PREVENÇÃO

Novembro Azul: alerta para o avanço do câncer de próstata

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação

O Novembro Azul chega em 2026 com um alerta sustentado por números expressivos: o câncer de próstata continua sendo um dos principais desafios de saúde pública relacionados à população masculina no Brasil.

De acordo com a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028. O número corresponde a um risco estimado de 74,62 casos para cada 100 mil homens. Na região Sudeste, a estimativa é ainda maior, chegando a 94,90 casos por 100 mil homens.

A doença é o câncer mais incidente entre os homens brasileiros quando os tumores de pele não melanoma são excluídos da análise. O cenário reforça a importância da atenção à saúde masculina, sobretudo diante do envelhecimento da população.

Mais de 17 mil mortes em um único ano

A incidência elevada também se reflete na mortalidade. Dados utilizados pelo INCA apontam que 17.258 homens morreram em 2023 no Brasil em decorrência do câncer de próstata, o equivalente a um risco estimado de 16,71 mortes para cada 100 mil homens.

A doença apresenta relação importante com o envelhecimento. O risco aumenta especialmente a partir dos 60 anos, enquanto histórico familiar e obesidade também estão entre os fatores associados ao desenvolvimento do tumor.

Um câncer que pode permanecer silencioso

Um dos desafios para o diagnóstico é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais.

Quando manifestações aparecem, podem incluir dificuldade para urinar, demora para iniciar ou concluir a micção, redução do jato urinário, aumento da frequência urinária, inclusive durante a noite, e sangue na urina.

Entretanto, esses sinais não são exclusivos do câncer de próstata. Doenças benignas, como a hiperplasia prostática benigna e a prostatite, também podem provocar sintomas semelhantes.

Por isso, qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Exames exigem avaliação individual

O PSA e o toque retal são utilizados na investigação de alterações da próstata. O PSA é um exame de sangue que verifica a quantidade do antígeno prostático específico, enquanto o toque permite avaliar características da glândula.

Nenhum desses exames, isoladamente, confirma o câncer. Quando há suspeita, a confirmação diagnóstica é feita por meio de biópsia, após avaliação médica.

Um ponto importante para o público masculino é que o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional indiscriminado de homens sem sinais ou sintomas. A decisão de investigar deve levar em conta os riscos e benefícios e ser discutida individualmente com um profissional de saúde.

Hábitos também fazem parte da prevenção

Não existe uma maneira de garantir que um homem não desenvolverá câncer de próstata. Entretanto, manter hábitos saudáveis é uma medida importante para reduzir fatores de risco e proteger a saúde de forma geral.

A recomendação inclui alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, manutenção do peso adequado, não fumar e evitar bebidas alcoólicas.

O cuidado deve ser permanente e não se limitar ao mês de novembro.

Tratamento varia conforme o estágio

O tratamento é definido individualmente. Nos casos em que o tumor está localizado, podem ser consideradas opções como cirurgia, radioterapia ou, em situações específicas, vigilância ativa.

Em casos mais avançados, podem ser utilizadas combinações de tratamentos, incluindo radioterapia e terapias hormonais, conforme as características da doença e as condições clínicas do paciente.

A escolha terapêutica deve ser feita por equipe especializada após avaliação do estágio do câncer e dos riscos e benefícios de cada alternativa. O SUS oferece assistência integral para diagnóstico e tratamento oncológico.

Um alerta que precisa ultrapassar novembro

O Novembro Azul tem como objetivo ampliar a conscientização sobre o câncer de próstata, mas o cuidado com a saúde masculina não deve ficar restrito a uma campanha.

Com 77.920 novos casos estimados por ano, a doença representa uma realidade que exige informação, acompanhamento e acesso adequado aos serviços de saúde.

Mais do que vencer um tabu, cuidar da saúde significa tomar decisões informadas.

O melhor momento para conversar sobre saúde não precisa ser quando surge um sintoma.

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