07 de novembro de 2026
SÃO VICENTE

Hospital São Vicente voltará à Câmara para discutir convênios

Por Dináde Melo | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Reunião do dia 27 de outubro reuniu vereadores e a direção do Hospital

O Hospital São Vicente de Paulo voltará à Câmara de Jundiaí em 12 de novembro para discutir os convênios com a Prefeitura, a fila de cirurgias e a disponibilidade de leitos. A reunião dará sequência ao encontro de 27 de outubro, quando a direção da instituição respondeu a perguntas de 14 vereadores. A conversa deverá incluir o Conselho Gestor do hospital e o Conselho Municipal de Saúde.

A mudança na superintendência motivou a primeira reunião. Após a saída de Fernando Ramos, Kely Schettini assumiu interinamente o posto e foi apresentada aos parlamentares. O debate foi além da troca na gestão: os vereadores pediram explicações sobre os recursos recebidos pelo São Vicente, a capacidade de atendimento e os serviços previstos nos convênios.

Repasses e cirurgias

O presidente da Câmara, Edicarlos Vieira (União), questiona o aumento dos repasses diante da redução do número de cirurgias. Segundo os dados apresentados por ele, entre 2023 e 2025 os recursos destinados ao hospital passaram de R$ 343 milhões para R$ 462 milhões, alta de 34%, enquanto foram realizadas 519 cirurgias a menos.  “Pode haver explicação técnica, e a direção já apontou algumas. Precisamos entender melhor esse contexto, assim como o custo do hospital e o motivo de a fila de cirurgia estar tão grande”, afirmou. Segundo a presidência da Câmara, representantes do São Vicente explicaram que a instituição é referência regional em alta complexidade e recebe pacientes de várias cidades, fatores que elevam os custos.

A direção também apresentou, conforme o relato da presidência, dados indicando que o hospital funciona acima de sua capacidade de leitos e que os atendimentos excedentes não são ressarcidos. O impacto desse excedente nas contas e na oferta de vagas deverá ser aprofundado na reunião de novembro.

Convênios e fiscalização

O presidente da Comissão de Saúde, Assistência Social e Previdência, Dr. José Antônio Kachan Júnior (Republicanos), afirma que o encontro tratou da formalização dos novos convênios, dos fluxos assistenciais, das cirurgias e dos leitos. Os acordos passaram por adequações nos valores, nas metas e nos serviços previstos, de acordo com a capacidade de atendimento do hospital.

A comissão acompanhará esses ajustes nas prestações de contas, verificando se há diferenças entre o que foi pactuado e o que foi executado. Kachan não apontou uma divergência específica. Sobre as filas, explicou que o hospital envia as informações ao município, responsável pela gestão da espera dos serviços contratualizados. O vereador não forneceu números atualizados de pacientes aguardando consulta ou cirurgia nem da ocupação dos leitos.

Em nota publicada em 7 de outubro, a Prefeitura informou que renovou por 12 meses o convênio de assistência médico-hospitalar nº 10/2023 e substituiu seu plano de trabalho. Em outra nota, divulgada no dia 21, explicou que a meta anterior considerava apenas os leitos oficiais. Segundo a administração municipal, a revisão busca refletir o volume de atendimentos em períodos de superlotação.

O acesso às informações entre hospital, Prefeitura e Câmara foi outro tema discutido. De acordo com Edicarlos, a superintendente interina reconheceu dificuldades na comunicação e se comprometeu a buscar melhorias. Ele afirma que a transparência dos recursos não foi colocada em dúvida, mas que foi solicitada uma auditoria externa. Não foram informados o  responsável, o alcance ou o prazo dessa auditoria.

Para o dia 12, Kachan espera informações atualizadas sobre convênios, fluxos assistenciais, cirurgias e leitos, que permitam à comissão fiscalizar e cobrar providências. Segundo Edicarlos, eventuais medidas formais, por ofício ou requerimento, poderão ser definidas após a participação dos conselhos.