04 de novembro de 2026
ARTIGO

Sobre Bruxas e Feitiçarias

Por Ivana Maria França de Negri |
| Tempo de leitura: 3 min

O Halloween já passou, um dia de gostosuras e travessuras que as crianças adoram! Fantasias variadas, abóboras gigantes e guloseimas fazem da festa uma diversão. 

Vejo muitas pessoas que expressam a fé católica condenando o dia das Bruxas como se fosse algo demoníaco. Mas será que elas pesquisaram como surgiu o dia das Bruxas? Ou mesmo a origem da palavra, o que vem a ser uma “Bruxa”? 

Algumas fontes citam a origem vinda do sânscrito, “mulher sábia”. Outras dizem que a palavra deriva do céltico “brixt”, que significa encanto. 

Historicamente eram mulheres curandeiras, parteiras e conhecedoras dos efeitos curativos das ervas. Sábias, conheciam os fenômenos da natureza e os ciclos lunares. 

A partir do século Xlll, a Igreja Católica associou essas mulheres, que eram boas e praticavam a cura, à feitiçaria, e as demonizaram a tal ponto que eram perseguidas, submetidas a um tribunal e condenadas a morrerem queimadas.   

O tribunal era o Santo Ofício, que aplicava técnicas de tortura que causavam dores insuportáveis, mas a regra era não deixar sangrar e não causar a morte durante o martírio, pois a morte deveria ser em praça pública como castigo. Eram supliciadas das maneiras mais cruéis, até confessarem crimes dos quais eram inocentes. Eram acusadas de seduzirem os homens, de praticar feitiçaria.  

O importante era o espetáculo. O povo se juntava nas praças para assistir as mulheres sendo queimadas vivas, lentamente, pois o fogo era ateado inicialmente nos pés e as labaredas iam subindo sob os gritos de dor das pobres mulheres. E qualquer coisa era motivo de condenação. Se fossem muito magrinhas, tivessem alguma marca de nascença ou algum defeito físico, pronto, era feiticeira e tinha que confessar crimes e eram jogadas nas labaredas. A maioria confessava logo para cessar a tortura que podia durar dias. 

Em Portugal existe o Museu da História da Inquisição com réplicas da Sala de Tortura e dos instrumentos que utilizavam. Não vou reproduzir aqui porque ao ler fiquei muito mal, tal a crueldade. Muitas das mulheres eram ainda adolescentes, imagino o pavor que essas meninas passaram. 

Existe vasta literatura a respeito como “As Bruxas de Salém” que conta como foi  o julgamento e enforcamento de cerca de vinte meninas na cidade de Salém, Massachusetts,  em 1693. Anos mais tarde, em 1711, o governo reconheceu o erro, anulou as condenações inocentando as jovens mortas e concedeu indenizações às famílias. 

 Os irmãos Grimm, escritores alemães, ficaram famosos no mundo todo ao compilarem lendas do folclore popular europeu nos Contos de Fadas. Foram eles que criaram o estereótipo da bruxa malvada, como na história da Branca de Neve e os Sete Anões, João e Maria e a Bela Adormecida no Bosque. Só bem depois, Walt Disney adaptou essas histórias para o cinema. 

Muita gente crê que os contos de fadas são de autoria de Disney, mas na verdade são narrativas orais, lendas europeias que eram mistura de fatos reais com elementos fantásticos e sobrenaturais para explicar acontecimentos misteriosos. 

     Nos EUA a festa de Haloween se consolidou trazida por imigrantes irlandeses no século XIX, tendo origem no festival celta Samhain, com a tradição das bruxas fazendo malvadezas, longe do conceito inicial das curandeiras do bem.  

Se eu tivesse vivido na Idade Média, certamente  seria atirada na fogueira porque sou amiga dos livros, sempre tive gatos, tenho amor pelos animais, busco a espiritualidade, coleciono pedrinhas, conchas, folhas secas e sementes, converso com animais, com a lua  e até com as estrelas!  

Uma Bruxa, com certeza!