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Entrevista da semana: Odil Zepper (Juba)

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

Irreverente, ele ensina a fazer moda

Foi com uma dose generosa de bom humor e irreverência, características marcantes de sua personalidade, e vestindo os infalíveis jeans e camiseta, sem esquecer do topete impecável que sempre completa seu visual - aliás, foi por causa do cabelo que ele ganhou o apelido "Juba" quando ainda garoto -, que o professor e consultor de moda Odil Zepper revelou parte de sua história e trajetória ao Jornal da Cidade.

Juba nunca teve dúvidas sobre seu futuro profissional. Aos 6 anos de idade ele já inventa moda: "Eu fui criado pela minha avó, ela sempre foi muito autossuficiente e me ensinou isso. Então, desde os 6 anos de idade, eu já sabia mexer na máquina de costura. Eu fazia roupinhas, desenhava, enfim", lembra.

Aos 13 anos, o talento para a moda despertou olhares na cidade e Juba foi chamado para desenhar em uma escola de samba. Pouco mais tarde, aos 16 anos, foi a vez da Secretaria de Cultura abrir as portas para o talento do jovem. "Foi uma das fases mais bacanas da minha vida por eu estar inserido em um caldeirão de cultura e por ter vivido a inauguração do Teatro Municipal".

Ao sair da Secretaria, o entrevistado passou a atuar nas salas de aula e se descobriu professor de moda, profissão que o completa atualmente. Formado em gestão de negócios e pós-graduado em comunicação e artes, hoje Juba é coordenador do curso de Design de Moda da Universidade Sagrado Coração (USC) e, junto com um grupo de amigos, projeta uma empresa de assessoria e consultoria com foco no varejo de moda.

Viagens, diversão e estilo pessoal também fazem parte da entrevista protagonizada por Odil Zepper, que você acompanha a seguir.


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Jornal da Cidade ? Você sempre foi um "arteiro da moda"?

Odil Zepper (Juba) ? É engraçado, mas acho que todo mundo que trabalha com moda começa fazendo roupinhas. Essa é a história que eu mais ouço no primeiro dia de aula com meus alunos (risos). Eu fui criado pela minha avó e ela, sempre muito autossuficiente, ensinou-me isso. Aos 6 anos de idade, eu já sabia mexer na máquina de costura. Minha avó me dizia que se um dia ela faltasse, eu saberia fazer de tudo. Ela era o máximo, uma avó maravilhosa, linda. Meus amigos de infância costumam dizer que eu sou o único da turma que sempre soube o que queira.

JC ? E quando começou a mostrar seu talento?

Juba ? Eu fui convidado a desenhar para uma escola de samba da cidade aos 13 anos de idade. Uma loucura! É muito legal você trabalhar com poucos recursos, sabe. Você tem de fazer muito com pouco e no final você fica feliz com o que fez. Na escola eu desenhava figurinos para teatro, aquelas histórias clássicas. Posso dizer que eu tenho essa coisa da criação desde criança.

JC ? E quanto ao primeiro trabalho profissional?

Juba ? Aos 16 anos eu fui trabalhar na Secretaria de Cultura como estagiário, e foi o máximo, uma das partes mais legais da minha vida. Imagine você trabalhar aos 16 anos em um lugar onde você tem de tudo. Naquele tempo, no comecinho dos anos 90, a cultura ainda tinha aquela efervescência, principalmente na noite. Hoje, não. Hoje a noite é de gatinhas e gatões (risos). Não existe mais a noite cultural, na verdade. Então, quando eu entrei, eu tive toda aquela bagagem que vinha do Carnaval, aquela transformação, coisa doida...E tinha também o lado mais "sofisticado". Eu estava inserido naquele caldeirão cultural e aquela foi uma etapa muito importante da minha vida. Era desde um recital a passar um filme no caminhão-palco da prefeitura. Eu fazia tudo com muito prazer.
JC ? A época gerou histórias inesquecíveis?


Juba ? Um outro momento dentro da Secretaria de Cultura foi a inauguração do Teatro Municipal. Eu tinha que acompanhar os artistas que vinham para Bauru. A Regina Duarte foi quem inaugurou e foi algo muito bacana e marcante. Ela é muito simpática, maravilhosa. Uma história inesquecível é que eu tinha acabado de pegar minha habilitação e dirigia um fusquinha 61 da minha avó, que era superfamoso na cidade. Levei toda a equipe dentro do carro para uma boate. Estávamos em 12 pessoas. Imagine a inconsequência. Foi uma alucinação (risos). E a Regina Duarte queria ir com a gente, mas o produtor acabou a aconselhando a não ir. Entre todas as celebridades que conheci por causa do teatro, ela foi a que mais me marcou. Alguns artistas não permitiam nem que você olhasse para a cara deles para não roubar a energia deles. E uma vez eu encontrei com a equipe da Regina no São Paulo Fashion Week, pouco mais de um ano depois, e imaginei que jamais se lembrariam de mim. Para minha surpresa, fui ver o espetáculo dela e o pessoal da equipe me levou até o camarim. Ao me ver, ela disse: "Ah, se meu fusca falasse". Foi muito legal.

JC ? Quando começou a ensinar moda?


Juba ?
Depois que eu saí da Secretaria de Cultura, eu fui convidado a dar aulas em uma instituição de ensino profissionalizante de Bauru. Foi nessa época que comecei a investir em cursos. Até então eu era somente autodidata. Deixei de frequentar muita balada para fazer cursos. Eu estudava o dia todo em São Paulo, emprestava roupas e sapatos para os trabalhos e fiz muitos amigos nessa época. Fiz cursos com os melhores nomes, entre eles, Glória Coelho, Dudu Bertholini, entre muitos outros nomes consagrados e outros que não são estelares, mas que também foram muito importantes. Já na USC eu estou desde 2009. Fiz um projeto de um curso no qual eu acreditava. Com minha vocação, inclusive em consultoria, eu pensei na vocação do Interior para a moda.

JC ? Quais são os próximos passos profissionais?

Juba ? Tenho mergulhado no meio acadêmico e isso foi uma ótima surpresa para mim. Adoro o ambiente da USC, a equipe é como uma família de verdade. Continuo com assessoria em moda e, além disso, eu e um grupo de amigos estamos montando uma empresa de assessoria e consultoria com foco no varejo de moda, desde o design, algo que o Interior ainda é carente.

JC ? Já viajou o mundo?

Juba ? Adoro viajar. Viajo muito em pesquisas de moda para meus clientes e para as aulas. Sempre há aquelas viagens que marcam, como Nova Iorque, por exemplo. A cidade é incrível. Outra viagem que adoro fazer é para Buenos Aires. Vou todo ano e sou apaixonado pela cidade. Também já fui para a Inglaterra, Espanha....Mas Buenos Aires me encanta e não é porque lá nosso dinheiro vale três vezes, não (risos). Nos próximos dias estarei por lá novamente.

JC ? Diversão?

Juba ? Ah, adoro! Mas, como gosto mesmo é de falar, mais do que dançar, não dispenso um bom boteco com os amigos, do mais simples aos mais bacanas.
JC ? Um ídolo.


Juba ? Minha avó. Admiramos pessoas diferentes em épocas diferentes da vida mas, hoje, mais maduro, considero minha avó um exemplo. Somos muito parecidos. O que é difícil não é difícil se você ter fé. A gente convivia com isso. Quando criança, todas as manhãs ao tomar café, a primeira coisa que eu via era uma plaquinha de madeira, daquelas compradas na praia, que devia ter mais de 50 anos. Era como um Salmo e dizia: "Sorridente e otimista irei vencer!". Absorvi a tal frase e virou "minha frase". Acho que por isso eu sempre estou alegre, mesmo quando tenho problemas.

JC ? O que é um luxo para você?

Juba ? Tenho uma amiga muito fina em Marília que estava terminando a decoração do seu apartamento na época em que comprei o meu. Ela estava toda preocupada em ter um jardim na sala e, eu, preocupado em ter uma TV gigante. Isso há alguns anos. Eu não entendi o desejo dela, mas hoje estou resgatando isso. Luxo para mim, atualmente, é ter uma área verde dentro de casa, mesmo que em miniatura. Pode até ser um pé de salsinha.

JC ? E o que é lixo?

Juba ? É a falta de preocupação ambiental e social das pessoas.

JC ? Qual é o seu estilo?

Juba ? Jeans e camiseta. Sou muito esportivo, mas tenho um lado sexy, já que uso peças justinhas. Estou me cuidando, recentemente emagreci seis quilos (risos). Quanto à personalidade, acho até que tenho um excesso de informalidade, fico amigo muito rápido das pessoas e falo muito. Certa vez passei por uma seleção de emprego cuja avaliação foi excesso de informalidade. Fiquei muito sentido na época porque eu acreditava que isso era uma grande qualidade. Mas Deus prepara as coisas certas e direciona a gente para um trabalho em que sua personalidade se encaixa.

JC ? Deve ser muito divertido ter você como professor (risos).

Juba ? Meus alunos choram de rir comigo na sala de aula, mas também choram com os meus trabalhos. Mas eu cobro bastante porque quero vê-los bons profissionais.

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Perfil


Perfil

Nome: Odil Zepper (Juba)

Idade: 34 anos

Local de Nascimento: Campo Grande/Mato Grosso do Sul

Signo: Aquário

Hobby: Devorar o site "zinio.com" e trocar imagens e experimentos de moda com amigos

Livro de cabeceira: "Livro dos Sonhos" de Fellini

Filme preferido: Far from heaven (Longe do Paraíso)

Estilo musical predileto: Eletrolight. Adoro a banda Goldfrapp e sempre dou um jeitinho de inserir suas músicas nas trilhas dos desfiles e eventos

Time: Nenhum, mas adoro a seleção brasileira masculina e feminina de vôlei

Para quem dá nota 10: Para aqueles que acreditam e transformam o mundo, principalmente sua cidade, seu local, ou seja, para os empreendedores. Não importa onde e quando, é preciso torcer, vibrar e fazer acontecer

Para quem dá nota 0: Aos reclamões e agitadores que não fazem nada para melhorar o cenário local ou mesmo a própria vida. Pois o que mais ouvimos é: fora da minha cidade tem muito mais oportunidades. Se a pessoa não tem fé em si mesma, não será ninguém em lugar algum. Tenho "preguiça" desse tipo de gente

E-mail: riscadegiz@yahoo.com.br e o blog modanausc.blogspot.com


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