Fernão - Fernão (50 quilômetros de Bauru), com 1.727 habitantes, é a única localidade entre as 645 do Estado de São Paulo que não registrou até esta terça-feira (29) óbito em decorrência da Covid-19. O poder público aposta na atenção primária à saúde e na proximidade com os moradores para combater a pandemia que já matou mais de 500 mil brasileiros.
Visitas de agentes comunitários e utilização de carro de som para orientar a população, monitoramento dos casos e busca ativa das pessoas próximas aos contaminados são algumas das medidas colocadas em prática na cidade. Em frente à igreja, uma faixa pede para as pessoas utilizarem máscaras ao sair às ruas.
Desde o início da pandemia, de acordo com o boletim mais recente da doença, divulgado nesta terça, 214 moradores, ou 12,39% da população, foram diagnosticados com Covid. Dois pacientes estão internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em cidade vizinha, já que Fernão não tem nenhum leito do tipo.
"Fazendo a busca ativa dos contactantes, a gente consegue ter diagnóstico mais rápido e colocar as pessoas em quarentena para não disseminar o vírus", explica a secretária municipal da Saúde, Adriana Pettenuci da Fonseca Santos. Há alguns dias, segundo ela, um aumento repentino de casos gerou preocupação: foram quatro positivados numa igreja. "Para a gente, que tem população pequena, é bastante", diz.
Na única unidade de saúde da cidade, que funciona das 7h às 17h e tem na entrada cartaz alertando que é crime sair de casa com Covid, uma agente faz o acompanhamento das fichas dos moradores para telefonar para eles informando sobre a vacinação contra a doença, enquanto outra cuida do acompanhamento pós-doença.
Ela liga para as pessoas para saber se há sintomas ou possíveis sequelas e indicar o especialista ideal para o caso de necessidades, como nutricionista ou fisioterapeuta.
Como a unidade fecha cedo e não há recursos para ampliação do horário, tampouco para a instalação de um leito de UTI, uma ambulância fica de plantão no local para atendimentos fora do horário. "O munícipe toca a campainha do posto e o guarda aciona o pessoal da saúde, que faz o encaminhamento", conta o motorista Valdecides de Oliveira, 49 anos.
A primeira alternativa é levar o paciente para ser atendido em Gália, cidade de 6.482 moradores que fica distante apenas nove quilômetros. Já casos de média e alta complexidade têm como destino o Hospital das Clínicas (HC) de Marília.
DECRETO
No último dia 18, foi publicado um novo decreto do prefeito José Valentim Fodra (DEM), que inclui toque de recolher a partir das 20h, veto ao consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos 24 horas e novas medidas para o comércio, que abriga 15,8% dos empregos formais da cidade, atrás da administração pública (50,8%) e da agricultura (25,5%), onde se destacam laranja, café e mandioca.
Agente de endemias, Vanessa Martins levou na última quinta-feira (24) as alterações na legislação a um supermercado local e foi recebida por João Vieira, 27 anos, irmão da proprietária. "Essas ações são necessárias, essenciais, para que todo mundo possa relembrar, não esquecer, que ainda estamos na pandemia. Vejo que o atendimento é para pessoas, vidas, não são só números", disse Vieira.