O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que uma eventual deterioração da economia brasileira poderá acelerar o desgaste do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e abrir espaço para uma nova disputa presidencial antes de 2030.
A declaração foi feita na sexta-feira (30), durante uma transmissão ao vivo realizada dos Estados Unidos. Foi a primeira manifestação pública do parlamentar nesse formato desde que deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas.
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Na avaliação de Flávio, a situação econômica será determinante para o futuro político do governo. Ele comparou o cenário que projeta para a atual administração à crise enfrentada pelo país durante o governo Dilma Rousseff, em 2014 e 2015, mas afirmou que as dificuldades podem ser ainda maiores.
“Eu acho que a minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”, declarou.
Flávio argumentou que o presidente terá dificuldades para conciliar os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral com a situação das contas públicas.
Segundo o senador, a adoção de medidas para cumprir as promessas feitas por Lula poderia pressionar ainda mais a economia. Ele afirmou acreditar que o agravamento desse quadro poderá provocar consequências políticas antes do previsto.
“Se ele fizer aquilo que prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido”, disse.
O parlamentar também declarou que a deterioração econômica poderia abreviar a permanência de Lula no Palácio do Planalto, embora não tenha apresentado uma previsão concreta sobre como isso ocorreria.
Durante a transmissão, o senador também falou sobre seus planos eleitorais e sinalizou que está disposto a voltar a disputar a Presidência da República.
Ao mencionar os quase 60 milhões de votos obtidos no segundo turno da eleição presidencial, Flávio afirmou que poderá assumir novamente uma candidatura caso o cenário político leve a uma nova disputa.
“Qualquer coisa que aconteça eu vou estar aqui pronto, inclusive se for preciso para disputar a Presidência da República de novo”, afirmou.
Na sequência, deixou claro que não se referia apenas à eleição prevista para 2030. “Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso”, declarou.
Flávio também pediu maior mobilização da oposição no Congresso Nacional, com atenção especial ao Senado Federal.
Durante a live, declarou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência da Casa e incentivou seus apoiadores a pressionarem os parlamentares pela escolha do aliado.
Na avaliação de Flávio, o controle do Senado representa uma frente estratégica para a oposição atuar contra propostas e iniciativas do governo Lula. Ele classificou o Legislativo como um dos principais espaços de resistência política ao Executivo.
Outro assunto abordado pelo senador foi sua saída do Brasil. Ele contou que a decisão foi tomada depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na segunda-feira (26).
Segundo o relato, Flávio tinha autorização para permanecer por 30 minutos na residência do ex-presidente, na condição de advogado. Ao final do encontro, teria sido informado sobre a presença de agentes da Polícia Federal no local para entregar uma intimação relacionada a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida mencionada pelo senador envolvia a entrega de passaportes e a proibição de deixar o território nacional.
Flávio afirmou que interpretou a situação como o início de uma perseguição judicial. Também relatou uma conversa reservada com o pai, que, segundo sua versão, demonstrou preocupação com os possíveis desdobramentos da decisão.
Depois de retornar para casa, o parlamentar disse que conversou com a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e decidiu viajar com a família. Ele negou que outras pessoas tenham participado da organização da viagem.
“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque se soubessem, a chance de dar errado seria maior”, declarou.
O senador também rejeitou a interpretação de que teria abandonado o país e justificou sua saída com a frase: “Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil”.
Mesmo nos Estados Unidos, Flávio afirmou que pretende continuar participando das articulações da oposição ao governo federal e mantendo contato com aliados políticos.
Durante a transmissão, criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal e acusou integrantes do Judiciário de interferência política. O senador também classificou o atual cenário institucional brasileiro como um “regime de exceção”, expressão utilizada por ele para manifestar sua avaliação sobre a situação do país.
Flávio disse acreditar que, fora do Brasil, terá mais liberdade para expor suas opiniões, que, segundo ele, poderiam provocar censura ou represálias caso permanecesse em território nacional.
O parlamentar ainda criticou possíveis negociações relacionadas à situação judicial do pai. Para ele, a liberdade de Jair Bolsonaro não deve ser utilizada como moeda de troca em articulações políticas.
Ao encerrar a transmissão, reforçou a intenção de continuar atuando como uma das lideranças da oposição, mesmo à distância, com participação nas discussões políticas e na mobilização de aliados no Congresso.