Alterações de humor, apatia, perda de interesse por atividades cotidianas e até alucinações podem ser sinais iniciais de demência em pessoas acima dos 50 anos. Embora o esquecimento seja um dos sintomas mais conhecidos dessas doenças, mudanças no comportamento e na personalidade também podem surgir antes das dificuldades de memória.
Especialistas alertam que essas manifestações merecem atenção, principalmente quando representam uma mudança em relação à personalidade e aos hábitos que a pessoa sempre apresentou. Em muitos casos, são familiares e pessoas próximas que percebem os primeiros sinais, enquanto o próprio idoso pode não reconhecer as alterações.
As mudanças podem aparecer de maneira discreta, evoluir gradualmente e interferir na convivência familiar, nas relações sociais e na realização de atividades habituais.
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Quais mudanças podem indicar demência?
Entre os sinais que merecem atenção estão alterações persistentes no comportamento, como:
Uma condição estudada nessa área é o comprometimento comportamental leve, que envolve alterações surgidas geralmente após os 50 anos e que persistem por pelo menos seis meses. Para serem consideradas relevantes, elas precisam representar uma mudança em relação ao comportamento habitual.
Isso não significa que qualquer alteração de humor ou personalidade seja indicativo de demência. É necessário considerar a frequência, a duração, a intensidade dos sintomas e o histórico de cada pessoa.
Cada tipo de demência pode apresentar manifestações diferentes
As doenças neurodegenerativas não provocam necessariamente os mesmos sintomas. Na demência por corpos de Lewy, por exemplo, podem ocorrer alucinações visuais, alterações do sono, lentidão dos movimentos, dificuldades de atenção e oscilações no estado de alerta. Nesse caso, os problemas de memória podem não ser tão evidentes no início.
Já a demência frontotemporal costuma provocar mudanças mais acentuadas na personalidade e no comportamento, incluindo impulsividade, desinibição e redução da empatia.
No Alzheimer, além dos problemas de memória, também podem aparecer sintomas como depressão, ansiedade, apatia e perda de interesse por atividades habituais.
Por isso, observar apenas a presença de esquecimentos pode não ser suficiente para identificar alterações neurológicas. O comportamento também precisa ser considerado durante a investigação.
Familiares podem perceber os primeiros sinais
Uma das dificuldades na identificação dessas doenças é que as mudanças nem sempre são reconhecidas pelo próprio paciente. Muitas vezes, pessoas próximas percebem que o idoso está mais isolado, irritado, desatento ou apresenta atitudes que não faziam parte de sua rotina.
A comparação com o comportamento anterior é importante. Uma pessoa que sempre foi reservada, por exemplo, não necessariamente apresenta um sinal de doença por manter esse perfil. A preocupação surge quando há uma mudança significativa e persistente em relação ao padrão habitual.
Também é importante observar alterações que aparecem acompanhadas de dificuldades de equilíbrio, sonolência excessiva, problemas de atenção ou mudanças na capacidade de realizar tarefas do dia a dia.
Diagnóstico precoce ajuda a preservar a autonomia
Ao identificar mudanças persistentes, a orientação é procurar avaliação médica, preferencialmente com profissionais especializados em neurologia ou geriatria. A investigação pode envolver avaliação clínica, testes cognitivos e exames complementares, conforme os sintomas apresentados.
Embora as demências sejam doenças progressivas, o acompanhamento adequado permite tratar manifestações, orientar familiares e adotar estratégias para preservar a qualidade de vida e a autonomia do paciente.
Entre os recursos utilizados estão atividades de estimulação cognitiva, exercícios físicos, leitura, escrita, jogos e tarefas que trabalham memória, atenção, linguagem e raciocínio.
As atividades devem respeitar as condições e os interesses de cada pessoa. A participação da família também é importante para acompanhar a evolução dos sintomas e contribuir com os cuidados.
O principal alerta é não considerar toda mudança de comportamento como consequência natural da idade. Quando atitudes incomuns se tornam frequentes e representam uma ruptura com a personalidade habitual, buscar orientação profissional é fundamental.Diocese de Piracicaba recebe homenagem da Câmara de Capivari