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Bauru poderá ver ‘chuva’ de meteoros

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Um fenômeno pouco comum irá ocorrer durante a noite de hoje e a madrugada de amanhã. Centenas de minúsculas partículas sólidas e poeira que se soltaram de um cometa irão atingir a atmosfera terrestre, formando uma “chuva” de meteoros. Devido ao atrito com as camadas de ar, esses pequenos pedaços de rochas espaciais pegarão fogo e emitirão grande quantidade de luz.

Os riscos luminosos que cortarão o céu poderão ser vistos a olho nu pelos bauruenses. Segundo o professor e astrônomo do Planetário da cidade de Brotas, João Paulo Delicato, o observador terá que voltar o seu olhar para o leste (ponto nascente do sol) e procurar os fragmentos de rocha que cairão no espaço que se estende das Três Marias até a linha do horizonte.

O pico do fenômeno ocorrerá às 2h40 de domingo, segundo Delicato. “Durante a noite de sábado já será possível visualizar alguns fragmentos. No entanto, a incidência irá aumentar gradativamente no decorrer da madrugada”, revela o astrônomo, que reunirá um grupo de 20 pessoas em Brotas para acompanhar a “chuva” de meteoros e realizar estudos a seu respeito.

De acordo com Delicato, todas as noites em média dez estrelas cadentes podem ser vistas cortando o céu. No entanto, a observação do fenômeno é difícil porque é preciso saber o local e o horário exatos onde ele irá ocorrer. Mas ele explica também que a incidência de estrelas cadentes aumenta em determinadas épocas do ano. “Durante o mês de novembro, os avistamentos são mais comuns porque mais partículas atingem a Terra”, explica.

No decorrer da noite de hoje e madrugada de amanhã, de 100 a 600 estrelas cadentes poderão ser vistas durante a chuva de meteoros Leonideas, que tem esse nome porque os corpos celestes que a compõem são provenientes da região da constelação de Leão, segundo Delicato. “Esse fenômeno acontece anualmente e é o mais intenso do gênero”, afirma o astrônomo.

Para Delicato, a utilização de equipamentos como lunetas e binóculos são completamente dispensáveis. “A chuva de meteoros só pode ser vista a olho nu. Além de ser quase impossível de se adivinhar o lugar em que a estrela cadente irá cair, o fragmento se queima muito rápido, o que inviabiliza a observação através de equipamentos específicos”, alerta.

O especialista explica também que o fenômeno é melhor visualizado em locais com pouca luminosidade, porque o brilho da luz compete com aquele liberado pela estrela cadente, ofuscando-a.

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Do tamanho de feijões

Segundo o astrônomo João Paulo Delicato, a chuva de meteoros Leonideas ocorre quando a Terra cruza a órbita do cometa Tempel-Tuttle. Pedaços de rochas espaciais com tamanho médio de um grão de feijão que se desprendem do corpo celeste atingem a atmosfera do planeta a uma alta velocidade e se queimam, deixando um rastro luminoso.

Esses pequenos grãos vagam pelo vácuo do espaço, onde não existem camadas de gases, e atingem a Terra com velocidade de 250 mil quilômetros por hora. “A maior parte deles se queima em poucos segundos devido ao atrito com a atmosfera. Com isso, se desintegram e não chegam atingir o chão”, revela o astrônomo.

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