Nada como trocar idéias com os amigos. Outra noite, conversando com um deles, o Luiz Gonçalves Jr, da Unesp e do Moto Clube Bodes do Asfalto sobre nossa outra paixão, as motos (afinal as motos hoje em dia estão mais para carros de 2 rodas do que para as bicicletas das quais se originaram, não é?), surgiu o assunto das bombas de combustível, que muita gente ainda faz confusão. Vamos aproveitar a deixa e falar um pouco dela.
Ela é um dos componentes fundamentais do sistema de alimentação, cuja função primordial é transferir o combustível do tanque até o motor. Em tempos imemoriais, quando ainda se podia deixar a chave no contato e se afastar do carro sem medo de ser feliz, o fornecimento de combustível do tanque para o carburador era feito por gravidade, dispensando a bomba. Ainda hoje, a maioria das motos usa a gravidade para suprir seus carburadores arcaicos.
A bomba de combustível (que antigamente ainda se chamava de “bomba de gasolina”, pois este era o único combustível disponível para automóveis...) surgiu quando a demanda de combustível aumentou em função do aumento de cilindrada e potência dos motores. Só a gravidade não dava a vazão necessária para o consumo, então se inventou uma bomba mecânica de alavanca e diafragma, que sugava o combustível do tanque e o enviava ao carburador.
O carburador tem por característica receber e armazenar o combustível vindo da bomba em uma cuba, controlada por uma bóia de agulha. Quando a cuba se enche, a bóia sobe e a agulha fecha a passagem do combustível, desviando o fluxo para a tubulação de retorno ao tanque. No fundo da cuba situa-se o gargulante (nome oficial da ABNT que ninguém conhece, mas é o nosso conhecido giclê), que tem um furo calibrado por onde é aspirado o combustível pelo vácuo do motor. Assim, a cuba trabalha na pressão ambiente, sempre com disponibilidade de combustível em excesso.
As bombas de combustível mecânicas por diafragma eram ligadas através de uma alavanca a um came que as acionava. Isto gerava o movimento de vai e vem do diafragma e a consequente aspiração e pressurização do combustível. Eram simples e fáceis de reparar, bastava soltar uns parafusos e trocar o diafragma. Cansei de fazer isso com jipe no meio do mato... Mas nunca se ficava parado, dava-se um jeito e seguia andando.
Depois surgiram as bombas blindadas que não tinham mais os benditos parafusos e não permitia reparo, só troca. Coisas do mercado de reposição...
Vieram em seguida as bombas elétricas de baixa pressão, mais sofisticadas, mais caras e que faziam a mesma coisa que as antigas mecânicas. Na prática, puro marketing de vendas.
Hoje em dia, com o advento dos novos sistemas de injeção, usam-se bombas elétricas de alta pressão, pois o sistema funciona diferentemente dos sistemas carburados. A bomba mantém o combustível pressurizado em um componente da linha chamado “flauta”, que é conectado a cada um dos bicos injetores. No momento da injeção, a centralina envia um comando que abre e fecha o bico, permitindo a entrada do combustível pressurizado na câmara.
Existem 2 tipos de bombas elétricas, que podem ser do tipo interna e externa ao tanque. A interna fica submersa dentro do tanque, e tem a vantagem de ser refrigerada pelo próprio líquido. Ao contrário do que alguns pensam, não há nenhum perigo de explosão. A externa fica afixada ao chassi ou monobloco do veículo, próxima do tanque ou do motor.
As bombas internas ainda podem ser do tipo modular, que incluem em um só pacote a bomba, um filtro e o medidor de nível, o que é mais prático para montagem mas menos econômico para troca, pois se só o nível der problemas, precisa trocar o conjunto todo. No tipo não modular, os itens do conjunto podem ser trocados separadamente.
A princípio, não existe reparo para a bomba (exceto mau contato elétrico) por ser um produto selado, se der problema tem que trocar. Andar sempre na reserva ou com filtro entupido pode provocar superaquecimento, levando à queima da bomba. A vida útil de uma bomba é em média de 100.000 km, precisando ser trocada preventivamente quando o motor apresentar falha por perda de pressão de combustível. Cuidado com a qualidade das bombas remanufaturadas, pois alguns picaretas pegam bombas usadas, lavam e as revendem como tal.
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.