cigarro, bater na mesa, levar à boca e acender - são automáticos e quem quer abandonar o fumo tem que mudar estes hábitos, como quem tenta se livrar de um tique, um cacoete.
Mas para enfrentar a dependência química, é preciso um esforço maior. O dependente vai sofrer uma forte angústia nos primeiros três dias que passar sem a nicotina. E até um ano depois ele ainda pode sentir vontade de fumar. "Para amenizar isso, ele deve evitar alimentos condimentados, pimenta, carne vermelha, café e bebidas alcoólicas. São produtos estimulantes e que aumentam a vontade de fumar", destaca a homeopata Sandra Lima. Vale lembrar que muitos dependentes se desesperam sem a toxina. Para estes, a indústria farmacêutica desenvolveu medicamentos que contêm nicotina, permitindo ao fumante abster-se do tabaco, sem passar pela crise. A dificuldade estaria em, mais tarde, eliminar também estes remédios. "A conscientização e o esforço são os melhores remédios."
Recuperação
Questionada a respeito do tempo necessário para que o organismo recupere a saúde, a homeopata disse que vai depender dos
órgãos atingidos. "As alterações de pressão desaparecem em pouquíssimo tempo. As vias respiratórias eliminam a secreção em poucos dias, permitindo que o fumante recupere seu fôlego. Depois de uns quinze dias ele já nota a diferença. Já os riscos de um infarto, no final de um ano sem cigarro, caem para 50%, pois melhora bastante a circulação sangüínea. E no final de cinco anos, suas chances de ter um infarto são iguais às de um não fumante. Então, para alguns órgãos (o pulmão, principalmente), a desintoxicação é mais lenta. Mas com certeza, a partir do último cigarro que você fuma, você começa a se livrar da conseqüências do tabaco."
Ganhar peso
Parar de fumar faz engordar mesmo. Não é um mito. Segundo os médicos, isso acontece, principalmente, por três motivos. Primeiro, porque a nicotina absorve a maioria dos nutrientes e vitaminas que o indivíduo ingere. Então, quando deixa de repor a nicotina, o metabolismo dos alimentos volta ao normal. Em segundo lugar, conforme a nicotina vai sendo eliminada e o organismo vai recuperando suas funções, os sentidos de olfato e paladar melhoram muito, o que torna a comida extremamente mais gostosa. Evidentemente, a tendência
é que o indivíduo coma mais que o habitual.
E por último, supondo que o dependente fumasse 20 cigarros por dia e passasse oito minutos com o cigarro na mão, quando pára, ele sente falta de segurar algo. Parece bobagem, mas o hábito é tão forte, que a pessoa acaba adotando as balas e bolachas como distração para os dedos. Além disso, existe a tendência de suprir a ansiedade causada pela abstinência por colocar algo na boca. Pode-se optar por água, canetas ou comida. De qualquer forma, ganha-se em média 10% do peso quando se pára de fumar. Em seis meses a um ano o corpo estaciona no peso ideal, sempre um pouco mais do que aquele da época em que se fumava.
Dicas para resistir
Caso sinta:
Ansiedade: respire fundo, evite tomar café, pense em situações felizes, mude a atividade do momento;
Dor de cabeça: relaxe, tome algum analgésico se a dor for muito forte, procure entender que isto faz parte da síndrome de abstinência e que passará logo;
Insônia: Tome um copo de leite quente, pense em coisas relaxantes, leia um pouco;
Irritação: caminhe, respire fundo, faça alguma coisa diferente do que está fazendo naquele momento;
Perda de concentração e cansaço: caminhe, descanse, faça algo que lhe dê prazer;
Fome: dê preferência a alimentos de baixas calorias, beba água gelada, faça refeições balanceadas;
Tosse: beba água ou suco natural.
Serviço
Muitas informações podem ser obtidas sobre tabagismo na Internet. Para os jovens, uma boa dica é o livro "Fumar pra quê, meninos e meninas?", do pneumologista Jorge Alexandre Sandes Milagres: http://jovem.com/cigarro