26 de outubro de 2026
ARTIGO

Três minutos de exercício intenso podem valer mais que uma hora?

Por Rogerio Cardoso |
| Tempo de leitura: 2 min

Pense em duas pessoas numa bicicleta. Uma pedala tranquilamente durante 90 minutos. A outra faz seis arrancadas de 30 segundos, com pausas para descansar. São apenas três minutos de esforço muito forte, dentro de uma sessão de cerca de 23 minutos. Qual dos dois treinos faz mais diferença no corpo? A resposta surpreendeu até os cientistas. 

Em 2026, pesquisadores publicaram na revista Cell Reports Medicine o estudo “Exercise intensity modulates interorgan communication and is associated with cardiometabolic health outcomes in humans”. Em português, a pesquisa mostra como a intensidade do exercício muda a conversa entre nossos órgãos. 

Sim, nossos órgãos conversam. Não com palavras, mas com substâncias que viajam pelo sangue. Quando nos exercitamos, músculos, fígado e outros tecidos enviam pequenos recados químicos, como se avisassem: “Estamos trabalhando. Preparem-se!” Já falei aqui sobre endorfinas e miocinas, substâncias que ajudam a explicar como o exercício age no organismo. 

Os pesquisadores examinaram o sangue de 19 homens jovens e saudáveis. Logo após as arrancadas intensas, mais de 700 proteínas apresentaram mudanças. Depois dos 90 minutos de pedalada moderada, apenas sete mostraram alterações naquele momento. Dentre as proteinas que foram alteradas tem a GH1     que participa do metabolismo e da manutenção dos tecidos. 

É uma diferença enorme. Mas atenção: mais proteínas alteradas não significa, automaticamente, mais saúde. 

Ao comparar esses sinais com informações de milhares de pessoas, os cientistas encontraram ligações entre algumas proteínas liberadas no esforço intenso e menor risco de doenças como diabetes tipo 2 e problemas do coração. Isso é uma pista importante, não uma prova de que três minutos curam ou previnem essas doenças. Que fique claro.  

E a caminhada, então? Perdeu seu valor? De jeito nenhum. 

O exercício moderado também melhora a saúde, ajuda no controle da pressão, fortalece o coração e pode ser praticado por muito mais gente. O estudo não mostrou que três minutos substituem 90, nem que todos devam fazer tiros máximos. Afinal, os participantes eram jovens e saudáveis. 

O que a pesquisa nos ensina é que o corpo responde não apenas ao tempo que nos movimentamos, mas também ao esforço que fazemos. Ou seja, se não tem tempo, coloque um pouco de intensidade.  

Para quem já treina e tem condições de aumentar a intensidade, alguns trechos mais rápidos podem acrescentar um estímulo diferente. Para quem está começando, caminhar regularmente já é uma excelente escolha. E quem tem problemas de saúde precisa de orientação antes de tentar esforços máximos. 

Talvez a melhor pergunta não seja se três minutos vencem os 90. 

Mas se estamos oferecendo ao nosso corpo movimento suficiente, com desafios adequados à nossa realidade. 

Porque exercício não é uma competição de relógio. É um cuidado que se constrói, treino após treino. Até a próxima.