CIÊNCIA

Eclipse solar total desta segunda pode levar a descobertas científicas

O fenômeno poderá ser visto de pontos do México, dos Estados Unidos e do Canadá e deixará visíveis estrelas, planetas e até um cometa

Por Claudinei Queiroz | 07/04/2024 | Tempo de leitura: 4 min
da Folhapress

Pixabay/Foto ilustrativa

O fenômeno ocorrerá no início da tarde e os observadores que estiverem no centro do percurso terão de 4min20s a 4min27s para curti-lo
O fenômeno ocorrerá no início da tarde e os observadores que estiverem no centro do percurso terão de 4min20s a 4min27s para curti-lo

Nesta segunda-feira (8), ocorrerá um eclipse solar total como há muito não se vê. O fenômeno poderá ser visto de pontos do México, dos Estados Unidos e do Canadá e deixará visíveis estrelas, planetas e até um cometa. A Nasa pretende aproveitar a ocasião para realizar estudos científicos que não seriam possíveis não fosse a Lua bloqueando totalmente a luz solar.

A agência espacial financiará cinco projetos científicos, liderados por pesquisadores de diferentes instituições acadêmicas, que estudarão o Sol e sua influência na Terra com uma variedade de instrumentos, incluindo câmeras a bordo de aviões de pesquisa em alta altitude e rádios amadores. Dois dos projetos também incentivam a participação de cientistas cidadãos.

"Os cientistas têm usado eclipses solares há muito tempo para fazer descobertas científicas", disse Kelly Korreck, cientista do programa na sede da Nasa. "Eles nos ajudaram a fazer a primeira detecção de hélio, nos deram evidências para a teoria da relatividade geral e nos permitiram entender melhor a influência do Sol na atmosfera superior da Terra."

Em 21 de agosto de 2017, mais de 20 milhões de pessoas puderam observar o eclipse solar total que cruzou os EUA do oeste para o leste. O deste ano - que surgirá no México, atravessará 15 estados americanos e sumirá no Canadá - vai cobrir regiões muito mais populosas, o que deve elevar o público para mais de 30 milhões, tornando-se o eclipse mais visto na história.

O fenômeno ocorrerá no início da tarde e os observadores que estiverem no centro do percurso terão de 4min20s a 4min27s para curti-lo. O evento deve atrair muitos turistas nacionais e internacionais.

Esses sortudos ainda terão a oportunidade de observar um outro fenômeno, o cometa 12P/Pons-Brooks, que se aproxima do Sol a cada 71,3 anos. Ele está sendo chamado de Cometa do Diabo devido a sua cauda dividida em duas. Segundo os cientistas, isso seria causado por uma desigual liberação de gás e poeira. Quem usar luneta ou binóculo terá uma melhor visão do cometa.

Além do espetáculo no céu, na região do eclipse também poderão ser observados a diminuição da temperatura e a reação dos animais, que geralmente ficam quietos, confundidos com a escuridão da noite. Veja os experimentos científicos que devem ser realizados no dia.

Perseguição ao eclipse com aviões de alta altitude
Usando um avião de pesquisa de alta altitude WB-57 da Nasa, um projeto capturará imagens do eclipse a uma altitude de 50 mil pés (15.240 m) acima da superfície da Terra. A expectativa é ver novos detalhes das estruturas na coroa média e inferior do Sol.

As observações, feitas com uma câmera que capta imagens em infravermelho e luz visível em alta resolução e alta velocidade, também podem ajudar a estudar um anel de poeira ao redor do Sol e procurar por asteroides que possam orbitar perto do astro.

Imagens aéreas e observações
Os WB-57s também voarão com câmeras e espectrômetros (que estudam a composição da luz) para aprender mais sobre a temperatura e a composição química da coroa e das ejeções de massa coronal, ou grandes explosões de material solar.

A equipe espera que essas observações forneçam novas perspectivas sobre as estruturas na coroa e as fontes do fluxo constante de partículas emitidas pelo Sol, o vento solar.

Testes
Nathaniel Frissell, da Universidade de Scranton, convidou operadores de rádio amador a participarem do que chamou de Festas QSO de Eclipse Solar, quando tentarão fazer o maior número possível de contatos por rádio (QSOs na linguagem usada pelos operadores) com outros operadores em diferentes locais. Os participantes registrarão o quão fortes são seus sinais e o quão longe vão para observar como a ionosfera muda durante os eclipses.

Segundo a Nasa, em uma região superior de nossa atmosfera, a energia do Sol retira elétrons dos átomos, tornando a região eletricamente carregada, ou ionizada. Essa região, a ionosfera, pode ajudar as comunicações por rádio a viajar longas distâncias, como aquelas entre operadores de rádio amador ao redor do mundo. No entanto, quando a Lua bloqueia o Sol durante um eclipse solar, a ionosfera pode mudar drasticamente, afetando essas comunicações. E é essa alteração que será analisada.

Efeitos da radiação
Outra pesquisa será realizada por Bharat Kunduri, da Universidade Politécnica e Estadual da Virgínia, que usará três radares SuperDarn para estudar o impacto da radiação solar nas camadas superiores da atmosfera terrestre durante o eclipse.

A Rede de Radares Aurorais Duplos, ou SuperDarn, monitora as condições meteorológicas espaciais nas camadas superiores da atmosfera terrestre. Assim, a equipe de Kunduri comparará as medições com previsões de modelos de computador para responder perguntas sobre como a ionosfera reage a um eclipse solar.

Observação do Sol
Uma equipe formada pelo Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, por educadores no Centro Lewis de Pesquisa Educacional no Sul da Califórnia e por participantes do programa de ciência cidadã Solar Patrol do centro usará o Radiotelescópio Goldstone Apple Valley de 34 metros para medir mudanças sutis nas emissões de rádio das regiões ativas do Sol durante o eclipse.

A técnica, utilizada pela primeira vez durante os eclipses anulares de maio de 2012, revelou detalhes que o telescópio não poderia detectar de outra forma.

O foco é o estudo das regiões ativas solares  - as regiões magneticamente complexas que se formam sobre manchas solares - à medida que a Lua passa sobre elas. A passagem gradual da Lua sobre o Sol bloqueia diferentes partes da região ativa em momentos diferentes, permitindo que os cientistas distingam os sinais de luz provenientes de uma parte versus outra.

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