CIÊNCIA AERONÁUTICA

Avião silencioso: cientistas da Embraer e da USP disputam prêmio

Novas tecnologias contribuíram para reduzir o ruído da nova geração de jatos comerciais da Embraer, o E2, em 65%; VEJA VÍDEO sobre a nova tecnologia

Por Da redação | 23/05/2024 | Tempo de leitura: 4 min
São José dos Campos

Divulgação / Embraer

Estudos liderados por Carmo (esq.) e Catalano (dir.) reduziram o ruído na nova geração de aeronaves comerciais
Estudos liderados por Carmo (esq.) e Catalano (dir.) reduziram o ruído na nova geração de aeronaves comerciais

Os cientistas brasileiros Micael Carmo e Fernando Catalano são finalistas da premiação europeia de inovação, o European Inventor Awards, em reconhecimento às suas contribuições para uma aviação sustentável.

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A indicação é para a categoria de países não pertencentes à Europa. A edição deste ano teve mais de 550 candidatos e o anúncio dos vencedores acontecerá no dia 9 de julho, em Malta. O voto popular está disponível neste link.

Os dois inventores representam respectivamente as equipes da Embraer e dos centros de pesquisa, coordenados pela USP (Universidade de São Paulo), que participaram dos estudos de soluções e metodologias de engenharia para o desenvolvimento de aeronaves mais silenciosas.

REDUÇÃO DO RUÍDO

As novas tecnologias contribuíram para reduzir o ruído da nova geração de jatos comerciais da Embraer, o E2, em 65% e a emissão de carbono por passageiro em até 25%, quando comparado com a geração anterior. A redução de emissões pode chegar a até impressionantes 85% quando abastecido com 100% combustível sustentável (SAF).

Financiado por meio de uma iniciativa colaborativa entre Embraer, Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o programa Aeronave Silenciosa foi liderado pela empresa em conjunto com outros centros de pesquisas do Brasil, Inglaterra, Alemanha e Holanda, envolvendo mais de 200 pesquisadores que geraram diversas patentes e importantes contribuições para o desenvolvimento de aeronaves mais eficientes.

“Acreditamos fortemente que a colaboração entre empresas e centros de pesquisas pode produzir inovações para melhorar a vida das pessoas e este programa é um grande exemplo disto”, disse Henrique Langenegger, engenheiro-chefe da Embraer. “Parabéns a todos que fazem a indústria aeronáutica brasileira ser globalmente respeitada por sua eficiência e sustentabilidade”.

Como um dos mais prestigiados prêmios de inovação, o European Inventor Awards é organizado pelo EPO (Escritório de Patente Europeu) para reconhecer pessoas e equipes que desenvolveram soluções para os grandes desafios da atualidade.

A indicação destaca as contribuições do programa Aeronave Silenciosa para o desenvolvimento dos jatos E2 da Embraer, que são ideais para operações em lugares com restrição de ruídos, beneficiando as regiões aeroportuárias densamente povoadas, companhias aéreas e impactando positivamente as comunidades locais.

Os finalistas são escolhidos por um júri independente que é composto de profissionais já indicados ao prêmio e que avaliam as contribuições das pesquisas para o progresso científico, desenvolvimento social e sustentável e prosperidade econômica. Todos os inventores devem ter patentes registradas na Europa.

OS CIENTISTAS

Micael Carmo é graduado em Engenharia Mecânica e mestre em Acústica. Ele atua no departamento de interiores, ruído e vibração da Embraer há mais de 20 anos e é coinventor de sete patentes relacionadas à redução de ruído aerodinâmico. Esteve envolvido no programa Aeronave Silenciosa desde o início, em 2006.

Fernando Catalano possui amplo conhecimento de aerodinâmica desenvolvido por anos à pesquisa e ao ensino. Foi professor e ex-chefe do Departamento de Engenharia Aeronáutica da EESC (Escola de Engenharia de São Carlos) da USP, onde iniciou atividades em 1982. Hoje ocupa o cargo de diretor da EESC.

Sua pesquisa se concentrou em áreas como projeto de túneis de vento, estratégias de mitigação de arrasto e refinamento da aerodinâmica das asas. Além disso, suas contribuições se estendem ao domínio da aeroacústica experimental.

AERONAVE SILENCIOSA

A Embraer iniciou em 2006 o programa Aeronave Silenciosa para estudar e avaliar a geração e propagação de ruído aeronáutico. Financiado pela Fapesp e Finep, as principais ênfases do programa foram no ruído aerodinâmico gerado pelo fluxo de ar sobre e sob as asas, no trem de pouso e na fuselagem da aeronave, bem como nas fontes de ruído do motor e suas partes móveis.

A pesquisa contou com a colaboração da Escola Politécnica da USP, Escola de Engenharia de São Carlos da USP, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade de Brasília, ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e Universidade Federal de Uberlândia.

Além disso, outras quatro instituições internacionais tiveram papel importante no projeto: Universidade de Twente, na Holanda, Imperial College e Universidade de Southampton, ambas na Inglaterra, e o Centro Aeroespacial Alemão, na Alemanha.

O estudo foi realizado com foco na área de aeroacústica por meio de três abordagens distintas que se complementam, sendo uma frente experimental, com testes em voo e em túnel de vento, uma segunda frente onde são gerados modelos analíticos e empíricos, e uma terceira frente de aeroacústica computacional.

A partir da compreensão do complexo fenômeno da geração de ruído aerodinâmico, a Embraer ajustou a geometria de partes das aeronaves, como asas, flaps, trem de pouso, entre outros, e realizou ensaios em voo na Unidade Gavião Peixoto, interior de São Paulo. Microfones foram instalados em uma das extremidades da pista para registrar o ruído gerado pela aeronave durante os procedimentos de decolagem e pouso.

Como resultado, o extenso programa conseguiu acelerar o conhecimento de especialistas altamente qualificados na área de acústica e combinar outras tecnologias avançadas que apoiaram o desenvolvimento de uma nova geração de aeronaves mais silenciosas, como os jatos comerciais E-Jets E2.

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