DENÚNCIA

Reclamações contra Meta por bloqueios crescem 585% em 2026

Por Redação | UOL
| Tempo de leitura: 2 min
Fonte: consumidor.gov.br
Nos últimos dias, relatos também passaram a incluir usuários comuns e páginas sem atuação política, com denúncias de perda de alcance, queda no engajamento e banimentos
Nos últimos dias, relatos também passaram a incluir usuários comuns e páginas sem atuação política, com denúncias de perda de alcance, queda no engajamento e banimentos

O número de reclamações por suspensão ou desativação considerada indevida de contas no Facebook e no Instagram chegou a 73,3 mil entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados da plataforma consumidor.gov.br, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O volume representa um aumento de 585% em relação a todo o ano anterior e corresponde a 65,35% das queixas registradas contra a Meta, empresa responsável pelas duas redes, neste ano.

Levantamento publicado pelo UOL aponta que mais de 48% dos reclamantes têm entre 21 e 30 anos. Cerca de 90% afirmaram ter procurado a empresa antes de recorrer ao canal do governo federal. Os registros desse tipo de problema vêm aumentando desde 2021, quando 228 usuários apresentaram reclamações. Nos últimos dias, relatos também passaram a incluir usuários comuns e páginas sem atuação política, com denúncias de perda de alcance, queda no engajamento e banimentos.

Entre os casos relatados está o de Maria Eduarda Peres, administradora de um perfil brasileiro dedicado à cantora e atriz Sabrina Carpenter. A conta, que tinha quase 60 mil seguidores, foi suspensa após publicações relacionadas à campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “No dia da eleição, começamos a postar e repostar stories de uma 'colinha' que fizemos com o 13. Alguns caíram sem motivo algum e, no dia seguinte, a conta já não existia mais”, conta. Segundo ela, o perfil não será recuperado, e uma nova página foi criada.

A organização CTRL+Z, que acompanha denúncias de abusos cometidos por grandes empresas de tecnologia, contabilizou 1.187 casos de restrições em contas do Facebook, Instagram, X e WhatsApp. Aproximadamente um terço envolve relatos de redução de alcance ou rebaixamento em buscas, enquanto 13% correspondem a banimentos definitivos. “A maioria dos afetados são cidadãos comuns, mas há dezenas de influenciadores, comunicadores, pesquisadores e movimentos estudantis e sociais também, o que comprova que a interferência da Meta é difusa”, afirmou Luã Cruz, diretor de litigância da entidade.

A Meta nega favorecer candidaturas ou interferir politicamente nas eleições. Após reportagens sobre possíveis diferenças no tratamento de conteúdos relacionados a Lula e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), a empresa afirmou que suas regras são aplicadas igualmente. “Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos”, declarou. As denúncias também chegaram ao debate eleitoral: na quinta-feira (15), representantes da campanha de Lula apresentaram a missões internacionais de observação credenciadas pelo Tribunal Superior Eleitoral relatos de supostas falhas e tratamento desigual na plataforma.

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