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Recuperando-se de fratura na perna, ex-atacante santista Zé Love visita Bauru e o JC

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Foto JC

O ex-atacante santista durante a entrevista, ontem, no Café com Política do Jornal da Cidade: “Muricy tem de ir pra Seleção”, considera Zé Love

De repente, ontem, uma “muvuca” agitou a Redação do JC. O responsável pelo “burburinho” era, nada mais, nada menos, do que o ex-atacante santista Zé Eduardo, o Zé Love, que deixou este ano o Peixe para atuar no futebol italiano. Em visita surpresa ao jornal e a Bauru, e após atender educamente e simpaticamente aos inúmeros pedidos de fotos e de autógrafos de santistas e admiradores, o atleta, acompanhado de seu pai Eduardo Augusto de Almeida e do amigo Carlos Ladeira, concedeu entrevista ao JC. Nela, Zé Love, que se recupera no Brasil de uma fratura na perna esquerda, detalha sua origem no futebol e da sua passagem no Santos, além de dar detalhes de seus prazeres fora dos gramados, como jogar truco em Promissão, sua terra natal.

O Santos pagou pelo atacante Zé Love R$ 700 mil e vendeu o artilheiro por R$ 6,1 milhões (equivalente a 4,5 milhões de euros) pagos pelo futebol da Itália. Em um ano e meio de clube, Zé Love ganhou dois Campeonatos Paulistas, uma Copa do Brasil e uma Libertadores de América e fez 27 gols. Os R$ 700 mil foram desembolsados em 10 parcelas de R$ 70 mil.

O sucesso levou o centroavante para o Genoa, clube da cidade de Genova, na Itália. Com um estilo de jogador de futebol brasileiro, Zé Love estampa um medalhão com as letras “ZL”, sua marca, sustentado no pescoço por uma corrente dourada. No pulso esquerdo, o dourado se destaca em uma pulseira. Contra a insinuação de que é marrento, Zé Love esbanja inteligência. “Sou gente boa”, se define com um sorriso. O jogador não está preocupado em ser considerado craque. Seu negócio é fazer gols. Sabe que o Genoa não é uma equipe de ponta do futebol italiano, porém pode ser a vitrine para um grande clube, como Milan, Internazionale e Juventus.

Foi com essa determinação que o garoto de Promissão (120 quilômetros de Bauru) José Eduardo Bischofe de Almeida, 23 anos, saiu do PEC (Promissão Esporte Clube) para arrebentar nas categorias de base do Palmeiras. O pai, seo Eduardo Augusto de Almeida, 54 anos, interrompe a entrevista do filho ao JC para lembrar que o técnico do PEC escalou Zé como zagueiro, quando tinha apenas 8 anos. “Ele fez gol rapaz, só que foi contra”, comenta seo Eduardo.

Daí veio a vocação para centroavante. Seo Eduardo relembra que, atuando pela categoria de base do Verdão em uma competição, o filho atingiu a incrível marca de 35 gols. Seo Eduardo relembra que, com idade de 11 para 12 anos ainda não se alojava atletas no Palmeiras, e fazia o esforço para levar o garoto para todos os jogos do time de Parque Antarctica. Com 16 anos, o então técnico Estavam Soares, treinador do time profissional do Palmeiras, elevou o adolescente Zé Eduardo para o time principal. Era o máximo para um garoto que não se desvinculou das raízes caipiras.

 


Andanças


A vida de jogador de futebol é incerta. Zé Love conta que rodou por alguns clubes até que em 2009 viveu a pior fase da sua curta carreira, período que o fez pensar em desistir do futebol. Atuando pelo América Mineiro, o jogador ficou sem salários na temporada. Perdeu uma boa grana no acordo para receber algum valor e pago de forma parcelada. O atacante foi novamente emprestado para o ABC de Natal, na disputa do Brasileirão da Série B. Salários atrasados complicavam sua condição de vida longe dos familiares e vivendo no Nordeste. Seo Eduardo pediu para que continuasse e foi ajudando financeiramente o filho a se manter.

Zé Love tomou uma decisão perigosa em um esporte coletivo. Ele resolveu jogar para fazer seu nome e sair do ostracismo. Em uma partida contra a Portuguesa, no Canindé, o ABC perdia por 1 a 0, na disputa do Brasileirão da Série B. Zé Love entrou e fez o gol de empate. Sua postura de artilheiro chamou a atenção dos cartolas santistas.

Ganhou um contrato de risco para atuar no time da Vila Belmiro por cinco meses e salário de jogador da base. Seo Eduardo acrescenta que o acordo previa que o filho teria que ser relacionado pelo então técnico Dorival Júnior por 15 partidas consecutivas. Relacionado para um jogo significa que o atleta pode ser cortado da lista no dia da partida e, com sorte, ficar no banco de reservas.

Zé Love foi aproveitando as chances de jogar ao lado de Ganso, André, Neymar, os “Meninos da Vila”, e Robinho, Léo, Edu Dracena, Madson e Arouca, entre outros. Ele destaca que dividia o quarto da concentração com Edu Dracena, um companheiro que virou amigo.

 

Veja esta notícia na íntegra na edição desta quarta-feira (07) do JC.

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