05 de novembro de 2026
TORNADOS E CICLONES

Entenda o aumento de eventos extremos no Centro-Sul do Brasil

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Tornados, ciclones e rajadas de vento provocaram estragos em cidades do Sul do país. Santa Catarina registrou duas mortes e mais de 100 municípios afetados.

O Centro-Sul do Brasil enfrenta uma sequência de eventos climáticos extremos, com registro de tornados, ciclones extratropicais, tempestades e rajadas intensas de vento. Depois de dias de calor intenso, a formação de uma nova frente fria e a atuação de um ciclone extratropical sobre o Oceano Atlântico mantêm o cenário de instabilidade nesta quinta-feira (5).

O meteorologista Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus Meteorologia, afirmou que esses fenômenos não são inéditos no país, mas têm apresentado aumento na frequência e na intensidade. Entre os fatores associados ao cenário, ele apontou as mudanças climáticas e a influência do El Niño, fenômeno que interfere na circulação atmosférica e nos padrões de temperatura e chuva.

Segundo o especialista, o Brasil já registrou mais de 100 fenômenos da categoria dos tornados neste ano, número superior ao observado em períodos anteriores, conforme levantamento mencionado por ele.

Nascimento também alertou para a possibilidade de novos temporais na próxima semana, principalmente entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

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Entenda a diferença entre tornados, microexplosões e ciclones

Apesar de todos poderem provocar ventos intensos e destruição, tornados, microexplosões e ciclones extratropicais apresentam características diferentes.

Os tornados e as microexplosões são fenômenos mais localizados, capazes de provocar estragos concentrados em determinadas áreas. Já os ciclones extratropicais podem atingir regiões muito mais extensas, com influência sobre diferentes estados.

A microexplosão ocorre quando correntes de ar descem de uma nuvem de tempestade e atingem o solo, espalhando-se horizontalmente pela superfície. Embora tenha abrangência menor, pode apresentar elevado potencial destrutivo.

Os ciclones extratropicais, por sua vez, são sistemas de baixa pressão atmosférica que podem provocar chuva, tempestades e ventos fortes em áreas extensas.

Frente fria provoca temporais no Sul, Sudeste e Centro-Oeste

Nesta quinta-feira (5), a combinação entre a frente fria e o ciclone extratropical favorece a ocorrência de chuva forte, tempestades e rajadas de vento em diferentes localidades do Centro-Sul.

No Sudeste, o avanço da frente fria espalha nuvens carregadas por São Paulo, pelo centro-sul de Minas Gerais e pelo Rio de Janeiro. Há risco de tempestades e queda de granizo em pontos isolados. Na costa paulista e em trechos do litoral e do interior fluminense, os ventos podem variar entre 50 km/h e 70 km/h.

No Sul, as rajadas também podem alcançar 70 km/h no litoral do Paraná e de Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, o afastamento da área de baixa pressão e a entrada de ar mais seco contribuem para a redução das instabilidades.

Já no Centro-Oeste, a organização da frente fria, combinada ao transporte de umidade da Amazônia, favorece temporais e pancadas fortes em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal.

Enquanto isso, no interior do Nordeste, a predominância de uma massa de ar seco pode provocar queda acentuada da umidade relativa do ar, com índices entre 12% e 20%.

Tornados deixam mortos e provocam estragos no Sul

Somente na quarta-feira (4), três ocorrências de tornados foram registradas na região Sul. Uma delas atingiu Erval Grande, Itatiba do Sul e Barra do Rio Azul, no Norte do Rio Grande do Sul. As outras duas foram registradas em Chapecó e Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina. Em Barra do Rio Azul, uma torre de alta tensão foi derrubada. Segundo a Defesa Civil, não houve registro de feridos.

Santa Catarina, entretanto, contabilizou duas mortes relacionadas aos temporais. Em Rio Negrinho, um homem de 20 anos morreu após a estrutura de um posto de combustível desabar sobre a BR-280. Em Xanxerê, outra pessoa morreu após sofrer um choque elétrico provocado pelo rompimento de um cabo de alta tensão.

De acordo com a última atualização da Defesa Civil catarinense, 106 municípios registraram ocorrências relacionadas aos temporais. Desse total, 23 decretaram situação de emergência. O balanço também apontava 5.358 residências afetadas, 56 pessoas desabrigadas e 252 desalojadas.

Em Chapecó, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou rajadas de vento de até 126 km/h. Em outros municípios catarinenses, as velocidades chegaram a variar entre 90 km/h e 131 km/h.

O aeroporto de Chapecó também foi atingido, com danos no saguão principal, em estruturas internas e em hangares. As operações foram suspensas temporariamente.