O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não irá se envolver na turbulência política do Brasil após o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, publicar carta em que se disse o verdadeiro presidente do país -momentos depois, o senador recuou se classificou como "líder do Brasil".
Trump foi questionado sobre a declaração de Flávio, mas se esquivou.
"Eu não vou comentar sobre isso, mas eu sei que nós autorizamos a entrada dele no país. Então, veremos". Porém, o republicano voltou a criticar, pela quarta vez, o segundo turno das eleições no Brasil. "Não vou me envolver, mas isso foi uma eleição muito estranha. Isso é certeza."
O presidente americano tem criticado o segundo turno da eleição brasileira devido à ampliação do horário de votação, embora tenha afirmado, pela terceira vez, que não tomou partido na disputa. "Eu conheço o Lula, eu conheço o Flávio um pouco, eu conheço o pai dele [ex-presidente Jair Bolsonaro] muito bem. O pai foi tratado muito mal. Mas eu não me envolvi. É o Brasil, um outro país", disse.
O presidente Donald Trump disse na noite de terça que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, mas que não sabia onde o aliado estava. "Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora", afirmou. "Mas eu certamente me aproximaria bastante dele."
Mais cedo, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo americano concederá vistos a Flávio e aos familiares, autorizando a entrada e a permanência no país.
Após a derrota para o presidente Lula (PT) no domingo, Flávio afirmou que pediria a anulação da eleição. Na segunda (26), gravou um vídeo indicando desistência do questionamento. Reclamou da ordem de Moraes sobre os passaportes, mas disse que ficaria no Brasil e lideraria a oposição.
Apenas 34 mil votos -0,03% do total- foram registrados após as 17h neste domingo. Ainda assim, Flávio concentra sua carta nesse argumento, insistindo que a prorrogação representa uma "nulidade".
O senador entrou nos Estados Unidos nesta quarta-feira (28) com um registro humanitário que autoriza a permanência do parlamentar e de sua família no país durante um ano.
A informação consta em documento da agência alfandegária e de proteção dos EUA. No documento, aparece o nome de Flávio, com chegada em outubro de 2026 e permanência autorizada até outubro de 2027.
O registro de entrada do senador é classificado como "DT", o que significa que ele recebeu uma autorização humanitária para entrar no país.