AUTOCONHECIMENTO

Agamia possibilita felicidade sem ‘amarras’ tradicionais

Uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2023 revelou que o Brasil possui 81 milhões de pessoas solteiras, contra 63 milhões de casadas

Por Rafaela Silva Ferreira | 23/05/2024 | Tempo de leitura: 3 min

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A agamia, que se caracteriza pela ausência de interesse em formar casais ou casamentos, e, em alguns casos, até mesmo em ter filhos
A agamia, que se caracteriza pela ausência de interesse em formar casais ou casamentos, e, em alguns casos, até mesmo em ter filhos

Em um mundo em constante transformação, as relações humanas também estão se reconfigurando. Novos modelos familiares e estilos de vida surgem, desafiando as concepções tradicionais de amor, compromisso e felicidade. Um desses modelos é a agamia, que se caracteriza pela ausência de interesse em formar casais ou casamentos, e, em alguns casos, até mesmo em ter filhos.

 

O termo "agamia" vem do grego antigo e significa "sem casamento". Apesar de ser um conceito relativamente novo, a agamia já é uma realidade para um número crescente de pessoas, especialmente entre os jovens. Uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2023 revelou que o Brasil possui 81 milhões de pessoas solteiras, contra 63 milhões de casadas.

 

O programa 'Difusora 360' recebeu, na última quarta-feira (22), a psicóloga e sexóloga Márcia Pires para explicar o modelo de agamia. "Predominantemente, a geração Y, que são os nascidos entre 1990 e 2005, estão escolhendo a agamia como modo de vida. Não é egoísmo ou uma forma de desesperança, é uma maturidade."

 

Márcia pontua que existem diversos fatores que contribuem para o aumento da agamia na sociedade atual. Entre os principais, cita priorização da carreira e do desenvolvimento pessoal, as novas gerações que possuem expectativas diferentes em relação aos relacionamentos amorosos e a valorização da liberdade, que motiva as pessoas a se casarem e terem filhos.

 

"Não é um novo ordenamento social, que todos estão 'fadados' a viver isso. Nós, humanos, somos os únicos mamíferos sociais. Nós viemos ao mundo para nos veicular, então, sempre haverá alguém querendo se relacionar com alguém, por isso está tudo bem. As pessoas agâmicas não vão despopulacionar o mundo."

 

Quanto a "autopressão social", Márcia comenta que é algo normal que pode acontecer, porém pode ser contornado. "Isso acontece porque as pessoas ficam nas redes sociais, por exemplo, comparando o próprio bastidor com o palco de terceiros. Mas comparar seu bastidor com o palco de outras pessoas, só aumenta algo negativo em você mesmo."

 

A psicóloga também ressalta que a agamia é uma escolha individual, que deve ser respeitada. "Não se trata de um movimento contra o casamento ou a família, mas sim de uma alternativa para aqueles que não se identificam com esses modelos tradicionais. E no final, você está procurando a si mesmo no outro."

 

 

Agâmica

A professora de educação física e personal trainer, Emile Karen de Oliveira Lemes, 33 anos, percebeu estar vivendo em uma situação agâmica porque não sente desejos em ter um relacionamento. "Gosto de viver a minha liberdade, de poder sempre fazer tudo que quero e quando quero, sem ter sempre que estar dividindo e conciliando minhas escolhas com uma outra pessoa."

 

Questionada sobre sentir a famosa "pressão social" por não estar em um modelo de vida em que todos esperam, Emile revela que não sente nada em seus ombros. "Quando alguém vem me falar algo relacionado a minha escolha, a minha resposta é sempre a mesma: 'sou feliz sendo sozinha e vivendo a minha solitude.' Eu ainda aconselho a pessoa a sair pelo menos uma vez sozinha e descobrir como eu me sinto. Garanto que não é um sentimento negativo", finaliza.

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