30 de outubro de 2026
PREVENÇÃO

Bronquiolite aumenta preocupação entre gestantes no Brasil

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/Fiocruz
Pesquisa aponta que 60% das gestantes brasileiras se preocupam com a bronquiolite, enquanto muitas ainda desconhecem as formas de prevenção.

A preocupação com a bronquiolite e o vírus sincicial respiratório (VSR) tem crescido entre gestantes brasileiras. Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipsos-Ipec), a pedido da Pfizer, identificou avanços no conhecimento sobre a doença e a vacinação durante a gravidez. Apesar disso, os dados mostram que ainda existem dúvidas importantes sobre a transmissão, os riscos e as formas de prevenção.

O levantamento ouviu 530 gestantes de todas as regiões do país, com idades entre 18 e 45 anos. Entre as entrevistadas, 70% afirmaram conhecer ou já ter ouvido falar do VSR, percentual superior aos 58% registrados em 2024.

Apesar do avanço, a compreensão sobre o assunto ainda apresenta lacunas. Segundo a pesquisa, 79% das participantes demonstraram pelo menos uma dúvida ou percepção equivocada sobre o tema. Apenas 13% responderam corretamente a todas as afirmações avaliadas.

A bronquiolite foi apontada como a principal doença infectocontagiosa que preocupa as gestantes. O percentual de mulheres que mencionaram a enfermidade passou de 40%, em 2024, para 60% em 2026.

Vírus sincicial é uma das principais causas de bronquiolite

O vírus sincicial respiratório é um dos principais agentes causadores de infecções respiratórias em crianças pequenas. Ele pode provocar quadros como bronquiolite e pneumonia, especialmente em bebês, que apresentam maior risco de complicações.

A bronquiolite é uma infecção que atinge os bronquíolos, pequenas estruturas responsáveis pela passagem do ar nos pulmões. A doença pode causar tosse, chiado no peito, dificuldade para respirar e problemas para se alimentar. Em situações mais graves, pode exigir internação hospitalar.

Embora muitas crianças apresentem quadros leves, bebês pequenos e pessoas com determinadas condições de saúde podem desenvolver complicações. Por isso, a prevenção e o reconhecimento dos sinais de alerta são importantes para reduzir os riscos.

De acordo com os resultados da pesquisa, 46% das gestantes reconhecem que a bronquiolite pode ser grave, com possibilidade de hospitalização e morte, especialmente entre bebês e idosos.

Conhecimento avança nas regiões brasileiras

Os resultados também apontam diferenças regionais na percepção sobre o VSR e a bronquiolite. No Sudeste, 74% das gestantes afirmaram conhecer ou já ter ouvido falar do vírus, um aumento de 21 pontos percentuais em relação a 2024. A preocupação com a bronquiolite também cresceu na região, passando de 40% para 55%.

Já no Norte e Centro-Oeste, o reconhecimento da bronquiolite passou de 12% para 47%. Além disso, metade das gestantes dessas regiões já identifica a possibilidade de a doença apresentar quadros graves, o dobro do registrado no levantamento anterior.

A associação entre o VSR e a bronquiolite também avançou. No Norte e Centro-Oeste, 40% das entrevistadas já relacionam o vírus à doença, um aumento de 11 pontos percentuais em comparação com 2024.

Segundo a médica Adriana Ribeiro, os resultados mostram que conhecer o nome da doença, identificar o vírus responsável e compreender os riscos são etapas diferentes do processo de conscientização.

No Sudeste, o percentual de gestantes que reconhecem o risco de internação e morte por bronquiolite passou de 33% para 43%.

Vacinação contra o VSR está disponível pelo SUS

Uma das principais estratégias de prevenção é a vacinação durante a gestação, que permite a transferência de anticorpos da mãe para o bebê. Dessa forma, a criança recebe proteção nos primeiros meses de vida, período em que está mais vulnerável a complicações causadas pelo vírus.

A vacina contra o VSR foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025. A imunização é destinada às gestantes conforme as recomendações do Ministério da Saúde e deve ser abordada durante o acompanhamento pré-natal.

Apesar da disponibilidade pelo sistema público, parte das mulheres ainda desconhece a existência dessa proteção. De acordo com a pesquisa, 46% das gestantes do Sudeste e 38% das entrevistadas do Norte e Centro-Oeste não sabem que existe uma forma de prevenção contra o VSR disponível no SUS.

A cobertura nacional entre gestantes está em torno de 84%, segundo os dados apresentados pela médica Adriana Ribeiro. Entretanto, alguns estados permanecem abaixo de 80%, entre eles São Paulo e Rio de Janeiro, além de unidades federativas da região Norte.

Para a especialista, o acompanhamento pré-natal é fundamental para ampliar o acesso à informação e garantir que as gestantes recebam orientações sobre as vacinas recomendadas durante a gravidez.

Pesquisa aponta avanço na orientação médica

O levantamento também identificou crescimento na recomendação de vacinação por profissionais de saúde. Em 2026, 88% das entrevistadas afirmaram ter recebido orientação médica para se vacinar durante a gestação. Em 2024, esse percentual era de 77%.

Entre as mulheres que receberam a recomendação, 96% disseram que seguem ou pretendem seguir a orientação. Além disso, 71% afirmaram cumprir integralmente as recomendações recebidas durante o acompanhamento pré-natal.

Outro avanço está no conhecimento sobre o calendário vacinal específico para gestantes. Atualmente, 72% das entrevistadas afirmam saber da existência desse calendário, contra 58% em 2024.

Mesmo assim, ainda existem dúvidas sobre a imunização materna. Cerca de 25% acreditam que devem seguir apenas o calendário de vacinação correspondente à própria idade, enquanto 31% não reconhecem que algumas vacinas administradas durante a gravidez também contribuem para proteger o bebê.

Os resultados reforçam a importância de orientar as gestantes durante o pré-natal sobre as vacinas recomendadas, os períodos adequados para a imunização e os benefícios da proteção para a mãe e a criança.

A recomendação é que as mulheres conversem com a equipe de saúde responsável pelo acompanhamento da gravidez para verificar quais vacinas estão indicadas em cada fase da gestação. A imunização deve seguir as orientações oficiais, considerando as necessidades individuais e o calendário do Ministério da Saúde.